12 de Abril – São Sabas, o Godo

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São Sabas, o Godo

Mártir

(+ 372)

DA nação dos Godos, Sabas era filho de pais católicos, que se esmeraram em proporcionar-lhe uma educação rigorosamente cató­lica. Vivendo no meio de arianos, com o máximo cuidado afastaram do menino todas as influências da heresia. Tiveram, pois, a satisfação de verem o filho desenvolver-se fí­sica e moralmente, sendo desde pequeno amigo da oração e das coisas divinas. Não descuidando o es­tudo das ciências e artes, era mes­tre na ciência dos Santos.

Jovem ainda, muito trabalhou pela conversão de idólatras e hereges. Mor­tos os pais, destinou grande parte da fortuna aos católicos pobres, que sofriam cruel perseguição da parte dos Godos. Corajosamente os de­fendia, sempre que as circunstân­cias o aconselhavam, e seu desejo era um dia alcançar a coroa do martírio.

As autoridades e pessoas de in­fluência, entre os Godos, eram pa­gãos e tudo faziam para prejudicar a religião cristã. A perseguição co­meçou com a ordem dada aos ca­tólicos, de comerem a carne dos animais mortos no culto dos deu­ses. Pagãos havia que, para salvar a vida de parentes católicos, faziam clandestinamente substituir a car­ne sagrada por outra comum, en­ganando habilmente a vigilância dos guardas. Sabas declarou-se francamente contrário a esta praxe e disse não poder reconhecer como cristãos aqueles, que desta manei­ra pretendiam iludir pagãos e ca­tólicos. Este enérgico protesto sal­vou a muitos da queda. Outros, po­rém, achando que era excessivo esse rigor, fizeram-lhe guerra e obri­garam-no a sair daquela localidade; mas chamaram-no novamente pou­co tempo depois, quando irrompeu uma perseguição mais rude ainda contra o catolicismo. Um emissário do governo apareceu no lugar on­de estava Sabas, para descobrir os cristãos. Fora então combinado en­tre os habitantes declarar, sob juramento, que ali não existia católi­co nenhum. Sabas opôs-se a este plano e declarou àqueles que es­tavam prontos a prestar juramen­to: “Quanto a mim, ninguém jure, pois sou cristão”. O emissário, sa­bendo do incidente, citou a Sabas perante a sua presença e intimou-o a fazer declarações sobre os bens de fortuna. Descobrindo, porém, que Sabas era pobre, que nada possuía além da roupa do corpo, o magis­trado tratou-o com desprezo e des­pediu-o.

Pela Páscoa de 372, a perseguição recrudesceu. Sabas cuidava de feste­jar do melhor modo possível a Pás­coa. Para este fim, pretendia procu­rar o sacerdote Gutica, que residia em lugar distante. No meio do cami­nho, porém, devido a um aviso do céu, resolveu voltar e celebrar a Páscoa com o sacerdote Sansala.

Três dias depois da festa, um ban­do, chefiado por Atarido, filho de um príncipe daquela região, as­saltou a casa do sacerdote, apo­derou-se da pessoa deste e de Sabas, e levou ambos, maltratan­do-os de maneira bárbara. Os ferimentos, porém, infligidos a Sa­bas não deixaram o menor vestígio, o que grande admiração causou aos perseguidores.

Atarido, porém, em vez de reconhecer nisto a proteção divina, que Sabas visivelmente ex­perimentava, redobrou de cruelda­de. Mandou que a este e a Sansa­la fosse servida carne dos alta­res pagãos. Ambos se negaram a tomá-la, e Sabas declarou: “Es­ta carne é impura e profana; co­mo impuro e profano é aquele, que nô-la mandou”. Sabas estava ain­da falando, quando um dos soldados, com toda força lhe arremessou a lança contra o peito. Os circuns­tantes julgavam já morto o santo homem, quando este sem o menor sinal de perturbação, continuou: “Pensas talvez que assim me podes matar? o golpe de lança, que con­tra meu peito dirigiste, não me fez maior mal, que se me tivesses ati­rado um floco de lã”. Atarido, ain­da mais excitado, deu ordem de en­tregar Sabas à morte.

Sansala recuperou a liberdade.

Os sol­dados, movidos por sentimentos humanos, ofereceram-lhe ocasião de evadir-se

Sabas, porém foi conduzido à mar­gem do rio Mussovo, afluente do Danúbio, para ser afogado. Longe de sentir tristeza, manifestou a maior satisfação, por ter sido acha­do digno de morrer pela fé. Os sol­dados, movidos por sentimentos humanos, ofereceram-lhe ocasião de evadir-se. Sabas, porém, disse-lhes: “Fazei o que vos for ordenado. Vejo na outra banda o que não vedes. Vejo ali os mensageiros de Deus, que vieram buscar minha al­ma e conduzi-la à glória eterna”. Os soldados então o amarraram e atiraram à água. Este acontecimen­to teve lugar aos 12 de abril de 372, quando eram imperadores Valenti­niano e Valente.

Martírio de São Sabas

Os soldados tiraram da água o corpo do mártir, deixando-o inse­pulto na areia. Júnio Sorano, du­que da Scítia e grande servidor de Deus, mandou buscá-lo e decentemente enterrar na Capadócia.

Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956.

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