04 de Abril – Santo Isidoro

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Santo Isidoro, Arcebisbo de Sevilha

 Arcebispo de Sevilha, Confessor e Doutor da Igreja

(+ Sevilha, 636)

 

SANTO Isidoro, o mais insigne dos doutores da Igreja da Es­panha, era natural de Cartagena e filho de pais ilustres e profunda­mente religiosos. O pai, Severiano, era prefeito de Cartagena; a mãe chamava-se Teodora. Os irmãos, Leandro, Bispo de Sevilha, Fulgên­cio, Bispo de Cartagena e Florenti­na, recebem da Igreja as honras de Santos.

Desde menino se dedicava ao serviço eclesiástico, ao estudo da religião e às práticas de piedade. Chamado por Deus, devia Isidoro ser, na mão da divina Providência, um baluarte fortíssimo contra a barbaria e crueldade dos Godos. Junto com o irmão Leandro, então Bispo de Sevilha, trabalhou, com grande resultado, na conversão dos hereges arianos, que naquele tempo perseguiam a Igreja da Espanha e cuja intenção não era outra senão exterminar a Igreja Católica naque­le país.

Por morte do irmão Leandro, em 600, foi Isidoro eleito seu sucessor. O programa do seu governo ecle­siástico era apaziguar os diversos partidos católicos, restabelecer a ordem e harmonia entre os seus diocesanos. Era ele a alma dos sí­nodos diocesanos, que foram convo­cados para o mesmo fim. As deci­sões mais importantes, que naquela época foram dadas, são pela maior parte obra sua, e todas provam a sabedoria e o zelo apostólico do San­to. Quando, em 610, os bispos da Espanha, reunidos em Toledo, elegeram Primaz da Espanha o Arce­bispo da mesma cidade, Isidoro, sem protesto e relutância assinou a data da eleição. O único desejo que nutria, era ver restabelecida a paz e concórdia na Igreja do seu país.

Como presidente do Concílio de Sevilha (619), condenou a seita dos acéfalos e eutiquianos. Tão cla­ra e convincente lhe era a argu­mentação, que o Bispo Gregório, da Síria, o principal propagandista dos acéfalos, abjurou o erro e voltou à doutrina da Igreja Católica. Os eutiquianos reconheciam na pessoa de Jesus Cristo só uma natureza, quando a Igreja Católica ensina que em Jesus Cristo há duas naturezas, uma humana, outra divina.

No sé­timo concílio de Toledo (633), o mais importante na história da Igreja da Espanha, foi Isidoro quem presidiu as sessões, honra e privilégio que o Primaz da Espanha lhe cedeu espontaneamente, dando assim prova pública de quanto o tinha em consideração.

Sempre sub­misso ao Papa de Roma, como re­presentante de Cristo na terra, procurou implantar o mesmo res­peito no coração dos diocesanos. Como indícios certos e indubitáveis do espírito de heresia, Isidoro havia o menosprezo das cerimônias da Igreja, das suas leis e decretos, o desprezo e ódio aos sacerdotes, bis­pos ao Papa. Para preservar os diocesanos deste espírito pernicio­so, procurou incessantemente ins­pirar-lhes amor à Igreja, respeito às suas leis e veneração aos seus ministros.

Entre estes trabalhos apostólicos se passou a vida do santo Bispo.

Nos seis últimos meses da sua exis­tência, a liberdade de Isidoro che­gou a tal ponto, que sua casa era procurada e assediada pelos pobres, desde a manhã até alta noite. Sentindo chegar a morte, mandou cha­mar para perto de si dois Bispos. Com eles se dirigiu à igreja, onde das mãos de um recebeu o hábito da penitência, enquanto o outro lhe punha cinza na cabeça. Com as mãos elevadas ao céu, orou com muito fervor e pediu a absolvição dos seus pecados. Um dos Bispos deu-lhe a santa Comunhão. Terminada a ação de graças, Santo Isido­ro recomendou-se às orações dos diocesanos, perdoou aos devedores e mandou distribuir sua fortuna en­tre os pobres. Ao povo recomendou, com muito empenho, conservar a paz e a união.

Isidoro morreu nos degraus do altar, em 4 de abril de 636, tendo sido 36 anos Arcebispo de Sevilha. O corpo foi depositado na Catedral de Sevilha, entre os irmãos Lean­dro e Florentina. As relíquias, trans­portadas no ano de 1063 para Leon, descansam ainda na igreja de São João Batista.

Santo Isidoro é o grande Santo da nação espanhola, o “grande mes­tre de escola da Idade Média” pela sua obra monumental: “Etimolo­gia” em 20 volumes, uma verda­deira enciclopédia daquele tempo.

Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956.

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