Têm ouvidos e não ouvem, têm olhos e não vêem…

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Objeção: “(…)Vivi na Ilha durante três anos entre 1989 até 1992 (…) nunca vi, neste ínterim, alguém passar fome em Cuba.Nunca vi algum desempregado, nem violência, nem pessoas tristes, nem mendigância. Não existem analfabetos na Ilha. Saúde e educação há 40 anos é de graça para todos. (…) Cuba era o quintal dos magnatas, gangsters, grandes empresários e burgueses norte-americanos, hoje a Ilha é soberana e livre de qualquer sociedade de consumo. (…) A juventude cubana vive, aflora e se desenvolve – não está sem rumo na vida…(…)”

Recebido em 6/7/99

A quem interessar possa!

Li todas as respostas sobre Fidel Castro. Gostaria de acrescentar o meu parecer sobre o presidente de Cuba, com bases em estudos e vivência – pude estar com eles algumas vezes.

Vivi na Ilha durante três anos entre 1989 até 1992 como estudante de pós-graduação em Antropologia e Estudos Socioeconômicos da América Latina, na Escola Internacional de Periodismo “José Martí”, e após o curso como tradutora e correspondente para o Brasil.

Seguinte: nunca vi, neste ínterim, alguém passar fome em Cuba. Nunca vi algum desempregado, nem violência, nem pessoas tristes, nem mendigância. Não existem analfabetos na Ilha. Saúde e educação há 40 anos é de graça para todos. As pessoas pagam apenas 10% do salário em aluguéis. Não há favelas – existem curtiços sim, mas todos vivem com dignidade e com direito ao médico da família.

Quanto à prostituição, existem leis que estão sendo rigorosamente cumpridas desde o dia 3 de janeiro deste ano (quando lá eu estava, por ocasião da festa dos 40 anos do triunfo da revolução cubana),quando foram anunciadas pelo presidente Fidel que: se uma menor de 17 anos for pega prostituindo-se será presa. Isso, portanto, acabou. Fala-se bem, fala-se mal de Fidel Castro aqui no Brasil, entretanto, quase não vemos matérias explicando o que era Cuba antes de 1959 e o que ele fez após a revolução pelo povo cubano. Afinal, é fácil entender: Cuba é o único país do terceiro mundo que tem a menor taxa de mortalidade infantil (7 em 1000 nascidos vivos), é o único país do terceiro mundo que não depende dos EUA economicamente. Unico país do terceiro mundo que não tem analfabetos. Unico país que cura o vitiligo. E assim por diante…

Não fosse o bloqueio imposto pelos EE.UU há quatro décadas, certamente, toda a humanidade estaria cobrindo o “Comandante” de elogios.

Falar mal de Fidel Castro é não entender, conhecer e não ler sobre Cuba. Se antes Cuba era o quintal dos magnatas, gangsters, grandes empresários e burgueses norte-americanos, hoje a Ilha é soberana e livre de qualquer sociedade de consumo. Está socialmente restaurada. É muito gratificante estar ou visitar um país onde as pessoas têm consciência, ideologia e senso de patriotismo. É muito gratificante poder ver uma juventude preparada para o próximo milênio, sem drogas, sem prostituição, sem “tiazinhas”, “xuxas”, “ratinhos”, “banheiras do Gugu” etc. É muito fratificante perceber que a juventude cubana tem noção de disciplina, futuro e vida. A juventude cubana vive, aflora e se desenvolve – não está sem rumo na vida…

É isso! Jornalista,

M. B. – editora do Jornal “R.”

* Resposta

Respondido em 7/7/99

Prezada M., Salve Maria!

Agradeço o seu educado e-mail, não muito comum aos defensores de Fidel Castro (pelo menos para os que nos escreveram…).

Você disse que leu nossa página de debates. Agora, convido-a a visitar a página onde estão os e-mails de dezenas e dezenas de cubanos que nos escreveram sobre a situação de Cuba, bem como o artigo de Armando Valladares, cubano exilado, onde fica muito clara a perseguição existente na ilha-prisão.

Recentemente, a própria agência “Fides” denunciou que continua a perseguição contra os católicos em Cuba.

A quantidade enorme de balseiros cubanos também deixa patente que eles estão ‘presos’ em um local onde não quereriam estar…

A saúde cubana, M., como você deve ter percebido, é exercida através de um “paramédico” de quarterão (fiscal de condutas)…

Querer colocar como culpado os EUAs pelo fracasso do regime econômico cubano é esquecer que Cuba continua comercializando com diversos países e sua crise econômica é conseqüência de uma crise que já levou a ex-URSS e grande parte dos países ex-comunistas à falência. Ou seja, é fruto de seu regime anti-natural.

Ademais, como negar que existam pessoas passando fome em Cuba? Como esquecer a violência perpetrada contra os opositores? O próprio Fidel, recentemente, radicalizou a lei contra os inimigos do regime…

Vou lhe enviar um e-mail de uma cubana, onde ela faz um desabafo sobre a situação de cuba antes e depois de Fidel Castro.

Todavia, concordo com suas críticas aos programs de televisão, de baixíssimo nível moral, que temos no Brasil. Eles fazem parte de uma nova vertente socialista, a chamada: Revolução Cultural.

Sem mais pelo momento, despeço-me

In Jesu et Maria,
Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto

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