Maomé Renasce

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Itinerário percorrido entre a estagnação milenar muçulmana e a atual agressão contra o Ocidente, a partir da Primeira Guerra Mundial.

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Os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, bem como os fatos que se lhes seguiram,confirmam do modo mais eloqüente as numerosas previsões que há mais de 50 anos o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira fez a respeito do gravíssimo perigo que o islamismo viria a representar para o Ocidente. Elas constam de diversos artigos publicados em “O Legionário”, então semanário oficioso da Arquidiocese de São Paulo.

Nesse sentido, julgamos muito oportuno transcrever a seguir, quase na íntegra, o artigo Maomé renasce, publicado naquele órgão de imprensa em 15-6-1947. Os destaques em negrito são nossos.

Para analisar o renascimento muçulmano e a inércia do Ocidente frente a ele o Prof. Plinio exemplifica, no início do artigo, com a misteriosa conduta adotada pelos romanos em face da invasão dos bárbaros. E passa em seguida a descrever o estado de espírito estagnado do maometanismo e o caminho percorrido até a renovação do mundo muçulmano.

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A estagnação no mundo islâmico

Lembremos rapidamente alguns dados gerais do problema. […] A zona de influência do Islã é imensa de todos os pontos de vista: território, população, riquezas naturais. Mas até algum tempo atrás, certos fatores inutilizavam de modo quase completo todo esse poderio. O vínculo que poderia unir os maometanos de todo o mundo seria, evidentemente, a religião do `Profeta’. Mas esta se apresentava dividida, fraca e totalmente desprovida de homens notáveis na esfera do pensamento, do mando ou da ação. O maometanismo vegetava, e isto parecia bastar perfeitamente ao zelo dos altos dignitários do Islã. O mesmo gosto pela estagnação e pela vida meramente vegetativa era um mal de que também estava atingida a vida econômica e política dos povos maometanos da Ásia e da África. […]

As nações maometanas fechavam-se cada qual sobre si mesma, indiferentes a tudo que não fosse o deleite tranqüilo e miúdo da vida quotidiana. Assim, vivia cada qual em um mundo próprio, [cada nação] diversificada das outras por suas tradições históricas profundamente diversas, separadas todas por sua recíproca indiferença, incapazes de compreender, desejar e realizar uma obra comum.

O aproveitamento de suas riquezas era impossível

Neste quadro religioso e político tão deprimido, o aproveitamento das riquezas naturais do mundo maometano — riquezas que, consideradas em seu conjunto, constituem um dos maiores potenciais do globo — era manifestamente impossível. Tudo, pois, não era senão ruína, desagregação e torpor.

Arrastava assim os seus dias o Oriente, enquanto o Ocidente chegava ao zênite de sua prosperidade. Desde a era vitoriana, uma atmosfera de juventude, de entusiasmo e de esperança soprava pela Europa e pela América. Os progressos da ciência haviam renovado os aspectos materiais da vida ocidental. As promessas da Revolução encontravam crédito, e nos últimos anos do século XIX havia quem esperasse o século XX como a era de ouro da humanidade.

É claro que um ocidental colocado neste ambiente se capacitava a fundo da inércia e da impotência do Oriente. Falar-lhe na possibilidade daressurreição do mundo maometano lhe pareceria algo de tão irrealizável e anacrônico quanto o retorno aos trajes, aos métodos de guerra e ao mapa político da Idade Média.

Desta ilusão, vivemos ainda hoje. E como os romanos — fiados no Mediterrâneo que os separava do mundo islâmico — não percebemos que fenômenos novos e extremamente graves se passam nas terras do Corão.

O mundo muçulmano desperta após a Primeira Guerra

É difícil abranger em uma descrição sintética fenômenos tão vastos e ricos como este. Mas, de um modo muito geral, pode-se dizer que, depois da Primeira Grande Guerra, todo o Oriente — e entendemos esta expressão num sentido muito lato — começou a passar por um fenômeno de reação anti-européia muito pronunciado. Esta reação comportava dois aspectos algum tanto contraditórios, mas ambos muito perigosos para o Ocidente.

De um lado, as nações orientais começavam a sofrer com impaciência o jugo econômico e militar do Ocidente, manifestando uma aspiração cada vez mais pronunciada pela soberania plena, pela formação de um potencial econômico independente e de grandes exércitos próprios. Esta aspiração comportava, é claro, uma certa `ocidentalização’, ou seja, a adaptação à Ásia, etc., da técnica militar, industrial e agrícola moderna, do sistema financeiro e bancário euro-americano.

O ódio ao Ocidente

De outro lado, porém, este surto patriótico provocava um `renouveau‘ de entusiasmo pelas tradições nacionais, costumes nacionais, culto nacional, história nacional. É supérfluo acrescentar que o espetáculo degradante da corrupção e das divisões, a que estava exposto o mundo ocidental, concorria para estimular o ódio ao Ocidente. De onde a formação, em todo o Oriente, de novo interesse pelos velhos ídolos, de um `neopaganismo’ mil vezes mais combativo, resoluto e dinâmico do que o paganismo antigo. […]

Todas estas nações, …. ao mesmo tempo mostram-se ufanas de suas riquezas naturais, de suas possibilidades políticas e militares e do progresso financeiro que estão alcançando. Dia a dia elas se enriquecem. […] Nas suas arcas, o ouro se vai acumulando. Ouro significa possibilidade de comprar armamentos. E armamentos significam prestígio mundial.

Fim do sono milenar

Tudo isto transformou o mundo islâmico e determinou em todos os povos maometanos, da Índia ao Marrocos, um estremecimento que significa que o sono milenar acabou. O Paquistão, o Irã, o Iraque, a Turquia, o Egito são os pontos altos do movimento de ressurreição islâmica. Mas na Argélia, no Marrocos, na Tripolitânia, na Tunísia, a agitação também vai intensa. O nervo vital do islamismo revive em todos esses povos, fazendo renascer neles o senso da unidade, a noção dos interesses comuns, a preocupação da solidariedade e o gosto pela vitória.

Nada disto ficou no ar. A Liga Árabe, uma confederação vastíssima de povos muçulmanos, une hoje todo o mundo maometano. É, às avessas, o que foi na Idade Média a Cristandade. A Liga Árabe age como um vasto bloco, perante as nações não árabes, e fomenta por todo o norte da Áfricaa insurreição. […]

Será preciso ter muito talento, muita perspicácia, informações excepcionalmente boas, para perceber o que significa este perigo?

O alerta não foi atendido

Termina aqui a transcrição.

Foram inúmeros os artigos que, desde os anos 30 — quando o renascimento muçulmano parecia uma quimera — o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu advertindo para o perigo que representaria para a Igreja e a Cristandade a ressurreição do islamismo. Advertências estas feitas através das páginas de “O Legionário”, e que constituíam, em seu conjunto, um impressionante brado profético dirigido aos líderes espirituais e temporais do Ocidente, para que tomassem as medidas necessárias.

Entretanto, ao invés de alertar os católicos, mobilizá-los em face da ameaça muçulmana — como o fizeram São Pio V em 1571 e o Bem-aventurado Inocêncio XI em 1683 — e apontar os funestos males que a expansão do Islã acarretaria para a Igreja e para os fiéis, optou-se por uma atitude capitulacionista e dialogante com os sequazes de Maomé. A conseqüência não podia ser outra senão a radicalização destes e a penetração do relativismo entre os católicos.

Analogamente, os líderes temporais do Ocidente, de concessão em concessão, conduziram a política internacional de modo a favorecer em toda a medida do possível, especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, a formação do imenso bloco pan-maometano.

Das conseqüências dos entreguismos espirituais e temporais, todo o mundo contemporâneo está sendo vítima nestes conturbados dias em que vivemos.

Artigo oferecido pela Revista Catolicismo.

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