Existem diversos argumentos que evidenciam e provam a existência de Deus. Ateus e mais ateus dizem que acreditar em Deus é algo ilógico e irracional, e que todos aqueles que acreditam em Deus são apenas cegos e que precisam ser iluminados pelos holofotes da ciência.

Nesse trecho far-se-á uma breve explicação do que vem a ser o argumento cosmológico e finalizado com as cinco vias de São Tomás de Aquino sobre a existência de Deus, uma defesa aprimorada do argumento cosmológico.

 

Argumento Cosmológico

 

É costumeiro por parte daqueles que não acreditam em Deus, aceitar como verdadeiras as premissas que serão posteriormente apresentadas. A dificuldade está em concluir se a causa do universo tem alguma relação com Deus.

 

Primeira premissa: Tudo o que vem a existir tem uma causa

 

A primeira premissa do argumento cosmológico é um fato, pois, não se vê matéria física surgindo simplesmente do nada ou do acaso. Essa é uma regra universal, uma lei fundamental da nossa realidade. Tudo o que vem a existir tem uma causa.

E como consequência lógica, toda a causa precede seu efeito em existência, nenhuma causa pode ser o seu próprio efeito, toda a causa é anterior ao efeito, e diferente do efeito, por tanto, é impossível algo existir, sem ter tido uma causa primeira.

Apesar dos argumentos, um qualquer pode querer tentar – deixando bem claro – afirmar que a ciência descobriu algo que veio a existir do nada.

É necessário salientar algo, por que se esse qualquer desconhece a causa que trouxe algo a existência, não quer dizer que este algo não tenha tido uma causa.

 

Segunda premissa: O universo veio a existir

 

A ciência atualmente admite que o universo teve um princípio, pois, se diz que o universo se expande, e como toda coisa que se expande e aumenta de tamanho, em algum momento do passado essa coisa começou a se expandir.

Em algum momento do passado essa expansão começou e a teoria mais conhecida que explica o princípio do universo é chamada de Big Bang. Essa teoria foi criada e elaborada pelo Padre Jesuíta Georges Lemaître, e no meio científico o Big Bang é majoritariamente a teoria mais aceita.

E essa teoria diz que, em algum ponto há 13,7 bilhões de anos atrás houve uma mega explosão que deu origem ao universo, e desde então o universo vem se expandindo e se resfriando.

Apesar do comentário, o foco não é a explicação da teoria do Big Bang, mas apenas esclarecer que essa teoria não é ateia.

Ela somente tenta explicar a origem do universo em sua composição física, ao contrário da Bíblia que salienta apenas que Deus criou o universo.

Cabe lembrar que Santo Agostinho, analisando a criação em seis dias no Gênesis, tem o cuidado de não interpretar dia como intervalo de 24 horas.

O Santo Doutor interpreta dia como sendo luz, e luz dos anjos testemunhando a criação de Deus. Os seis dias falam de uma ordem na criação, e não propriamente de uma medida de tempo.

Entretanto, o mais importante é que a ciência concorda com a Bíblia no sentido de que o universo teve um princípio. A única diferença é que a Bíblia sempre afirmou isso. A ciência apenas aceitou esse fato e nos mostrou como, possivelmente, foi criado o universo.

Com tudo isso informado, sabe-se que as duas premissas são verdadeiras, pois tudo o que vem a existir tem uma causa, e o universo teve uma causa. Logo o universo veio a existir. Tanto ateus como cristãos aceitam essa conclusão como verdadeira.

Mas o argumento cosmológico parte para um ponto que inconscientemente ou até conscientemente indaga: Para o universo existir precisou de uma causa. O que, ou quem causou a existência do universo? Ou ainda mais cientificamente falando: O que teria causado a explosão do Big Bang?

Se a resposta esperada pelos ateus for científica ela não existe. A ciência não sabe a causa pela qual o universo veio a existir. Aqui será explicada apenas a origem do universo, mas não o porquê do universo ter se originado, o que são duas coisas distintas.

Costumeiramente muitos ateus afirmam, e continuarão afirmando que o universo veio do nada e pelo nada. O problema dessa afirmação é que isso implicaria também em afirmar que coisas poderiam surgir simplesmente ao acaso.

Ou seja, sem uma causa. O que seria ilógico cientificamente falando, porque tudo que existe tem uma causa segundo a ciência.

Chamemos o responsável – seja Ele Deus ou qualquer coisa – pela causa da origem do universo de veritas. É necessário preencher uma lista de atributos para que Ele seja realmente o causador do universo.

Em primeiro lugar, já que nenhuma causa depende do seu efeito, a causa do universo não depende do universo, pois se ela causou o universo ela vivia fora do universo, e antes do universo nós não conseguimos encontrar a causa do universo dentro do próprio universo.

Ela precisa ser Imaterial, já que a causa foi a responsável pela origem de toda a matéria existente no universo. Conclui-se então que a causa do universo precisa anteceder a criação da matéria.

Ela precisa ser Atemporal, já que ela deu origem ao tempo. Isso significa que a linha do tempo da humanidade não afeta a causa do universo, já que o tempo e a matéria só começaram a existir depois da origem do universo. Ou seja, a causa do universo não está trelada à matéria e nem ao tempo.

Ela precisa ser Eterna, já que um regresso infinito de causas é impossível. Por essa linha de raciocínio a causa do universo também necessariamente deveria ter existido por toda a eternidade.

A causa do universo também é uma fonte inesgotável de poder, porque, somente uma causa poderosa poderia ter dado a origem a algo tão grandioso quanto o universo – coisa que a ciência concorda em dizer.

E por último, a causa do universo também é uma força pessoal, pois ela (a causa) decidiu por vontade própria, dar origem ao universo.

O universo não poderia ter começado sem um estimulo pessoal. O universo não se faria sozinho sem que uma força exterior decidisse dar origem a ele. Logo, veritas – a causa do universo – decidiu criar o universo.

Temos que, a causa do universo é imaterial, atemporal, eterna, poderosa e pessoal. Sabe-se quem ou o que possui esses atributos? A bíblia diz: “Deus é espírito” (Jo 4:24) portanto imaterial;

“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em que não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17), portanto atemporal;

“Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de Eternidade a Eternidade, Tu és Deus” (Salmo 90:2) que mostra, que Deus é Eterno;

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Apocalipse 1:8); portanto, Deus é Poderoso;

“O nosso Deus está nos céus, e pode fazer tudo o que Lhe agrada” (Salmo 115:3), portanto pessoal.

É inevitável acreditar que a Causa eficiente do universo não seja Deus.

Os ateus taxam os que acreditam em Deus de irracionais, de ilógicos, de loucos, de cegos simplesmente por acreditarem que Deus foi o Criador do universo. Mas se ser ateu é acreditar que o universo veio do nada, pelo nada e para o nada, é necessário repensar alguns conceitos de ciência básica.

 

As cinco vias de Santo Tomás de Aquino

 

1 – Primeiro Motor imóvel

 

A primeira via que prova a existência de Deus, Santo Tomás de Aquino chamou de motor imóvel:

1 – Supõe-se que o universo todo está em movimento;

2 – O movimento é um efeito de algo, devendo ter uma causa anterior, para o corpo entrar em movimento;

3 – Nenhum corpo se move sozinho, e se a história – colocada aqui para dizer no sentido temporal e atemporal – fosse retrocedida sem parar ad infinitum (que não tem fim), todo o corpo haveria sido movido por outro e nunca seria encontrado um princípio.

Portanto e inevitavelmente deve haver um primeiro motor (motor imóvel) que proporcionou o movimento pela primeira vez sem ter sido movido por algo.

 

2 – Primeira causa eficiente

 

A segunda via que prova a existência de Deus, Santo Tomás de Aquino, chamou de primeira causa eficiente.

Essa via está relacionada com a primeira, porque ela justamente é o efeito desse motor imóvel.

Sempre existirá essa ordenação: causa e efeito para todas as coisas. Se há essa ordenação, não existe efeito sem causa.

E se a história fosse contextualizada naquele retrocesso ad infinitum, nunca se chegaria a uma primeira causa para todos os efeitos. Ou seja, nunca existiria uma causa primeira.

Com isso, supõe-se que houve alguma causa que foi o início de tudo – o marco zero -, e que não se necessitou de uma causa anterior para ser gerada, pois a causa primeira não foi efeito de uma causa anterior, ela foi a primeira de todas as causas.

Ou seja, ela nunca foi gerada, ela sempre esteve presente. Conclui-se que ela foi a primeira causa eficiente que desencadeou todos os efeitos subsequentes; tudo o que veio depois.

 

3 – Ser necessário e seres possíveis

 

Tudo o que existe, um dia não existiu – exceto Deus. Para facilitar a compreensão, pode-se pensar que, “hoje eu existo, mas um dia eu não existi”.

Há dois movimentos: não ser e ser, ou seja, o primeiro movimento é de não existir e o segundo movimento é de passar a existir, que é um movimento progressivo. E novamente, se a história fosse retrocedida se chegaria ao não ser.

Santo Tomás argumenta que se tudo o que hoje é, um dia não foi. E se nesse nada a história para o raciocínio é errado, porque é impossível algo partir do nada, do absolutamente vazio.

Não tem sentido se afirmar que as coisas existem porque vieram do vazio. Por essa ideia o “Doutor Angélico”, coloca que há uma necessidade, ou seja, há um primeiro Ser necessário que vai dar origem a todos os seres possíveis.

 

4 – Graus de perfeição

 

Nas três primeiras vias de Santo Tomás de Aquino, do motor imóvel, da primeira causa eficiente e do ser necessário e do ser possível, faz-se uma conexão direita e justamente com a figura de Deus.

Para Santo Tomás de Aquino, o motor imóvel é Deus, a primeira causa eficiente é Deus e o Ser necessário é Deus. Por isso, a quarta via se chama “Grau de perfeição”.

Esta via não evidenciará a mudança, a atividade, a geração ou corrupção, mas a limitação com que certas perfeições existem nos vários seres. Em outras palavras, os graus de bem que residem nas criaturas.

Observa-se nos seres, alguns poucos que são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres que outros. Assim, ninguém duvida que o homem é mais perfeito que o animal; o animal mais que o vegetal; e este mais que o mineral.

O mesmo deve-se dizer da bondade, da verdade, da nobreza e das outras perfeições semelhantes, as quais se encontram em todos os seres segundo uma diversidade de graus – em virtude da qual alguns seres são mais perfeitos que outros.

Ora, mais e menos se dizem de coisas diversas conforme elas se aproximam diferentemente daquilo que é em si o máximo.

Em outras palavras, “mais ou menos” não diz respeito às coisas em si, mas sim no tanto em que elas se aproximam em graus diversos do que é em grau máximo. Por exemplo, algo se torna mais frio quando se aproxima do frio em grau máximo.

Desta forma há algo que é em grau supremo o bem, a verdade, a nobreza e, por sua vez, o grau máximo do ser. Assim, o que é o grau máximo do gênero é causa e medida de todo esse gênero: O gelo que é grau máximo de frio é causa e medida de todo frio.

Da existência destas perfeições limitadas e graduadas deduz-se a existência de um ser perfeitíssimo. Ser sublime no qual residem todas as perfeições em seu grau sumo.

João Ameal conclui que, “Há, então, um ser soberanamente belo, soberanamente bom, soberanamente perfeito. Mas aquilo que é soberano, supremo em algum gênero, é causa de todos os seres do mesmo gênero”.

Já Santo Agostinho se refere aos antigos filósofos por terem visto que em todas as coisas mutáveis o modo pelo qual um ser é o que é, só lhe virá do ser verdadeiro e imutável por essência:

“Compreenderam, além disso, que em todo ser que muda toda forma que o faz ser o que é, qualquer que seja sua natureza e os seus modos, não pode ela mesma existir senão por Aquele que é verdadeiramente porque é imutavelmente. É daí que, quer seja o corpo do mundo inteiro, a sua estrutura, as suas propriedades, o seu movimento regular, os seus movimentos escalonados do céu à terra e todos os corpos que ele encerra; quer seja toda a vida: a que sustenta e mantém o ser, como nas árvores; a que, além disso, possui sensibilidade, como nos animais; a que acrescenta a tudo isto a inteligência, como nos homens; ou a que, sem necessidade de mantimentos, se mantém, goza de sentimentos e de inteligência como nos anjos, não pode manter o seu ser senão d’Aquele que simplesmente é”.

Por esta razão, Santo Tomás ao explicar que “se alguém indo a uma casa e desde a porta fosse sentindo calor e cada vez que mais nela penetrasse mais calor sentisse, evidentemente perceberia que havia fogo no seu interior, mesmo que não estivesse vendo o fogo. Acontece o mesmo conosco ao considerar as coisas deste mundo. Todas as coisas estão ordenadas conforme diversos graus de beleza e de nobreza, e quanto mais estão próximas de Deus, tanto melhores e mais belas são. Ora, os astros são mais nobres e mais belos que os corpos inferiores; as coisas invisíveis, que as visíveis”.

Deste modo a quarta via, para achar a razão suficiente das perfeições existentes no mundo, nos conduz necessariamente à existência real de um Ser perfeito, único e simples, o qual é evidentemente distinto dos seres do universo: Deus.

Ou seja, a teleologia (fim inteligente) presente em todo o universo reclama a necessidade de Deus. “Vemos que algumas coisas, como os corpos naturais, carentes de conhecimento, operam em vista de um fim; o que se conclui de operarem sempre ou freqüentemente do mesmo modo, para conseguirem o que é ótimo; donde resulta que chegam ao fim, não pelo acaso, mas pela intenção. Mas, assim como a seta é dirigida pelo arqueiro, os seres sem conhecimento não tendem ao fim sem serem dirigidos por um ente conhecedor e inteligente. Logo, há um ser inteligente, pelo qual todas as coisas naturais se ordenam ao fim, e a que chamamos Deus.”

 

5 – Ordem do Universo

 

Se for considerado a ordem existente no universo, desde os componentes microscópicos existentes numa planta até os gigantescos astros do firmamento; a harmonia, a atividade e relação entre eles, facilmente chegamos à seguinte conclusão: houve uma Inteligência que criou e ordenou tudo isto, caso contrário seria absurdo dizer que isto é fruto do acaso.

“De fato, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios em vista de um fim, ou dos elementos em vista do todo que eles compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos conspiram em conjunto, é necessário que sua organização tenha sido obra de uma inteligência”.

Os seres que carecem de conhecimento não podem rumar aos seus respectivos fins sem que haja um ser que conheça tais fins. Assim, uma flecha não pode atingir o alvo sem o arqueiro que a dispare.

O reverendíssimo frade Garrigou- Lagrange explica algo semelhante e que tende a traçar a mesma linha: “Os seres privados de razão não tendem a um fim se não são guiados por uma inteligência, como a flecha pelo arqueiro. Com efeito, uma coisa não pode estar ordenada à outra senão por uma causa ordenadora, que necessariamente deve ser inteligente, ‘sapientis est ordinare’. Por quê? Porque só a inteligência conhece a razão de ser das coisas”.

Que inteligência ordena o universo? Obviamente há de ser diferente dos seres da natureza, porque os minerais e vegetais são desprovidos da ciência das coisas e os animais não possuem intelecto.

Deve ser também diferente da inteligência humana, que apesar de perceber e explicar, a ordem que existe, não a cria.

Tem que ser, pois, a suma inteligência, dado que a ordem do universo supõe um ser que possua a ciência de todos os seres e suas propriedades. Por isso conclui Garrigou-Lagrange:

“Os animais conhecem sensivelmente o objeto que constitui seu fim, mas neste objeto não percebem a razão formal do fim. Por conseguinte, se não houvesse uma inteligência ordenadora, que governasse o mundo, a ordem e a inteligibilidade, que há no universo e que as ciências descobrem, proviria da inteligibilidade, e ainda mais, nossas próprias inteligências proviriam de uma causa cega e ininteligível; uma vez mais, o mais sairia do menos, o que é absurdo”.

É indispensável se afirmar que a Inteligência Criadora e Ordenadora do universo é Infinita e Divina. Um ser natural, na sua criação não é precedido por nada e suas propriedades e capacidades provêm de sua própria essência.

Daí a ordem interna de cada ser e, por consequência, das relações destas essências entre si, resulta a ordem externa do universo.

Sendo a causa total de toda ordem, o Autor destas essências deve ser também Criador.

Portanto a Inteligência ordenadora é também Criadora. Ademais, esta inteligência não pode ter sido criada, porque seria como qualquer outro ser existente e não ordenaria, mas seria ordenada por outra inteligência.

Por fim, a Inteligência ordenadora deve ser também por si subsistente e infinita. A este ser Criador, Subsistente por si e Infinito, chamamos: Deus.

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