Boletim Lepanto – Número 6

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Boletim da Frente Universitária Lepanto – Desarmamento, Revolução Cultural, Verdadeira Santidade, Pobres e Ricos, etc.

Novembro/Dezembro de 2000

Editorial
No limiar entre o sonho e a “Revolução Cultural”

A História é, na alma dos homens e dos povos, um movimento pendular entre o sono e o sonho. Durante anos, por exemplo, o sonho das grandes navegações inspirou homens a descobrir novos continentes, lançando-os contra os perigos do mar e as sombras do desconhecido.

Sonhos que temperaram a identidade de cada nação, formando uma misteriosa harmonia de ideais, desejos e aspirações.

Lutando na guerra ou edificando na paz, cada povo criou seus heróis e formou sua História.

Do sonho de uma Europa unida sobre a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu a Cristandade medieval. Época tão combatida e tão pouco conhecida de nossa História, ocidental e cristã. Uma História que se iniciou no Calvário e se expandiu pelo mundo, convertendo povos e fundando as nações católicas. Era o triunfo da Cruz sobre o paganismo, da civilização sobre a barbárie.

Era um sonho que se tornava realidade, unindo todos os povos em um mesmo ideal, em uma mesma Fé.

Todavia, os homens foram deixando esse sonho como um filho abandona a casa paterna em busca de sua auto-suficiência. A essa transformação se deu o nome de “antropocentrismo”.

Como disse uma vez o saudoso líder católico, Prof. Plínio Corrêa de Oliveira: “Os sonhos e as aspirações são a força motriz da História. Modificando-se a engrenagem das aspirações, modifica-se o curso da História.”

Fazia-se, silenciosamente e através de um movimento cultural aparentemente neutro, a maior mudança que se poderia produzir nas aspirações dos homens. Já não é mais Deus o centro, mas o próprio homem…

Essa transformação não foi imediata, mas produz suas conseqüências ainda em nossos dias. Com efeito, o auto-intitulado movimento “Nova Era” nada mais é do que a realização mística desse “sonho” antropocêntrico.

Assistimos a uma autêntica Revolução Cultural no Ocidente Cristão, onde o caos, a anarquia, o imediatismo pós-moderno, tudo parece avançar sobre as ruínas de um mundo que se equilibra entre o materialismo da revolução industrial e o esoterismo gnóstico da Nova Era.

A ecologia quer ser a religião deste século sem religiões, ensinada e transmitida pelos sacerdotes da mídia televisionada ou cibernética a um grupo de “fiéis” apáticos e desinformados.

Todos nós nos sentimos inseguros neste crepúsculo de milênio marcado por uma decomposição do tecido social: violência, desestruturação da família, drogas etc.

Precisamos reagir enquanto ainda temos pelo que sonhar. Não podemos deixar que o sono adormeça o ideal.

 

O desarmamento dos homens honestos
e o “monopólio da coragem”

O desarmamento da sociedade apenas favorecerá o criminoso, que não encontrará mais obstáculos na legítima defesa exercida pelo cidadão honesto

Na análise da violência que perturba a vida nas cidades, as pessoas, algumas vezes, acabam limitando ao raciocínio puramente aritmético: o maior ou menor número de armas nas mãos dos cidadãos.

Esta análise superficial encerra uma perspectiva sinistra, porque existe muita coisa além na pregação do desarmamento.

Um dos objetivos principais de qualquer aparato estatal de segurança é o controle das armasem posse dos membros da sociedade. Tal questão não se traduz, nunca, em um total desarmamento da população, e sim, em um rígido controle da posse e uso dessas armas por pessoas de bem, mediante processo administrativo próprio de concessão e uso de armas para civis e militares. Em uma frase, resume-se em tirar as armas dos bandidos, e manter o registro e a posse de armas controladas aos cidadãos dignos.

Todavia, o que se planeja para o nosso País, no projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, é bem diferente.

Trata-se de um projeto que tem como objetivo desarmar completamente a população, o que é um completo absurdo.

As mais recentes estatísticas demonstraram que onde foram realizados tais tipos de desarmamento, ao invés de ocasionar uma queda direta na incidência criminal, pelo contrário, houve um aumento significativo nos crimes contra o patrimônio. Nos locais onde o porte de arma se tornou amplo e irrestrito, com um rígido controle da posse e uso de tais armas pelo Estado, como o de Nevada-EUA, houve uma queda nos crimes contra a pessoa (lesões corporais, homicídios) e contra o patrimônio (roubos, furtos), da ordem de mais de cinqüenta por cento!

O desarmamento, com as proporções que se apregoa no Brasil, só vem atender ao apelo dos que atuam contra a lei, já que estes passam a ter todas as condições para agredir pessoas e atacar o patrimônio alheio impunemente, porque o Estado não tem como proporcionar segurança ampla e irrestrita a todos, principalmente na zona rural, dadas as dimensões gigantescas de nossa terra.

Tal fato ocorreu na Alemanha nazista, bem como na Rússia comunista, posto que atende aos interesses de Estados totalitários, dada a melhor condição de submeter e ofender os direitos e garantias fundamentais.

O direito à legítima defesa é previsto em nosso ordenamento jurídico, e garantido nas Sagradas Escrituras. Como poderá o Estado, agora, permitir que se retirem as armas das pessoas que as têm legais e registradas, que jamais assaltam ou matam, para ficarem à mercê de facínoras que conseguem armas facilmente em nossas gigantescas fronteiras? E armas mais sofisticadas do que as da própria polícia!

O que acontecerá quando a população honesta deste país estiver desarmada e os criminosos gozarem da sensação de segurança advinda do desarmamento de suas possíveis vítimas?

Que o Governo tome medidas enérgicas contra a violência! Não contra os cidadãos honestos, mas contra os bandidos!

Conhecendo tais circunstâncias por detrás do festejado desarmamento, o cidadão brasileiro, cônscio de suas obrigações, deve opor todos os meios lícitos para impedir que o Estado se atribua o “monopólio da coragem” e o impeça de exercer a sua própria defesa, tornando-o vítima fácil nas mãos dos criminosos.

Leonardo Siqueira dos Santos, 24 anos
Primeiro-tenente da Polícia Militar do DF
Bacharel em segurança pública e em direito

A Verdadeira santidade é força de alma
e não moleza sentimental

A Igreja ensina que a verdadeira e plena santidade é o heroísmo da virtude. A honra dos altares não é concedida às almas hipersensíveis, fracas, que fogem dos pensamentos profundos, do sofrimento pungente, da luta, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo enfim. Lembrada da palavra de seu Divino Fundador, “o Reino dos Céus é dos violentos”, a Igreja só canoniza os que em vida combateram autenticamente o bom combate, arrancando o próprio olho ou cortando o próprio pé quando causava escândalo, e sacrificando tudo para seguir somente a Nosso Senhor Jesus Cristo. Na realidade, a santificação implica no maior dos heroísmos, pois supõe não só a resolução firme e séria de sacrificar a vida se preciso for, para conservar a fidelidade a Jesus Cristo, mas ainda a de viver na Terra uma existência prolongada, se tal aprouver a Deus, renunciando a todo o momento aoque se tem de mais caro, para se apegar tão somente à vontade divina.

Certa iconografia infelizmente muito em uso, apresenta os Santos sob aspecto bem diverso: criaturas moles, sentimentais, sem personalidade nem força de caráter, incapazes de idéias sérias, sólidas, coerentes, almas levadas apenas por suas emoções, e, pois, totalmente inadequadas para as grandes lutas que a vida terrena traz sempre consigo.

A figura de Santa Teresinha do Menino Jesus foi especialmente deformada pela má iconografia. Rosas, sorrisos, sentimentalismo inconsciente, vida suave, despreocupada, ossos de açúcar cândi e sangue de mel, eis a idéia que nos dão da grande, da incomparável Santinha.

Como tudo isto difere do espírito vasto e profundo como o firmamento, rutilante e ardente como o sol, e entretanto tão humilde, tão filial, com que se toma contato quando se lê a “História de uma alma”!

Nossas duas ilustrações apresentam por assim dizer duas “Teresinhas” diversas e até opostas uma à outra. A primeira nada tem de heróico: é a Teresinha insignificante, superficial, almiscarada, da iconografia romântica e sentimental.

A segunda, é a Teresinha autêntica, fotografada a 7 de Junho de 1897, pouco antes de sua morte, que ocorreu a 30 de setembro do mesmo ano. A fisionomia está marcada pela paz profunda das grandes e irrevogáveis renúncias. Os traços têm uma nitidez, uma força, uma harmonia que só as almas de uma lógica de ferro possuem. O olhar fala de dores tremendas, experimentadas no que a alma tem de mais recôndito, mas ao mesmo tempo deixa ver o fogo, o alento de um coração heróico, resolvido a ir por diante custe o que custar. Contemplando esta fisionomia forte e profunda, como só a graça de Deus pode tornar a alma humana, pensa-se em outra Face: a do Santo Sudário de Turim, que nenhum homem poderá imaginar, e talvez ouse descrever.

Entre a Face do Senhor Morto, que é de uma paz, uma força, uma profundidade e uma dor que as palavras humanas não conseguem exprimir, e a face de Santa Teresinha, há uma semelhança imponderável mas imensamente real. E o que há de estranhável em que a Santa Face tenha impresso algo de Si no rosto e na alma daquela que em religião se chamou precisamente Teresa do Menino Jesus e da Santa Face?

Plinio Corrêa de Oliveira

Humanização dos animais
ou animalização dos homens?

É freqüente encontrarmos, nos meios de comunicação, propagandas que utilizem animais realizando atos próprios dos seres humanos. Há algum tempo atrás, espalharam cartazes com um chimpanzé tomando coca-cola e de dinossauros que lancham em fast-foods.

Naturalmente, essa propaganda busca vender um produto.

Mas, não terá ela um outro efeito?

Como conseqüência normal da propaganda, o cliente-vítima é levado, imperceptivelmente, a se comparar com o modelo apresentado, que toma coca-cola ou lancha em fast-food. É dessa comparação que nasce o desejo do produto.

Nesse sentido, qual é a influência do modelo no comportamento? Essa é uma pergunta que cabe ser analisada!

Mas como a ecologia está em alta, isso até parece coisa da moda! A principio, enganam os nossos olhos que acham tudo bonito e engraçado.

Analise o quanto a televisão tem utilizado animais com características humanas e homens com características de animais, e não deixe que a “animalização” tome rumos maiores.

Michel Ramiro

A Conta e o Tempo

Deus pede estrita conta do meu tempo,
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta;
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo foi me dado, e não fiz conta.

Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei sem conta, tanto tempo?
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje quero dar conta, e não tenho tempo.

Ó vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidar, enquanto é tempo, em vossa conta.

Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

A TV, o gatinho e a cestinha de Held

B. F. Skinner, famoso psicólogo experimental americano, estudou a conduta animal e, por analogia, a dos homens com engenhosos e célebres experimentos. Fundou até uma escola discutida, mas famosa, o behaiviorism ou condutismo.

Held – um dos seus seguidores – analizou a o papel da ação no momento do aprendizado, e a diferença com o aprendizado exclusivamente visual.

Por tanto, a importância de sentir diretamente as coisas reais, e näo somente vê-las.

Num experimento chave, criou dois gatinhos iguais em condições especiais.

Um gozava de relativa libertade: podia brincar, cair no chão e fazer todas as malandragens que só eles sabem.

O outro ficava preso numa gostosa cestinha: não podia se mover, mas via e “aprendia” olhando tudo o que o outro aprendia fazendo.

Mais ainda: um engenhoso sistema transmitia os movimientos do gatinho livre à cestinha do gatinho preso. Quando o gatinho livre brincava, pulava ou se revolcava no chão, o gatinho preso experimentava mexidas análogas.

No fim, Held jogou o gatinho livre contra a parede. No ar, ele esticou as patas, puxou as unhas, chegou na parede em perfeita posição e caiu seguro, tranqüilo e incólume no chão.

O gatinho da cestinha que tinha aprendido somente olhando, no ar também ficou olhando a parede que se aproximava e espatifou-se tristemente no chão, sem reagir.

* * *

A modernidade acreditava -e ainda muitos acreditam – que as crianças aprenderiam mais e melhor olhando mais e mais a TV. Veriam desfilar ante o planeta inteiro: sua geografía e sua história, seu acontecer quotidiano, seus sonhos e ilusões. E, aliás, aprenderiam ainda mais cheios de video-cassettes, video-jogos, programas educacionais multimidiáticos.

Tudo isso enquanto não consiguissem comprar um equipamento de “realidade virtual”. Em senso contrário, a modernidade julgava que o aprendizado em contato com a realidade era de terceiro mundo.

Queira Deus que os jovens criados “a la moderna”, sozinhos ante o vídeo, não acabem como o gatinho da cestinha de Held!

P.S.: se alguém está preocupado por algum conhecido educado como o gatinho da cestinha de Held, pode ficar sossegado: o caso tem solução. O gatinho da cestinha, posto em liberdade, após algumas machucaduras leves com o mundo concreto, acabou aprendendo tudo o que o outro sabia. Nos EUA, dizem, este retorno à normalidade também se deu em homens de corpo e alma: formam a geração dos “agredidos pela realidade” que hoje repudiam o esquerdismo idiota da falsa modernidade.

Luiz Dufaur

Pobres Ricos!

Point de Vue“, 25/11/88, No. 2104

Pobres ricos – O autor de “Canard Souvage“, o escritor Henrik Ibsen, insurgia-se contra o poder ilimitado do dinheiro. Certo dia desabafou: “O dinheiro pode ser a casca de todas as coisas, mas não o cerne. Traz-nos o alimento, mas não o apetite; o médico, mas não a saúde; relações, mas não amigos; servidores, mas não o devotamento; momentos de alegria, mas nem a paz de alma, nem a felicidade.”

 

Crepúsculo de um Século, Aurora de um Milênio…

Violência, violência e mais violência

Um tema que a toda hora nos bate à porta – quando já não entrou sem bater – é aviolência e o crescimento generalizado do crime

É elementar, qualquer brasileiro sabe que o Estado lhe deve proporcionar a segurança. Entretanto, esta quase não mais existe, o crime e a violência vão se tornando avassaladores.

O trágico assassinato de um estudante universitário, por espancamento, acontecido na capital federal, mostra bem isso.

Já se mata por qualquer motivo, por mais fútil que seja. Estamos na trilha da Colômbia. Daqui a pouco, os seqüestros, os assaltos, os assassinatos, e todo tipo de violência dominarão nosso País.

“Os inocentes pagam pelos pecadores”

Dez milhões de órfãos é o drama que ocorrerá até o fim do presente ano, devido à AIDS, segundo dados da Fundação François-Xavier Bagnoud Center, vinculada à Universidade de Nova Jersey, EUA.

As projeções indicam ainda que, em 2000, cinco milhões de crianças serão infectadas pelo HIV e haverá um milhão de mortes de crianças causadas pela terrível moléstia.

Eis até onde a imoralidade do nosso século nos levou! Nem os inocentes escapam do flagelo do século XX!

Abalos do Darwinismo

Apesar dos numerosos e consistentes desmentidos que já recebeu, a incerta teoria darwinista continua a ser a única doutrina “científica” a respeito do surgimento dos seres vivos difundida, pesquisada e ensinada nos meios mediáticos e estudantis.

No entanto, conforme escreve Simona Vigna, do importante diário milanês “Corriere della Sera”, “o antidarwinismo está se espalhando como uma mancha de óleo em escala mundial“. A articulista informa ainda que “é difícil crer, mas é no país líder mundial no campo científico que o darwinismo está mais ameaçado. Nos Estados Unidos, 47% da população e um quarto dos estudantes universitários não crêem na ligação homem-símio e estão convencidos de que a humanidade foi criada por Deus em seis dias e há menos de 10 mil anos” (apud “Catolicismo”, 8/2000).

Bernardo Martins

“Oração do Paraquedista”

(Autoria do cadete francês Zirnheld, morto em combate em 27 de julho de 1942)

Meu Deus, dá-me a tormenta,
Dá-me o sofrimento,
o ardor no combate,
E depois, a glória no combate.

O que os outros não querem
aquilo que Te recusam
dá-me, Senhor, tudo isso;
Sim! Tudo isso.

Eu não quero o repouso,
nem mesmo a saúde,
tudo isso, Meu Deus,
já Te é muito pedido.

Mas dá-me, dá-me a Fé.
Dá-me força e coragem.
Dá-me a Fé para que
eu não recue

 

Há confronto entre o progresso Industrial
e a proteção ao meio ambiente? 

Há muitas preocupações ecológicas legítimas. Um apocalipse fictício de uma colisão do estilo de vida do Ocidente com o mundo natural não é uma delas“.

Reconhecemos a existência de preocupações ecológicas legítimas. Apesar disso, amiúde nos perguntamos, ao nos depararmos com notícias cada vez mais freqüentes de distúrbios causados por ambientalistas em diversas partes do mundo:quanto haverá de exagero na apresentação dessas questões? Qual seria a verdadeira solução?

Em entrevista concedida há três anos à revista “Catolicismo”, o Prof. John A. Baden, presidente da Fundation for Research on Economics and the Environment (FREE) (Fundação de Pesquisa Econômica e Ecológica), com sede em Seatle, nos Estados Unidos, dizia: “Há muitas preocupações ecológicas legítimas. Um apocalipse fictício de uma colisão do estilo de vida do Ocidente com o mundo natural não é uma delas“.

O professor enfatizava que os grupos verdes, na ânsia de angariar simpatia, acabam funcionando como grandes empresas de marketing:“Como qualquer outra boa causa competindo por apoio, os líderes dos grupos verdes enfatizam a propaganda. Eles se tornam vendedores: o seu produto é a sua causa.” Os exageros e a invenção de crises, que beiram não poucas vezes o apocalíptico, só têm um objetivo: “galvanizar seus membros e atrair novos recrutas“, o que leva a “meias verdades ou francamente mentiras sobre os verdadeiros riscos de muitas pretensas crises ecológicas“.

Esses mesmos atiçadores da histeria verde, ao pregar uma versão contemporânea, ecológica, do ‘arrependei-vos, o fim está próximo’, demonstram pouca compreensão das relações que há entre a civilização ocidental e os recursos naturais” e acabam transformando o Estado em um “braço armado” de sua ideologia, com a edição de leis e regulamentos claramente espelhados pelas diretrizes ecológicas.

O Prof. Baden sugere que, ao invés de tirar vantagens das crises, procure-se estimular a ação voluntária e criar incentivos para a proteção ambiental. Essa atitude deve ser baseada no “reconhecimento do papel do direito de propriedade e do mercado na coordenação e racionalização de recursos valiosos, ao mesmo tempo em que se procure minimizar a burocracia e intervencionismos governamentais“, substituindo-os por incentivos comerciais ou fiscais ao proprietário que se empenhe na preservação ambiental.

Uma revista agrícola de grande circulação no Brasil comprovava a teoria do Prof. Baden, noticiando, em meados de 1999, o crescente interesse pela preservação dos jacarés do Pantanal mato-grossense e também o substancial aumento da população de capivaras na região Sudeste, mesmo em cativeiro, devido à ampla aceitação comercial do abate destes animais nos mercados consumidores brasileiros.

Com efeito, que interesse um livre investidor poderia ter com a custosa captura, preservação, engorda e criação de viveiros, por exemplo, de capivaras, se não fruísse daí nenhum fruto de seus esforços, nem tampouco a restituição, mesmo que sem lucros, do dinheiro por ele investido?

Esperamos que esses exemplos, assim como muitos outros, sirvam para um redirecionamento das questões político-econômicas envolvidas com o problema ecológico. As exigências populares para um meio ambiente limpo só aumentam com a elevação do nível de vida. Países pobres não são exigentes com a ecologia. E o que traz riqueza para um país nada mais é do que o estímulo ao trabalho, a certeza da proteção da propriedade privada, da iniciativa particular e o respeito às leis do mercado livre.

Tadeu Carmona

O Crivo das três peneiras

Olavo foi transferido de projeto. Logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:

– Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele …

Nem chegou a terminar a frase, Juliano, o chefe, aparteou:

– Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?

– Peneiras? Que peneiras, Chefe?

– A primeira, Olavo, é a da VERDADE. Você tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro?

– Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram… Mas eu acho que…

E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe:

– Então sua história já vazou a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE. O que você vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

– Claro que não! Deus me livre, Chefe! – diz Olavo, assustado

– Então – continua o chefe – sua história vazou a segunda peneira. Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário me contar esse fato ou mesmo passá-lo adiante?

– Não, chefe. Passando pelo crivo dessas peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar – fala Olavo, surpreendido.

– Pois é, Olavo. Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras ? – diz o chefe sorrindo e continua: – Da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo dessas três peneiras: Verdade – Bondade – Necessidade, antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante, porque:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS

PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS

PESSOAS MEDÍOCRES FALAM SOBRE PESSOA

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