17 de junho de 2019, Plenário da Câmara

Discurso em homenagem ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo proferido pelo Dr. Guilherme Martins

“Deputada Chris Tonietto que em tão curta história parlamentar já pode escrever tantos cristãos atrevimentos e a quem cumprimentamos em nome do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira pela convocação desta sessão solene, de significação simbólica e impar.

Reverendíssimo padre Diego, senadora Soraya, deputados e demais parlamentares presentes, senhoras e senhores.

Importa desde já ressaltar o significado deste evento convocado por vias oficiais na casa de um dos poderes que regem a nação brasileira, mais do que pela maior ou menor importância das pessoas presentes, ou pelo maior ou menor número dos que acompanham, seja presencialmente, seja pelos outros meios disponíveis, sua realização passa a figurar não apenas nos anais desta câmara de leis, mas no livro da vida, pois a homenagem de um grupo de indivíduos torna-se assim homenagem de toda uma nação.

Lemos expressamente no preambulo da Constituição Federal, ora vigente, que sua promulgação foi feita sob a proteção de Deus. Esse Deus não é um qualquer dentre vários. Mas o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, que se encarnou no seio puríssimo de Maria Virgem e se fez homem para nossa redenção.

Nos primeiros séculos de nossa Era, Tertuliano ousou afirmar: “anima humana naturaliter christiana”. Poderíamos parafraseá-lo e dizer com ousadia ainda maior: “a alma brasileira é naturalmente católica”. Com efeito, três séculos antes do Descobrimento do Brasil, já Dom Afonso Henriques, fundador da nação portuguesa, recebia do próprio Deus uma promessa: “Quero em ti e em teus descendentes fundar para mim um Império. Por cujo meio seja meu nome publicado entre as nações”.

Em 1500 aportaram aqui Naus da Ordem de Cristo trazendo os descobridores e como primeiro ato oficial, como esse que ora se realiza, foi celebrado uma Santa Missa. Desde então, no solo assim bendito da Terra de Santa Cruz, Nosso Senhor veio protegendo o Brasil. Sentiram-no os heroicos missionários do porte de Nóbrega e Anchieta, que tomara a peito a expansão da fé por nosso território continental.

Sentiram-no outros heróis. Esses leigos nas repetidas lutas contra o herege invasor. Foi clara a intervenção da bondosa Providência de Deus para preservar aqui a fé verdadeira.

Ainda hoje no meio da borrasca por que passa essa mesma fé no mundo inteiro e até mesmo – com quanta dor afirmamos – na Santa Igreja, Nosso Senhor continua a guiar Seu rebanho irradiando desde o Sacrário sua luzes. É a esse Deus, sobre cuja proteção sempre estivemos, que hoje prestamos homenagem.

No texto do conhecido hino ‘Lauda Sion’, composto pelo grande Santo Tomás de Aquino, em 1264, a pedido do papa Urbano IV que acabara de instituir a Festa de Corpus Christi lemos este incentivo: ‘Louva Sião, o Salvador! Louva o guia e pastor com hinos e cânticos. Tanto quanto possas ou ouses louva-lo, porque está acima de todo louvor e nunca o louvaras condignamente. Seja o louvor pleno, retumbante, que ele seja alegre e cheio do brilhante júbilo da alma.’

O Verbo Eterno de Deus, não contente de se fazer Homem e morrer por nós padecendo a ponto de pela voz do Profeta considerar-se um verme, não mais um homem, resolve perpetuar sua presença entre os homens. Sua bondade infinita exaure-se na mais fantástica invenção. Deus faz-se pão, o alimento por excelência, mas ao mesmo tempo ao alcance de todos, para unir-se ao homem, objeto de sua complacência. União, a mais íntima que se possa cogitar.

Nosso Senhor quis fazer-se prisioneiro no sacrário com seu corpo, sangue, alma e divindade, aguardando pacientemente, como que, implorando o amor dos homens. Ao longo dos séculos almas fiéis vem atendendo esse apelo e correspondendo com seu amor ao Amor Infinito de Deus. Dessas almas, Nosso Senhor sacramentado é verdadeiramente Rei. E com ele vai sempre a Rainha, Sua Mãe Santíssima.

Com efeito, a Igreja chama a Eucaristia de Sacramento de Maria: ‘Caro Christi caro Mariae’. A carne de Cristo é a Carne de Maria. Constata-o a própria ciência atônita ao debruçar-se sobre o Santo Sudário. Nas células de sangue ali presentes não encontram os esperados 46 cromossomos, mas apenas 23. Essa realeza do filho junto com Sua Mãe clama por externar-se nas instituições; quer abafá-la, renegando-a meramente à esfera privada, impondo na esfera pública o ateísmo sob o rótulo especioso de laicidade significa a nível de sociedade querer separar a alma do corpo. Ou seja, condenar o corpo social à morte.

Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua Justiça, e tudo mais o será dado por acréscimo, ensinou-nos Nosso Salvador. Busquemos esse Reino reconhecendo ao Rei a posição que lhe é de direito. Se é a Paz de Cristo que almejamos nesses conturbados dias de ressurgimento de nossa Pátria, sabemos que só podemos encontrar no Reino de Cristo. Continuemos a todo custo sob a proteção desse Deus Benevolente, Caminho, Verdade e Vida que quis perpetuar-se no meio dos homens pela Sagrada Eucaristia. E rejeitemos as ações do príncipe das trevas, que não é se não embuste, ilusão e mentira, o qual cada vez mais as escancaras vem seduzindo os estultos a adorá-lo. Não só o que já é terrível erigindo estátuas em sua homenagem em vários lugares dos Estados Unidos, mas constituindo um estado de coisas em que A Lei de Deus é proscrita e imposta à vontade dos novos profetas de baal.

O Amor à Deus, bem supremo, com seu corolário, o ódio radical ao mal que lhe é contrário, nos levaria muito mais longe em nossas palavras se pudéssemos também gozar do privilégio da imunidade parlamentar, mas a liberdade dos Filhos de Deus de que fala São Paulo vai cada vez mais sendo cerceada pelo politicamente correto ditado por mentes que se autoproclamam iluminados.

Não podíamos encerrar esta homenagem sem ressaltar a necessidade da vigilância em relação ao mal que avança para nos tirar do caminho daquele Reino de Deus. Nesse sentido termino fazendo ecoar as palavras do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em discurso durante o encerramento do quarto Congresso Eucarístico Nacional em setembro de 1942, diante de uma multidão de quinhentas mil pessoas. Cito agora:

‘Contra os inimigos da Pátria que estremecemos e de Cristo que adoramos, os católicos brasileiros saberão mostrar sempre uma invencível resistência. Loucos e temerários, mais fácil vos seria arrancar de nosso céu o Cruzeiro do Sul do que arrancar a soberania e a fé a um povo fiel a Cristo. Viva Cristo Rei e Sua Mãe Santíssima Rainha.’ Obrigado.”

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