Mentiras sobre a Igreja que são ensinadas na escola como verdades e as devidas respostas

0

Caríssimos, o texto aqui apresentado foi inicialmente feito para ajudar uma amiga que tinha certas dúvidas sobre a Igreja, após o que “aprendeu” da professora na escola numa aula de filosofia.

Este trabalho de apologética abre o campo de pesquisa para o leitor se aprofundar no assunto. Buscamos apenas responder as 3 questões que a professora resumiu e deu como certa para a classe da minha amiga.

Ocultaremos o nome da escola, da professora e da amiga por questões éticas, e também porque é irrelevante. As inverdades que serão rebatidas são apresentadas em diversos outros lugares porque está na crença popular, então muita gente crê fielmente nelas por serem repetidas a todo tempo por todo mundo, por isso a necessidade de publicar em nosso site as devidas respostas as 3 questões em particular. 


Mas, sem mais delongas, eis as “verdades” apresentadas em sala de aula:

  1. “Pessoas que não seguiam as leis da Igreja eram perseguidas e mortas, não tinham liberdade”; 
  2. “A Igreja reprimia a liberdade de expressão, não aceitavam opiniões diferentes, ‘faz isso ou vai pro inferno’. Período da escuridão (Igreja no Poder)”; 
  3. “Depois que a Igreja saiu do poder a sociedade começou a se desenvolver, ou seja, ela teve avanços”.

São acusações bem pesadas, e ridículas, mas de certo modo, fáceis de desmentir. São falas que também abrem o leque e envolvem diversas outras mentiras para apoiarem-na. Como havia dito, estas 3 questões são uma espécie de resumo. Após toda a aula a conclusão foi esta. Seguiremos respondendo expandindo o leque e abrangendo pontos importantes que devem ser esclarecidos para todos, católicos ou não, e as respostas seguem na ordem em que foram apresentadas as questões.

1 – “Pessoas que não seguiam as leis da Igreja eram perseguidas e mortas, não tinham liberdade”.

Afirmar categoricamente que a Igreja suprimia a liberdade de seus fies sem apresentar nenhuma prova palpável sobre isto é uma tolice sem precedentes, tirando o fato de que nenhuma prova poderia ser apresentada, pois este argumento é uma mentira histórica, dito popular que as pessoas nos forçam a crer depois de repetirem mil vezes.

É parte da fé da Igreja e de seu ensino doutrinário que o homem é livre para fazer o que bem entender, mesmo que a ação não convenha. A Igreja também ensina que cada ação dá frutos relativos nesta vida, ou na hora da morte. Mas cabe ao fiel optar por fazer o que é moralmente certo, ou o que é moralmente errado. A sua consciência irá acusa-lo de qual caminho escolher, tendo em vista que o ensino das partes já foi feito.

É essencial deixar claro também que o pensamento filosófico medieval, muito anterior as deturpações Iluministas, via a liberdade não como o liberalismo desregrado que quiseram passar os iluministas, mas como algo dependente de uma autoridade que legislasse a liberdade à luz da verdade. Porque a autoridade compilada a verdade é necessária para realização do bem comum. Como disse o Tomista Sidney Silveira:“sem autoridade, a liberdade transfigura-se em licenciosidade – e produz desordens sociais em progressão geométrica. Nesta concepção, a liberdade verdadeira só se pode lograr, quer individual, quer socialmente, onde há autoridade”. (Index Librorum Prohibitorum – A Edição de 1564, p.32-33. Editora Centro Dom Bosco, 2018, RJ.)É mister saber que a autoridade social medieval era, em partes, a Igreja, e com a Igreja o conceito de Deus e as regras do Evangelho, que configuram-se na Verdade necessária à manter a ordem. Então, entendidos de que liberdade não é, ou ao menos não era entendida assim pelo homem medieval,  licenciosidade para causar problemas sociais, continuemos.

Para dizer que a Igreja reprimia a voz do povo precisamos de um documento oficial da Igreja que ateste isso, uma Encíclica, no caso. Até que se apresente isso, o argumento não passará de uma lenda repetida, carente de fontes.

Como é clássico, algumas pessoas poderiam querer pegar os casos Galileu Galilei (1564-1642) e Giordano Bruno (1548-1600), mas estes dois casos não são casos de repressão da liberdade, por assim dizer. É interessante mencionar aqui também que fora estes dois nomes ninguém evoca algum outro nome como exemplo. Vamos usar de exemplo estes dois nomes porque a questão 1 geralmente é movida pela visão errônea que as pessoas tem do período da Inquisição. Mas vamos ver o que de fato aconteceu com Galileu e com Bruno, para entender como a Igreja enfrentava, e enfrenta, os problemas que se apresentam, e entender também um pouco de o que foi e como foi a inquisição. Apesar de a questão não colocar explicito o nome INQUISIÇÃO, é implícito ao que a mentira se refere. Afinal, você também não pensou nisso quando a leu?

Dizem que Galileu foi reprimido pela Igreja por ensinar o sistema de Copérnico, o Heliocentrismo, e não o Geocentrismo e mais estritamente o sistema de Tycho, que era o que a grande maioria aceitava como verdade. Está na mente de muitos que Galileu foi uma triste vitima da Inquisição e do autoritarismo da Igreja, e que ele foi censurado por trazer verdades cientificas que iam contra o que a Igreja dizia para controlar os fieis. Mas Galileu não foi perseguido pela Igreja, no sentido puro da palavra. Eis o que aconteceu com Galileu, nas palavras do historiador e PhD Thomas Woods:

“Galileu estava convencido de possuir a verdade, mas não tinha provas objetivas suficientes para convencer os homens de mente aberta. É uma completa injustiça afirmar, como fazem alguns historiadores, que ninguém ouvia os seus argumentos e que nunca teve uma oportunidade. Os astrônomos jesuítas tinham confirmado as suas descobertas e esperavam ansiosamente por provas ulteriores para poderem abandonar o sistema de Tycho e passarem a apoiar com segurança o copernicanismo. Muitos eclesiásticos influentes acreditavam que Galileu devia estar certo, mas tinham de esperar por mais provas.” Dr. Thomas Woods; Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, p. 67

Galileu não tinha provas cientificas concretas de que o Heliocetrismo era o modelo astronômico correto para explicar a posição do sol e da terra e os seus movimentos relativos, mas mesmo assim ele queria ensinar esse sistema como se fosse um fato cientifico, ou uma teoria consistente, ao invés de ser ensinado como Hipótese Científica, que era o que a Igreja recomendava (as pessoas falam que Galileu foi perseguido por ensinar o sistema de Copérnico, mas o engraçado é que o próprio padre Copérnico não sofreu nada em criar a sua hipótese que séculos depois foi dada como teoria e fato. Curioso, não é?). Mas Galileu foi ainda mais ousado, ele começou a sugerir novas interpretações bíblicas a luz do Heliocentrismo, querendo que a Igreja mudasse seu ensino sobre alguns pontos do mundo natural. Galileu não era Teólogo, e não tinha sustentação nas suas palavras (o sistema de Copérnico não tinha as provas irrefutáveis que hoje conhecemos), o que ele estava fazendo era um escândalo para os fieis leigos que não entendiam de Naturalismo e tampouco de Teologia. Ou seja, Galileu estava sendo um problema, mesmo sendo um cientista brilhante e de renome, muito respeitado pelo Papa Urbano VIII, que era seu amigo, diga-se de passagem. O que o Papa da época fez foi mandar Galileu para uma prisão domiciliar em sua casa, e mandou ele se retratar de suas ideias. Galileu não foi açoitado, ou algo do tipo. Galileu foi muito imprudente em suas palavras, não tinha provas para suas teorias, mesmo que elas fossem já debatidas nos meios acadêmicos por outros cientistas cristãos, como os padres Jesuítas. 

Galileu não foi obrigado a parar de ensinar ou estudar o sistema de Copérnico, o que ele deveria fazer era parar de ensina-lo como verdade absoluta e parar de sugerir reinterpretações bíblicas a partir dele. A Igreja tomou essa decisão por dois motivos:

1 – A teoria de Copérnico na época de Galileu era apenas uma hipótese científica, ou seja, era uma ideia que ainda necessitava de um maior número de evidências para ser universalmente aceita pelos cientistas como verdade e suceder o outro modelo vigente. Galileu não era o único a estuda-la, cientistas Jesuítas contemporâneos de Galileu também estudavam o copernicanismo e chegaram a confirmar com cálculos precisos algumas teorias dele;

2 – Galileu não era teólogo e nem clérigo, podia deter certo conhecimento teológico mas não tinha autoridade para pregar algo diferente da opinião da Igreja sobre o assunto em questão. Ele poderia, como católico, sugerir uma revisão e apresentar provas científicas para tal. Ele não fez isso e nem tinha todas as provas necessárias. Ao ensinar algo contrário a Igreja Galileu causava escândalo e dividia o povo, e o escândalo sempre foi condenável. Galileu não foi advertido simplesmente por ser cientista (se fosse isso os Jesuítas nem deveriam existir), mas por ser um causador de escândalo misturando hipóteses cientificas com argumentação teológica. Em outros termos podemos dizer que o sujeito era um tanto arrogante e não admitia ser contrariado.

“Como é evidente, não é inteiramente correto pintar Galileu como uma vítima inocente de preconceito e da ignorância do mundo”, disse o historiador Jerome Langford. “Parte da culpa dos acontecimentos subsequentes deve ser atribuída ao próprio Galileu, que recusou qualquer ressalva, e sem provas suficientes, fez derivar o debate para o terreno próprio dos teólogos.” Jerome Langford; Galileo, Science and the Church, pp. 68-69.

Okay, desmistificado um dos mitos mais famosos e utilizados para dizer que a Igreja reprimia o povo e o avanço científico. Mas para dar mais uma prova incontestável, nada melhor que as palavras de um contemporâneo de Galileu:

“Se houvesse uma verdadeira prova de que o Sol é o centro do universo, de que a Terra está no terceiro céu e de que o Sol não gira em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, então deveríamos agir com grande circunspecção ao explicar passagens da Escritura que parecem ensinar o contrário, e admitir que não as havíamos entendido, em vez de declarar como falsa uma opinião que se prova verdadeira. Mas eu mesmo não devo acreditar que existam tais provas enquanto não me sejam mostradas”.São Roberto Belarmino, bispo e Doutor da Igreja, falando sobre as considerações de Galileu. 

Séculos depois as provas foram apresentadas e a Igreja começou a ensinar o Heliocentrismo como uma verdade, e não mais como uma hipótese. Isso é história.

Agora, o outro caso mais famoso e polêmico é o do herege Giordano Bruno, que inclusive morreu queimado na fogueira.

São João Crisóstomo já no século IV dizia: “Matar um herege é introduzir na Terra um crime inexplicável”, São Bernardo de Claraval, ao ser informado da morte de hereges na cidade de Colônia em fogueiras, disse: “A fé é uma obra de persuasão, não se impõe!” Ele também afirmou que era absurdo criar “falsos mártires” daquela maneira. 

Giordano Bruno não era cientista e tampouco foi condenado por qualquer tese cientifica. O grande legado que atribuem a ele é uma teoria que afirma a existência de um número incontável de outros mundos habitados, que foi proposta pelo padre Nicolau de Cusa 109 anos antes do Nascimento de Giordano Bruno

A tese de que a terra não é o centro do universo e de que as esferas celestes não estão imóveis, mas sim em constante movimento foi dita por Nicolau de Cusa, e ainda antes dele, por Nicholas Oresme, bispo de Lisieux. E a Igreja jamais o censurou por isso. Dez anos após o Padre Nicolau de Cusa publicar o Docta ignorantia ele foi sagrado Cardeal, e também Nicholas Oresme jamais foi incomodado por estas ideias (por que Bruno morreu e Oresme e Nicolau de Cusa não, entenderemos mais a frente).

Bruno foi preso pela Inquisição em Veneza, condenado em 1600, acusado de:

  • Sustentar opiniões contrárias à Santa Sé e realizar discursos de oposição a ela e a seus ministros;
  • Sustentar opiniões erradas sobre a Santíssima Trindade, e a divindade de Cristo e a Encarnação;
  • Sustentar opiniões erradas sobre Cristo;
  • Sustentar opiniões erradas sobre a transubstanciação e a Santa Missa;
  • Afirmar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades;
  • Acreditar em metempsicose (possibilidade de a alma humana, ao reencarnar, migrar para animais, plantas ou minerais);
  • Praticar magia e adivinhação;
  • Não acreditar na virgindade de Maria.

Exceto a afirmação da pluralidade dos mundos (que também não é nada cientifica, e vale notar que o herege era apegado a práticas de magia e a usava em suas explicações pseudocientificas), todas as acusações são religiosas. A pluralidade dos mundos vai contra a Revelação do Gênesis de que o mundo foi criado em determinado momento do tempo. Mas dentre tantas heresias, não é certo pensar que ele foi morto por este simples fato.

Ou seja, Bruno, no fim, não foi mais que um herege, que nada tinha de um cientista genuíno, mas sim um pseudocientista e plagiador. Morreu, infelizmente, mas não por culpa da Igreja, pois o tribunal da Inquisição que o condenou a morte era regido pelo poder secular, e não pela Igreja.

A Igreja rejeitou as ideias de Bruno e ele vagou por diversos cantos por anos, foi rejeitado inclusive dentre os protestantes. Mas como a Inquisição não começou com a Igreja, não era só ela a responsável por assumir algum tribunal inquisidor. Bruno foi morto, um erro (na visão moderna), mas não um erro da Igreja. Isso se explica historicamente pelo fato de a Igreja administrar apenas punições leves e de cunho religioso para reparar o pecado do Herege e leva-lo a conversão e salvação da alma. O poder secular foi quem iniciou a pena de morte e era quem a administrava. 

Não foi a Igreja que inaugurou a repressão da heresia por meio da violência. Se a considerou em todos os tempos como um crime de “lesa-majestade” divina, nunca pediu a aplicação dessas penas severas que castigavam toda a lesa-majestade no direito imperial romano. No decurso dos três primeiros séculos, recorreu apenas à persuasão e às punições espirituais. Foram os imperadores cristãos, Constantino e seus sucessores, que, como “bispos do exterior”, castigavam com penas temporais – multas, prisão e flagelação – os rebeldes contra a verdadeira fé, maniqueus ou donatistas.O primeiro grande processo por heresia que terminou com uma execução capital, o do espanhol Prisciliano, provocou veementes protestos do papa Sirício, de Santo Ambrósio e de São Maninho de Tours.

Com Santo Agostinho, a perspectiva mudou um pouco: partidário resoluto dos métodos de tolerância para com os hereges, sobretudo maniqueus, compreendeu que a heresia constituía um atentado fundamental contra a sociedade cristã e que esta devia defender-se. Desejava que ela o fizesse com moderação, mas admitia que se aplicasse a pena de morte em caso de perigo social evidente. […] Daniel-Rops; “A Igreja das Catedrais e das Cruzadas”, 1998, p. 605.

Quando se fala em “perigo social evidente” deve-se entender o período histórico para não cairmos em anacronismo. A Heresia era considerada em toda Idade Média como crime capital, isso porque a Heresia era uma fé divergente da fé do povo, mas principalmente porque divergia da fé da Igreja, e a fé da Igreja era a fé do Rei/Imperador ou Senhor Feudal da região.

Então a heresia de certa forma desafiava o poder secular, causava escândalos no povo e abalava as estruturas sociais, como foi o caso da heresia de Ário (Arianismo) e a heresia dualística de Maniqueu (Maniqueísmo) que por volta do ano 1100 teve uma nova e agressiva vertente que ficou conhecida como Catarismo, heresia esta que era extremamente um perigo social por fomentar o homicídio, o suicídio e infanticídio, ao pregar que o mundo material era obra de Satanás (um deus do mau), e que precisávamos nos livrar de nossos corpos e voltar ao plano material criado pelo deus do bem.

A Inquisição tratou bem dos Cátaros e salvou diversos lugares da influência perversa e insana deles. Creio que ninguém em sã consciência irá reclamar de uma autoridade que se levanta contra um grupo que prega homicídio, suicídio e mata mulheres grávidas em nome de um ideal religioso insano.
Santo Tomás de Aquino nos mostra como era o pensamento de sua época (séc. XIII): “É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar o dinheiro, que serve à vida temporal. Ora, se os falsificadores de moeda ou outros malfeitores logo são justamente condenados à morte pelos príncipes seculares, com maior razão os heréticos desde que sejam convencidos de heresia, podem não só ser excomungados, mas justamente serem condenados à morte’’. (Cf. Suma Teológica V, p. 183, questão 11: a heresia, artigo 3).

Contudo, cabia ao Estado aplicar a pena e não à Igreja, como dizia o próprio Tomás de Aquino: “Não convém, pois, aos clérigos matar ou derramar sangue, e sim estar prontos a derramar seu próprio sangue por Cristo, para imitar por obras o que realizam por seu ministério”. (Cf. Suma Teológica V, p. 521, questão 40: a guerra, artigo 2). E a pena capital era somente para quando não haviam meios de combater a heresia que apresentasse risco social, como sugeria Santo Agostinho no séc. IV.

Os ocorridos com Galileu e Bruno não são eventos frutos do enunciado da questão 1, não era um problema você não seguir uma lei da Igreja, o catolicismo nunca foi algo imposto, como ocorre nas terras Islâmicas em que desobedecer a Sharia pode ser motivo de morte ou penas severas, como perder um membro do corpo, estes foram repreendidos por serem causadores de escândalo e divisão no povo, e por atentarem contra as autoridades locais (por isso Bruno foi morto, e os criadores de algumas das ideias que ele defendia, não. Porque o problema não era somente a ideia, era o escândalo e a desordem causados em nome dela). 

Galileu sofreu uma pena leve, ficar trancado em casa e se retratar (não de sua ciência, mas de sua teologia), e Bruno foi ignorado pela Igreja e até pelos Protestantes até ser pego pelo Estado por causar os mesmos escândalos.

Durante todos os séculos houveram pessoas que discordavam da Igreja e não seguiam suas leis, isso é óbvio de se admitir, mas contanto que essas pessoas não atentassem contra a ordem social, não fossem um perigo social evidente, como os Cátaros, não havia necessidade de perturba-las. A liberdade vai até onde você não interfere na ordem moral e social, a partir dai você não é livre para ser um incômodo, para resumir. E isso é uma coisa que todos nós sabemos. Há limites em tudo, caso não houvesse seriamos todos criaturas bestiais sem moral. E Galileu, e principalmente Bruno, ultrapassaram os limites da época. Negar o momento histórico e julgar o povo medieval com a moral atual embebida em iluminismo e liberalismo é Anacronismo, e como brincou um historiador amigo meu, o primeiro mandamento do historiador é: “Não cometerás anacronismo”. 
OK!

Que acontece então com aquelas imagens de cenas de tortura e os supostos equipamentos usados pelos inquisidores? Propaganda difamatória protestante para abalar os reinados católicos. A famosa Lenda Negra. Ao escrever no google “inquisição” e clicar nas imagens você logo verá inúmeras cenas de tortura, inúmeros equipamentos e coisas horripilantes. Tudo fantasia e difamação.

O proceder do Tribunal da Inquisição era o seguinte, conforme o Dictionnaire de Théologie Catholique mencionado na obra “A Inquisição”, da Vozes em Defesa da Fé:

1. O procedimento começava por um manifesto ou pregação que convidava os culpados de heresia a comparecer espontaneamente, e dos mais exigia a denúncia dos criminosos.2. Determinava-se um “Tempo de Graça” de 15 a 30 dias. Quem se apresentava durante este prazo, prometendo emenda, só recebia penitência leve.
3. Os suspeitos ou denunciados eram citados diante do tribunal.
4. Procedia-se ao interrogatório dos acusados.
5. Ouviam-se os acusadores e testemunhas. Segundo antiga lei, era sujeito a castigo quem não conseguia provar sua acusação. Esta prudente cautela, já usada pelo direito romano, dificultava tanto o procedimento que foi ab-rogada, medida infeliz, embora inteligível pelas circunstâncias particulares do tribunal da fé: a natureza da acusação era tal que frequentes vezes ela se apoiava em indícios e não em provas. Contudo o regulamento exigia dos inquisidores de não se fiarem senão em pessoas honradas e discretas. Um falso acusador era tratado com o mesmo rigor como os hereges.
6. Quando a obstinação do réu o exigia, seguia a “vexação”, constituída por prisão preventiva e dura. Quando finalmente esta não surtia efeito, podia-se usar a tortura […].
7. Sentença e auto-de-fé. Para garantir sentença justa, os inquisidores não podiam decretar penas graves – como prisão perpétua ou relaxamento ao braço secular – sem a presença ·e cooperação do bispo local. Mais tarde, Bonifácio VIII (1294-1303) exigiu o concurso do bispo para todas as sentenças. Os denunciantes não eram manifestados aos acusados para evitar represálias. Mas os nomes deviam ser comunicado aos expertos (assessores) que em número de 25, 32, 45 ou até 51, formavam o “júri” do tribunal, e deviam ser ouvidos. Esta praxe distinguia favoravelmente a Inquisição de todos os outros tribunais. 
Aos réus convictos mas penitentes o tribunal infligia penitências moderadas.
Depois de o tribunal ter concluído certo número de processos procedia-se a um ato público e solene, em que se promulgavam as sentenças, os convictos arrependidos pronunciavam sua abjuração, e os impenitentes eram entregues, “relaxamos”, ao braço secular. Estas solenidades eram os célebres autos-de-fé, celebrados com a finalidade de restaurar a pureza da fé, deturpada pelas heresias, reconciliar os errantes, intimidar hereges ocultos e fortalecer cristãos vacilantes.Sobre a tortura, para não entrarmos em longas explicações históricas, sabemos que a tortura era comum no Império Romano e foi abolida pela Igreja. Voltou a fazer parte dos tribunais séculos depois e entrou no Tribunal do Santo Ofício 30 anos depois dele começar, por pressão externa à Igreja. A Igreja a legitimou com o Papa Inocêncio IV, para ser aplicada aos hereges, além dos ladrões e assassinos. Vale ressaltar aqui que a heresia era crime pior para a época que o roubo e o homicídio, porque nas palavras do papa, o herege era “assassino de almas e ladrão de Sacramentos de Deus” (cuidado com o anacronismo, estamos falando do séc. XIII!).
Mas a justiça eclesiástica era também diferenciada da civil nesta questão, pois agia com maior prudência e moderação. A tortura, como decretou o papa, só poderia ser usada após esgotados todos os meios de descobrir a verdade, e só quando houvesse motivos fortes para saber que o herege a estava escondendo; não deveria levar a perda de nenhum membro e muito menos representar perigo de morte para o herege; não deveria exceder o tempo de 30 minutos e só deveria ser aplicada uma única vez. Vale dizer também que os inquisidores eram preparados e exigiam-se deles virtudes e qualidades morais, tanto é que entre inquisidores temos também santos. 
Mais tarde o papa Clemente V com a bula “Multorum querela” colocou diversas condições severas para aplicação da tortura, o que dificultou a sua aplicação e causou desconforto nos inquisidores que ficaram sem medidas para aplicarem-na, recorrendo até mesmo a pedir a revogação da bula, coisa que não ocorreu. Então ver imagens como a abaixo e dizer que assim era a inquisição é ridículo.

Isso nunca aconteceu. Abusos e desobediência aos decretos papais é fato que ocorreram, mas não foi culpa da Igreja e tampouco foi como a imagem. Vale ressaltar que a tortura não era mal vista pela maioria da civilização, apesar de ser sempre algo que a Igreja reprovava, mas que teve de permitir pelas circunstâncias. Sobre as fogueiras recomendamos a leitura da obra citada acima, pois ela explica a questão ponto por ponto. Este tipo de pintura sobre a inquisição é parte de uma campanha de calúnia criada por protestantes e inimigos de reis espanhóis, uma tática de colocar a opinião pública contra a Espanha e seus Reis.

Os exemplos aqui apresentados elucidam quando, como e por quê a Igreja levanta sua voz sobre determinada coisa e toma decisões relativas. Também aproveitamos para usar a questão 1 para responder diversos mitos relativos ao contexto que ela sugere.

2 – “A Igreja reprimia a liberdade de expressão, não aceitavam opiniões diferentes, ‘faz isso ou vai pro inferno’. Período da escuridão (Igreja no Poder)”.

A segunda questão traz dois pontos que devem ser rebatidos: diz que a Igreja reprimia a liberdade de expressão, então isso sugere que havia certa estagnação intelectual no período que a Igreja estava mais influente na sociedade. Isso é mostrado no fim da afirmação que diz que era um “período de escuridão” enquanto a Igreja “estava no poder”.

É realmente cômico, para não dizer trágico, ler uma afirmação tão estupidamente burra. A mesma afirmação ainda diz que a Igreja não aceitava opiniões diferentes. A afirmação não vem explicado os pormenores do que seria “opiniões diferentes”, então para responde-la teremos de imaginar o que seriam estas opiniões diferentes, porque opinião não necessariamente deve ser aceita, o que deve-se aceitar é a liberdade de alguém dizer sua opinião, mas se o sujeito opina que 2+2 são 5 e não 4 a sua opinião é extremamente sem valor e não deve ser aceita por nenhuma pessoa racional. 

Para provar que a Igreja não tirava a liberdade do povo leigo ou dos clérigos e que não houve nenhum período de escuridão basta olhar a lista de invenções de cientistas católicos, muitos deles padres ou bispos, inclusive alguns sagrados santos. Poderia listar aqui uns 200 nomes e suas contribuições, mas iria estender demais o texto. Apenas a título de exemplo é bom citar alguns nomes importantes, e em especial nomes de clérigos por estes estarem consideravelmente mais próximos das autoridades da Igreja e mais fáceis de serem pegos na Inquisição, caso ela fosse de fato um instrumento de repressão da liberdade, como sugere a opinião popular. Nas ciências temos nomes como:

Padre Nicolau Steno, um luterano converso que se tornou sacerdote católico e é considerado o pai da geologia; padre jesuíta Athanasius Kircher, pai da egiptologia; padre jesuíta Rogério Boscovich, considerado frequentemente o pai da teoria atômica moderna; Padre Giambattista Riccioli, a primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre; padre e cônego Nicolau Copérnico, criador do Heliocentrismo; monge agostiniano Gregor Mendel, pai da Genética; bispo e santo Alberto Magno (foi professor de Tomás de Aquino); padre franciscano Roger Bacon, criador do Método Científico; padre Pierre Gassendi, astrônomo e matemático; padre mínimo Marin Mersenne; abade da Cattedrale San Niccolo di Messina, Francesco Maria Grimaldi, matemático e astrônomo; padre Nicole Oresme, seu currículo é extenso como matemático, filósofo, biólogo, físico e etc ; padre Jean Buridan, criador da Teoria do ímpeto, pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e a inércia de Newton; bispo Robert Grosseteste, mestre de Roger Baccon; padre jesuíta Christopher Clavius; frade franciscano William de Ockham, que dispensa comentários, Escolástico formidável. E a lista seguiria por extensas linhas.

Raciocinemos um pouco: vimos agora 16 nomes de padres e bispos que foram exímios cientistas medievais, e nenhum deles, incluindo Copérnico, foi perseguido, torturado, censurado e muito menos morto pela Igreja, ou pela Inquisição. Mas exatamente ao contrário: foram extremamente elogiados e apoiados, temos até um Santo que é Doutor da Igreja: Alberto Magno. Onde está a afirmação de que as pessoas não tinham liberdade? Estes tinham uma liberdade imensa! Onde está a afirmação de que quem não seguia as leis da Igreja era perseguido e morto? Ficou claro na resposta a questão 1 de que a Inquisição tratava de hereges que eram um perigo a ordem pública e causavam problemas maiores nas cidades.

Vamos ver também avanços na Economia, no Direito Internacional, obras de Caridade, Literatura preservada e produção literária (vide aqui o Imperador Carlos Magno e toda a Renascença Carolíngia, um período de ouro da Idade Média, graças a Igreja). E tantas outras coisas que dada a gama de evidências contrárias à afirmação inicial que gerou este discurso, a de que “a Igreja reprimia a liberdade de expressão e não aceitava opiniões diferentes”, torna-se cômico lê-la novamente. Todas estas questões e outras mais foram apresentadas de forma belíssima no livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, do historiador Thomas Woods, já citado aqui (falaremos mais um pouco disso na resposta da questão 3).
Ainda nem entrei aqui no fato de que a Igreja Católica criou as universidades, o campo mais fértil durante a Idade Média para o surgimento de mentes brilhantes e críticas, uma vez que os debates eram altamente inspirados nas universidades, todos como via de regra o uso da razão em questões filosóficas, teológicas e científicas. As universidades foram uma revolução no ensino e aprendizado de todo o povo. Apenas para exemplificar a emoção dos debates nas Universidades:

“Se muitos se deixarem contagiar por essa aspiração, criar-se-á na França uma nova Atenas, uma Atenas mais refinada que a antiga, porque, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará toda a sabedoria da Academia. Os antigos tiveram por mestres apenas as disciplinas de Platão, que, inspiradas nas sete artes liberais, ainda brilham com esplendor: mas os nossos estarão dotados também dos sete dons do Espirito Santo e superarão em brilho toda a dignidade da sabedoria secular”. Alcuíno de Iorque, monge. Philips Wolf, The Awakening of Europe, p. 77.

É claro que a intelectualidade medieval e o uso da razão atrelado a fé em especifico não surgiu do nada, de repente, nas universidades. Isto é uma herança católica muito antiga, uma herança Patrística. São Clemente de Alexandria e outros Patrísticos consideravam o uso da razão, bebiam de fontes gregas como os filósofos Platão e Aristóteles. 

“Não penseis que dizemos que estas coisas devem ser recebidas apenas pela fé, mas que também devem ser provadas pela razão. Não é seguro aceitar estas como baseadas apenas na fé, pois certamente não existe a verdade sem a razão.” São Clemente de Alexandria, séc. II-III. 

Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja Católica.
Vamos fechar este ponto com as falas do Dr. Thomas Woods:
“A universidade foi um fenômeno completamente novo na história da Europa. Nada de parecido existira na Grécia ou na Roma antigas. A instituição que conhecemos atualmente, com as suas Faculdades, cursos, exames e títulos, assim como a distinção entre estudos secundários e superiores, chegaram-nos diretamente do mundo medieval. A Igreja desenvolveu o sistema universitário porque, com palavras do historiador Lowrie Daly, era ‘a única instituição da Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber’”. Dr. Thomas Woods; Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, p. 46.
Os padres da Igreja, além de serem os primeiros professores universitários, não faziam apenas ensinar e criar métodos de ensino e estudo, eles inspiravam seus alunos, instigavam eles a buscar conhecimento e mostravam a importância do saber, a verdadeira importância que era aplicar seu conhecimento na vida pública e na vida particular, buscando o crescimento moral, intelectual e sobretudo espiritual. São Bernardo de Claraval exprime isso com os dizeres: “Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade.” São Bernardo de Claraval, séc. XI-XII. Doutor da Igreja.

Como alguém em sã consciência pode chamar este período de escuridão? Em escuridão está a mente de quem afirma esta mentira! E eu gostaria de ver as bases para afirmar que a Igreja ameaçava as pessoas com o inferno para que elas fizessem algo. Essa tática para conversão é usada pelos Muçulmanos e pelos Protestantes (para isso bastar dar uma passada em suas organizações religiosas e ouvir o discurso!). A Igreja para persuadir alguém à fé e à moral sempre usava a razão e as verdades reveladas. A conversão deve ser obra fomentada pelo amor, não pelo medo. Esta afirmação é pura falácia, não há respaldo histórico. A Doutrina Católica não é ameaçadora. O Inferno existe, mas Satanás não é o nome usado quando se quer obter fieis ou obter a fidelidade dos fieis. Para isso o nome é Cristo! Reformulando a frase poderíamos dizer que o lema da Igreja é: “faz isso e você irá agradar ao criador que te criou por amor e estará mais próximo de amar e ser amado pelo Amor durante toda a eternidade, como o Ele nos prometeu, além desta prática ser a melhor para preservar a sua integridade de ser humano e lhe fazer crescer no propósito para o qual foi criado: amar e ser amado por Deus”.

3 – “Depois que a Igreja saiu do poder a sociedade começou a se desenvolver, ou seja, ela teve avanços”.

Podemos resumir esta ultima fala em: “Quando a Igreja perde o poder o homem se moderniza”. Mas vamos lá!

Engraçado falar que a Igreja tinha “poder”, porque a frase toda é sempre dita em tom pejorativo, como se o poder fosse algo ruim, ou como se ele fosse mal administrado. Mas, fato aqui é que a Igreja só tinha (e só tem) poder sobre seus fiéis, ela só manda onde é dela. E o poder que a Igreja detinha sobre seu monopólio era, volta e meia, usurpado pelos Reis, como no caso do Papa São Gregório VII (1020/1025 – 1085) e o Rei Henrique IV (1050-1106), que depôs o Papa de seu cargo (algo anti-canônico). Igualmente o Rei Henrique VIII (1491-1547) rompeu sua relação com a Igreja quando o Papa Clemente VII (1478-1534) se recusou a anular seu casamento para que ele pudesse se casar com outra mulher. Henrique VIII criou assim a Igreja Anglicana em meados de 1534, inspirado nas ideias de Lutero.

O imperialismo eclesiástico ocidental e oriental é realizado só e sempre com distinção de poderes. Sempre foi relativo e nunca absolutista. Até no período de maior sucesso a soberania da Igreja e do papado foi sempre fundamentalmente espiritual e desarmado, usando a força somente em casos excepcionais, como nas cruzadas, combatendo os muçulmanos, sem passar dos limites (salvo raras ocasiões em que, por diversos motivos, alguns cruzados desviaram-se do ideal da batalha). O momento de maior glória da cristandade também foi o de sua máxima fraqueza.

O poder da Igreja era o um “Agostinismo politico” (termo criado por Henri-Xavier Arquillière) desde a era da coroação de Carlos Magno, o que foi uma retomada do ideal de uma cristandade liderada pelo papa (como autoridade espiritual) e administrada pelo imperador (como poder material), como sugeriu Santo Agostinho em sua obra “Cidade de Deus”. Aqui vemos claramente que a Igreja tinha um poder especifico e o Imperador tinha outro: a Igreja era responsável por tudo aquilo que era voltado as realidades espirituais e o Rei tinha autoridade sobre as realidades mundanas. Mas volta e meia o Imperador ousava oprimir o poder da Igreja. Afinal, quem poderia se opor ao Rei? Bom, a Igreja se opunha, quando o Rei queria subir alto demais, como no caso de Gregório VII e Henrique IV.
Esse sistema não se tratava nem de teocracia e nem de cesaropapismo. A doutrina política da relação entre papado e império previa uma colaboração entre as duas instituições.

Muitos conflitos de poderes ocorreram nesse período, mas o que é certo dizer é que não podemos jamais afirmar que a Igreja detinha um poder absolutista e opressor sobre o povo, como se só ela existisse durante a Idade Média. Dizer isso frente aos fatos é uma desonestidade intelectual. Sem os fatos apresentados é apenas ignorância. Voltemos ao caso da Inquisição em que ambos os poderes, Igreja e Estado, administravam Tribunais distintos e com mecanismos e fins distintos: o tribunal eclesiástico tinha por fim salvar a alma e o tribunal civil tinha por fim manter a ordem pública e punir a pessoa sem se importar em lucrar algo de espiritual com isso. 

Nem é necessário repetir que o homem se moderniza desde sempre, desde antes da era moderna, desde antes do Iluminismo ou da Revolução Francesa. O uso da Razão na vida das pessoas já era comum nas universidades Católicas, Santo Tomás de Aquino é o mais proeminente exemplo disto, mas não é o único Escolástico. Como vimos, a Igreja está repleta de cientistas, repletas de criações, desde seus monastérios às suas belíssimas Catedrais e Universidades. O que podemos dizer que o homem fez quando resolveu abster-se da Igreja foi revoltar-se contra Deus! Eis aí um período da criação de ideias desestruturadas como o Comunismo de Karl Marx, ou a sangrenta Revolução Francesa, a revolta de Nietzsche, a loucura de Hitler e outros exemplos.

E ainda mais é tolo dizer que o homem se moderniza apenas no fim da Idade Média para a era moderna, pois isso joga fora toda a Paideia Grega, a educação Heroico-Patricia Romana, a Patrística e a Escolástica da Igreja na era Medieval, ou a Paideia Cristã; isso apaga milênios de história. É um argumento ilógico em todos os pontos, algo que qualquer historiador, por mais anticatólico que seja, jamais pode fazer.

As universidades que já foram citadas aqui (resposta a questão 2) são máximo exemplo de uma Idade Média sempre em constante crescimento intelectual, sempre se modernizando. A renascença carolíngia também é exemplo belíssimo. Temos ainda mais a criação dos Hospitais e escolas Católicas, as magnificas Catedrais que são admiradas e estudadas sua arquitetura até hoje; a valorização artística expressa nas artes sacras (ou acaso a Capela Sistina nunca existiu?); a intelectualidade dos filósofos e cientistas medievais; a contribuição intelectual esmagadora da Patrística e da Escolástica e etc. 

Para ilustrar essa beleza em imagens:

Universidade de Oxford, uma das mais prestigiadas universidades do séc. XIII.
Basílica de São Marcos, Veneza (Itália) 1063-1617.
Catedral de Santa Maria da Sé, Sevilha (Espanha). Terceira maior Igreja do mundo e patrimônio mundial da UNESCO. 1401-1528.
Teto da Capela Sistina – Palácio Apostólico do Vaticano. 1473-1481

É argumento deveras infantil este que foi apresentado como questão 3, algo dito por quem, de fato, não sabia o que estava falando. Ou eu gostaria que alguém apresentasse um só argumento que corroborasse com essa ideia. Mas para fazer tal argumento a pessoa teria de apagar séculos de história. Teria de apagar obras de imenso valor como Cidade de Deus, De Magistro, De Trinitate de Santo Agostinho; Suma Teológica, de Santo Tomás de Aquino; Divina Comédia, de Dante Alighieri; De Veritate, Monológio, Proslógio de Santo Anselmo; Dialética, de Pedro Abelardo e excluir outros nomes como Boecio; Geoffrey Chaucer; Giovani Boccaccio; Paio Soares de Taveirós; Ambrósio; Hugo de São Vitor; Duns Scotus e fora os 16 apresentados na resposta a questão 2!

Se tudo isso não é desenvolvimento e avanços, nada mais é! Dentre todas as questões, esta é a mais ridícula.
Para não restar a menor dúvida, é conveniente fazer uma pequena listagem:

ECONOMIA:

Economia – Criada pelos Escolásticos. Professores que ensinavam principalmente em universidades espanholas, mais especificamente na Universidade de Salamanca, criaram a ciência Econômica moderna.

RAZÃO:

“O Sistema Universitário que a Igreja estimulou encorajava o debate rigoroso e a racionalidade era tido como o maior arbítrio para se decidir todas as questões a se debater”, Dr. Thomas Woods. Proeminentes exemplos no uso da razão eram os já citados Agostinho, Anselmo, Abelardo, Alberto Magno e Tomás de Aquino.

ASTRONOMIA:

“A Igreja Católica Romana deu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia por mais de 6 séculos, da recuperação do saber antigo durante a Baixa Idade Média ao Iluminismo, do que qualquer outra – e, provavelmente, todas as outras – instituições”. J.L Heilbron – University of California at Berkeley. Historiador da Ciência. The Sun in the Church: Cathedrals as Solar Observatories, Harvard University Press, Cambridge, 1999, p. 3.

DIREITO:


“O direito Canônico foi o primeiro sistema legal moderno a existir na Europa, demonstrando que era possível compilar um corpo de leis coerente a partir da barafunda de estatutos, tradições, costumes locais etc. que caracterizava tanto a Igreja como o Estado medievais. De acordo com Harold Berman, ‘a Igreja foi a primeira a ensinar ao homem ocidental o que é um sistema legal moderno. Foi a primeira a mostrar que costumes, estatutos, decisões judiciais e doutrinas conflitantes podem ser conciliados por meio da análise e síntese'”. Dr. Thomas Woods; Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, p. 9. Citando Harold J. Berman, The Interaction of Law and Religion. Abringdon Press, Nashvile, Tennesse, 1974, p. 59. Professor de Direito em Harvard, especialista em Direito Comparativo, internacional e soviético/russo, História Jurídica, Filosofia de Direito e interseção de lei e religião.
“Francisco de Vitória [séc. XV], um sacerdote e teólogo católico e professor universitário, quem mereceu o título de Pai do Direito Internacional. Em face dos maus-tratos infligidos pelos espanhóis aos indígenas do Novo Mundo, Vitória e outros filósofos e teólogos começaram a especular acerca dos direitos humanos fundamentais e de como deveriam ser as relações entre as nações. E foram esses pensadores que deram origem à ideia do direito internacional tal como hoje concebemos”. Dr. Thomas Woods; Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, p. 9.


ALGUMAS OUTRAS CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS MEDIEVAIS:


“A Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça.” Christopher Dawson, chamado de “o maior historiador Católico de Língua Inglesa do século XX”. Lecionou História da Cultura na Universidade de Exeter, Filosofia da Religião em Liverpool, Universidade de Edimburgo e Harvard.

35 crateras lunares tem o nome de Padres Jesuítas, que as identificaram e catalogaram.

1 entre cada 20 dos maiores matemáticos da história eram Jesuítas. Os Jesuítas ajudaram a fundar e se tornaram os maiores praticantes do estudo de terremotos – sismologia. Teoria Atômica, estudo do Antigo Egito, Física, com enormes contribuições dos Jesuítas.

“Os monges ensinaram as técnicas de metalurgia, introduziram novos plantios, copiaram textos antigos, preservaram a educação, foram pioneiros em tecnologia, inventaram o champanhe! Mudaram a paisagem europeia, acudiram aos viajantes, resgataram extraviados e náufragos. Quem mais na história da civilização ocidental pode ostentar um tal elenco de realizações?” Dr. Thomas Woods; Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, p. 44-45.

CONCLUSÃO:

Este trabalho não tem o objetivo de denegrir a imagem de ninguém, por isso omitimos nomes, tudo foi feito com o intuito de ensinar que as considerações apresentadas nas 3 questões estão inteiramente equivocadas. Colocadas de má fé ou por uma ignorância honesta, são dizeres pesados demais e que não devem ser deixados de lado, pois além de serem falsos podem afastar as pessoas do verdadeiro caminho para chegar ao Cristo: a Igreja Católica.

Vimos que a Igreja não perseguia e matava as pessoas simplesmente por discordarem dela; que as pessoas tinham liberdade (com limites civis igual a nossa liberdade moderna). Também vimos que a Igreja não tinha problemas com opiniões diferentes, a não ser que as opiniões não fossem meras opiniões mas sim um ato de perturbação da ordem, ou algo realmente criminoso como os Cátaros e Albigenses; que a Igreja nunca usou de ameaças com o inferno para “controlar” o povo (a Igreja nunca usou nada porque controlar nunca foi seu ideal). Também ficou claro que não foi nenhum período de escuridão a Idade Média e que a Igreja tinha um poder relativo ao seu campo e não absolutista e opressor. E por fim, vimos que após a Igreja perder parte da sua influência na modernidade isso não culminou numa elevação da humanidade que havia passado mil anos na obscuridade, porque o período anterior não foi obscuro, foi de enorme desenvolvimento intelectual e progresso em diversas áreas do conhecimento, com brilhantes nomes e feitos para provar. O mito Iluminista de “Idade das Trevas” é sustentado em areia. 

Fontes e recomendações para aprofundamento:

Livros:

  1. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental; Thomas E. Woods Jr. 
  2. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas; Daniel-Rops.
  3. A Inquisição (caderno 33); Vozes em defesa da fé.
  4. Sete mentiras sobre a Igreja Católica; Diane Moczar.
  5. Guia politicamente incorreto do Islã (e das cruzadas); Robert Spencer.
  6. As grandes mentiras sobre a Igreja Católica; Alexandre Varela e Viviane Varela.
  7. Index Librorum Prohibitorum; Papa Paulo IV (edição Centro Dom Bosco, 2018).

Documentário:

  1. O mito da Inquisição Espanhola; BBC. link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=1v_KlCNpzYA&t=163s

Série/Documentário:

  1. Igreja Católica: construtora da civlização; Eternal Word Television Network, apresentado por Dr. Thomas E. Woods. link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Blj8AfUzgsg&list=PL6NFCzHi1sfI8a-wo_UVjY4okQkpwIexs

Ad majorem Dei gloriam!

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.