Fórum Social Mundial de Porto Alegre, berço de uma neo-revolução anárquica

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Com o título em epígrafe, foi publicado recentemente um ensaio sobre a nova rede internacional das esquerdas.O II Fórum Social Mundial, a realizar-se de 31 de janeiro a 5 de fevereiro em Porto Alegre, onde estarão presentes corifeus dessas correntes no mundo inteiro, torna a obra da maior atualidade. Apresentamos aos leitores de Catolicismo um resumo desse importante estudo.

As agitações e o quebra-quebra realizados por movimentos de extrema esquerda em Seattle (EUA) e Göteborg (Suécia), e em Gênova (Itália) por ocasião da reunião dos chefes de Estado do G-8, chamaram a atenção da opinião pública mundial para um fenômeno que vinha despontando nos últimos três anos.

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Agitação e quebra-quebra em Gênova (Itália). Uma contestação inusitada e violenta à globalização e à atual ordem econômico-social, rotulada de “neo-liberal”.

É uma contestação inusitada e violenta à globalização e à atual ordem econômico-social, etiquetada de “neoliberal”. Contestação essa levada a cabo por grupos diversos, muitos dos quais não pareciam ter nexo entre si, e outros que até há pouco nem sequer existiam. O conjunto desses agrupamentos mobiliza dezenas de milhares de ativistas contestatários nos vários continentes, à procura de ocasiões propícias para prosseguir sua agitação, que está atingindo auges crescentes.

Bem observado o fenômeno, constata-se que a globalização serve de pretexto para formar, impulsionar e articular tais grupos, que vão constituindo nova, possante e perigosa rede internacional de esquerda de cunho anarquista, cujo pensamento e sistema foi delineado pelas intervenções e documentos publicados no I Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Porto Alegre em janeiro de 2001. Na esteira desse evento, realizou-se igualmente na capital gaúcha, o Fórum Mundial de Educação (FME), em outubro desse mesmo ano.

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O ensaio, objeto deste artigo, denuncia esse esforço mundial para criar uma nova Internacional Comunista, desde já denominada nos meios da esquerda radical de Internacional Rebelde. De fato, é o próprio comunismo que ressurge, porém metamorfoseado. Levando como companheira de viagem a “esquerda católica”, tais forças procuram se recuperar do trauma sofrido com a queda do império soviético, para se reagrupar e passar à ação.

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Chefes de Estado do G-8.

A ocasião é bem escolhida, posto o descontentamento profundo no mundo de hoje com algumas das conseqüências da globalização, como a perda de identidade das nações, o crescente movimento migratório e a penetração dos efeitos das crises econômicas de certos países em muitos outros, por vezes ameaçando transformar-se numa crise geral.

Porém, junto às críticas feitas à globalização, essas forças lançam violentos ataques contra o próprio capitalismo, visando destruir seus fundamentos, que são da própria ordem natural: a propriedade privada e a livre iniciativa.

No dizer dos representantes de tais forças, o combate não é dirigido contra toda forma de globalização, mas contra a globalização capitalista; vêem eles até com simpatia a de índole socialista. Os novos contestatários também querem uma globalização, mas de tipo anárquico-tribal, que absorva as nações, acabe com as autoridades e favoreça as pequenas comunidades autogestionárias, totalmente igualitárias.

O referido ensaio, objeto deste artigo, rejeita o falso dilema, muito repetido pela mídia, de que é preciso optar entre “global” e “não global”. Como veremos, entrar nesse debate tomando posição de um lado ou de outro, sem as devidas ressalvas, já é aceitar o falso dilema e se deixar confundir por ele.

Promotores da agitação antiglobalista

O conteúdo deste artigo, cuja importância e atualidade é desnecessário acentuar, supõe uma explicação sintética preliminar, que apresentamos abaixo, sobre os principais organismos, publicações e líderes da nova rede internacional das esquerdas, à qual já se tem atribuído a denominação Internacional Rebelde. Sem essa conceituação inicial, não seria fácil ao leitor compreender a estrutura, os métodos de ação e os objetivos desse movimento de agitação mundial, que ainda não é bastante conhecido por todos os setores da opinião pública.

  • Fórum Social Mundial — Conjunto de entidades que organiza, entre outras iniciativas, os eventos realizados em Porto Alegre. É formado pela ATTAC, pelo MST, pela CUT, pela COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ da CNBB, pela ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais), pela CIVES (Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania), pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e pela REDE DE JUSTIÇA SOCIAL E DIREITOS HUMANOS.
  • ATTAC (Associação por uma Taxa às Transações financeiras especulativas para Ajuda aos Cidadãos). Entidade francesa, contando com filiais ou entidades similares em 23 países, 15 deles na Europa. De início, a finalidade dessa associação constava em seu título. Hoje visa ela ser “uma universidade popular voltada para a ação”, rearticulando grupos da esquerda em todo o mundo para agir conjuntamente, seja cada um no próprio país, seja mobilizando ativistas para atuar contra os eventos que promovem a globalização, seja para protestar contra esta nas nações que enfrentam crises financeiras.
  • “Le Monde Diplomatique” — Mensário francês esquerdista. São publicadas dele 20 edições em 10 línguas, com uma tiragem total de 1.200.000 exemplares. Sua versão italiana é difundida por “Il Manifesto”, periódico declaradamente comunista. A edição francesa conta só com oito redatores, mas apela para a colaboração de mais de 3.000 esquerdistas espalhados pelo mundo. Seu diretor, Ignacio Ramonet, e seu redator e diretor administrativo, Bernard Cassen, são, sem dúvida, as pessoas de maior projeção tanto da ATTAC quanto do periódico.
  • Noam Chomsky — Um dos mais salientes intelectuais anticapitalistas da atualidade. Declara-se “socialista libertário”, sendo qualificado por seus próprios seguidores como “o mais conhecido dos anarquistas contemporâneos”. Questiona todas as instituições sociais, que define como “opressivas”, e propugna diretamente seu desmantelamento, caso elas não possam provar o contrário. Ademais, postula o sistema autogestionário e combate fortemente a política exterior norte-americana.
  • Toni Negri — Militou nos anos 70 em vários grupos comunistas próximos ao terrorismo. Em vista disso, foi julgado e condenado pela Justiça italiana, por ocasião do seqüestro e assassinato de Aldo Moro. Embora preso, foi eleito deputado, sendo então libertado em virtude da imunidade parlamentar. Quando esta foi eliminada para reconduzi-lo ao cárcere, fugiu para a França, onde se exilou durante vários anos, entrando nessa ocasião em contato com os adeptos do pós-estruturalismo. Conheceu nessa época Michael Hardt, um norte-americano com o qual escreveu a mais conhecida de suas obras, Império. Recentemente, voltou à Itália para cumprir, em regime de semi-liberdade, a pena a que havia sido condenado.

 

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Queima da bandeira norte-americana é freqüente nas manifestações contestatárias da Internacional Rebelde

Os atentados de 11 de setembro criaram um impasse inesperado para os propulsores de tal agitação: objetivamente ou não, boa parte da opinião pública mundial começou a relacionar seus agentes com o terrorismo, dado o caráter violento dessas manifestações, bem como a hostilidade que mostram face ao regime sócio-econômico vigente no Ocidente.

O certo é que a nova ofensiva pode representar para a Civilização Cristã um perigo ainda bem maior, do ponto de vista religioso, político, social e econômico, do que os terroristas do Al Qaeda.

Alertar a opinião pública para esse perigo, indicar suas causas e sugerir os meios para evitá-lo é o objetivo do citado ensaio.

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Plinio Corrêa de Oliveira jamais acreditou que o comunismo — fruto de um secular processo de destruição da Civilização Cristã — tivesse morrido.

Internacional Rebelde: a pretexto de combater a globalização, ataca o capitalismo

Plinio Corrêa de Oliveira jamais acreditou que o comunismo — fruto de um secular processo de destruição da Civilização Cristã — tivesse morrido. Assim como certos rios se afundam na terra, correm subterrâneos e mais adiante voltam à superfície, o comunismo deveria necessariamente reaparecer; não idêntico ao que era, mas metamorfoseado, requintado até. Em 1992, na 4ª edição em português de Revolução e Contra-Revolução, obra magna desse insigne pensador e líder católico, ele aproveitou a ocasião para mostrar que uma neo-Revolução renasceria das cinzas do comunismo. Ao prever as conseqüências do desmantelamento da URSS, afirmou ele:

“Por exemplo, a crescente oposição entre países consumidores e países pobres. Ou, em outros termos, entre nações ricas industrializadas e outras que são meras produtoras de matérias-primas.

“Nasceria daí um entrechoque de proporções mundiais entre ideologias diversas, agrupadas, de um lado em torno do enriquecimento indefinido, e de outro do subconsumo miserabilista. À vista desse eventual entrechoque, é impossível não recordar a luta de classes preconizada por Marx. E daí surge naturalmente uma pergunta: será essa luta uma projeção, em termos mundiais, de um embate análogo ao que Marx concebeu sobretudo como um fenômeno sócio-econômico dentro das nações, conflito este no qual participaria cada uma destas com características próprias?

“Nessa hipótese, passará a luta entre o Primeiro Mundo e o Terceiro a servir de camuflagem mediante a qual o marxismo, envergonhado de seu catastrófico fracasso sócio-econômico e metamorfoseado, trataria de obter, com renovadas possibilidades de êxito, a vitória final?”1.

Assim, com 10 anos de antecedência, Plinio Corrêa de Oliveira descreveu o eixo em torno do qual — a pretexto de globalização — gira a atual confrontação ideológica e moral entre o capitalismo vigente e o pós-capitalismo emergente.

O I Fórum Social Mundial de Porto Alegre: ressurge a luta de classes em novas bases

Em janeiro de 2001, teve lugar — como Catolicismo o deu a conhecer a seus leitores, na edição de março desse ano — o I Fórum Social Mundial de Porto Alegre (FSM), convocado como desafio alternativo ao conhecido Fórum Econômico Mundial de Davos. O que levou Ignacio Ramonet a intitular sua coluna editorial em “Le Monde Diplomatique”: Davos? Não, Porto Alegre.

A luta de classes Norte/Sul e a reconstrução da utopia socialista tinham, de fato, recomeçado sob um falso dilema: pró ou contra a globalização. O slogan adotado pelo FSM já o enunciava: “Um outro mundo é possível”.

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Barricadas nas ruas em maio de 68

O ensaio põe em realce o papel desempenhado pelo evento de Porto Alegre nessa ofensiva, bem como o de seus principais promotores: a associação francesa Attac, hoje expandida por numerosos países; o mensário parisiense “Le Monde Diplomatique”, igualmente com edições e ecos em múltiplas nações; e proeminentes membros da esquerda católica brasileira.

Para os agitadores, o fracasso do socialismo de Estado de tipo marxista não invalida outras formas possíveis de socialismo radical: vida comunitária, democracia direta, autogestão das empresas. Reabilita até as teorias anarquistas de Mikhail Bakunin.

Ademais, esse socialismo anárquico assume as lutas do novo proletariado, saído das barricadas da Revolução da Sorbonne de maio de 1968: as ofensivas do feminismo, a defesa de pseudo-direitos das minorias sexuais, a promoção de estilos de vida alternativos, a liberalização da droga e as causas de todos os chamados excluídos.

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Uma das sessões plenárias do Fórum de Porto Alegre, realizado em janeiro de 2001

A Internacional Rebelde, ameaça real; papel vital da “esquerda católica”

Assim, a Internacional Rebelde deve ser vista sob dois ângulos distintos e complementares.

De um lado, enquanto reedita os erros do comunismo clássico, ela constitui uma força essencialmente contrária à propriedade privada e à livre iniciativa, portanto anticapitalista, procurando exacerbar o confronto Norte-Sul.

De outro lado, traz elementos novos, carreados por movimentos ecológicos, indigenistas e outros, que já falam de anarquia, caos e misticismo revolucionário. O que, embora menos definido nos documentos da nova Internacional, é entretanto o que lhe confere mais dinamismo e capacidade de arrastar as suas bases.

No espectro da esquerda atual, esse neocomunismo, mesmo em ascensão, por ora é minoritário, por vezes até marginal. E não tem ainda força política para impor sua agenda aos partidos da esquerda clássica, como o PT brasileiro, o PS francês, o SPD alemão, o PSOE espanhol etc., nos quais os novos anarquistas exercem influência importante, mas não decisiva.

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Pe. Joseph Comblin, expoente da Teologia da Libertação

Porém, aproveitando a onda contrária à globalização e propondo medidas para sabotar o seu processo, poderá tal neocomunismo ganhar força para integrar e até pilotar uma Frente Ampla, com vistas a influenciar os acontecimentos no sentido anarquista. E poderá até — em meio a eventuais conflitos sociais graves — vir a assumir o poder em algumas áreas. É o que, por exemplo, deseja para América Latina um promotor radical da Teologia da Libertação, o Pe. Joseph Comblin, cujas teses são amplamente analisadas no ensaio.

O respaldo religioso é vital para o neocomunismo tentar sua aventura, sobretudo hoje em dia, em que um ressurgimento religioso na juventude surpreende os observadores, após mais de um século de inclemente propaganda atéia.

As esquerdas infiltraram-se largamente nos meios religiosos, inclusive — dói dizê-lo — na Santa Igreja Católica, baluarte natural contra o socialo-comunismo por sua missão, sua doutrina, sua tradição e sua estrutura divinamente inspiradas. Nela foi realizado um trabalho demolidor tão meticuloso e geral, de tudo quanto resistia à investida marxista, que, sob esse aspecto, pouca coisa resta de pé.

Isto nos faz pensar nas palavras de Paulo VI sobre o processo de “autodemolição” da Igreja”2 e a penetração da “fumaça de Satanás” no Templo de Deus3.

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Ignacio Ramonet, diretor do mensário “Le Monde Diplomatique”, é uma espécie de mentor intelectual do novo movimento

Contestatários unem-se numa Internacional para a “guerra social planetária”

O embrião da V Internacional — a Internacional Rebelde — vincula-se a diversos grupos e pessoas de esquerda, entre os quais se projetam Ignacio Ramonet — diretor do mensário “Le Monde Diplomatique”, uma espécie de mentor intelectual do novo movimento — e sua equipe.

Ramonet afirma que os ativistas sociais “deram impulso ao que pouco a pouco acabou sendo uma nova guerra social planetária”, na qual, “apesar da heterogeneidade das reivindicações, uma convergência efetiva se produz entre os camponeses, sindicatos operários, grupos ecologistas, novos movimentos de ação cidadã como Attac, organizações feministas, grupos de defesa dos direitos dos indígenas, aos quais se soma uma nova geração de jovens militantes que aportam um entusiasmo novo”.

“Nunca havia se produzido — diz ele — uma convergência de tal envergadura. Face ao rolo compressor da globalização, unem-se movimentos e organizações ligados a classes diferentes e a setores muito díspares, de trajetórias diferentes e posições ideológicas contrastantes”.

E profetiza : “Ainda não existe uma Internacional de protesto contra a globalização, mas já se escuta em todo o planeta este grito forte: Contestatários de todo o mundo, uni-vos!”4.

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Bernard Cassen, editor-chefe do “Le Monde Diplomatique” afirma: “O que aconteceu na capital gaúcha constitui uma verdadeira virada”, que confirma “a perspectiva de se ver constituir-se o embrião de uma verdadeira Internacional rebelde”.

Por sua vez, em artigo para esse mensário francês, Bernard Cassen afirma: “O que aconteceu na capital gaúcha constitui uma verdadeira virada”, que confirma “a perspectiva de ver constituir-se o embrião de uma verdadeira Internacional rebelde”5.

Plinio Arruda Sampaio, três vezes deputado federal e hoje editor da revista “Correio Cidadão”, previu o resultado do Fórum Social Mundial: “O objetivo de Porto Alegre é dar os primeiros passos para construir uma frente internacional, uma espécie de `quinta internacional’, a mais ampla possível, em nada rígida nem vertical como as quatro primeiras”6.

Obviamente, além de propagandistas na mídia de esquerda, o movimento contestatário tem gurus que explicitam para suas bases mais pensantes os fins próximos, médios e remotos, e que nisto são intensa e artificialmente prestigiados pela mídia internacional. Os principais são hoje o norte-americano Noam Chomsky e o italiano Toni Negri.

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Noam Chomsky

Noam Chomsky: o “guru” dos novos movimentos anticapitalistas e do desmantelamento do Estado

Chomsky é o mais conhecido dos anarquistas contemporâneos e uma das estrelas do movimento antiglobalização. Quais são as idéias que o fazem tão incensado pelas esquerdas?

Em matéria de organização econômica, seu socialismo libertário se opõe tanto à propriedade privada e ao salário quanto ao socialismo de Estado, porque ambos são contrários ao “princípio de que o trabalho deve ser empreendido livremente e estar sob o controle do próprio produtor”.

Para Chomsky, a essência do socialismo consiste em “transformar os meios de produção na propriedade de produtores livremente associados….. Essa apropriação deve ser direta, e não exercida por uma força elitista agindo em nome do proletariado”. Assim, haveria um governo autogestionário facilitado pelas novas tecnologias: “Os trabalhadores podem perfeitamente tomar a seu cargo seus próprios assuntos de modo direto e imediato”7.

Percebendo, talvez, que essas concepções são quiméricas para a sociedade como conjunto, em especial se esta é industrial e globalizada, ele não dá detalhes a respeito da sociedade anárquica que deseja. E não acredita que deva haver uma particular tática política. As soluções só podem ser reais e concretas.

Chomsky vê o colapso da URSS como uma grande perspectiva que estaria atraindo para o anarquismo os esquerdistas decepcionados com o fracasso da experiência autoritária do comunismo. Tal visão leva-o a reabilitar Bakunin e seus seguidores.

Toni Negri entronizado como o Marx do novo milênio

A onda anarquista também promove outro intelectual-vedette, o italiano Antonio Negri, intensamente elogiado pela imprensa. O “The New York Times” citou conhecidos professores que apontam Império — obra conjunta dele e do americano Michael Hardt — como “uma reelaboração do manifesto comunista para a nossa época …. a nova e grande síntese teórica do novo milênio”.

Ao falar das correntes migratórias, Negri e Hardt profetizam: “Uma nova horda nômade, uma nova raça de bárbaros emergirá para invadir ou evacuar o Império”8, ou seja, no fundo destruir a civilização. Esses novos bárbaros da multidão global devem tornar real a anarquia. Eles constituirão “um corpo completamente incapaz de se submeter ao comando, um corpo incapaz de se adaptar à vida familiar, à disciplina fabril, às regras de uma vida sexual tradicional etc.”9 Mas esse é apenas “o começo da política liberadora”10.

O limiar do novo mundo será cruzado quando “a auto-valorização, a convergência cooperativa dos indivíduos e a administração proletária da produção se tornem um poder constituinte …. Este é o momento fundacional de uma forte cidade terrena, distinta de toda cidade divina”11. E na esperança de verem realizados seus sonhos libertários, Negri e Hardt exprimem a “irreprimível alegria e prazer de sermos comunistas” 12.

Denúncia inspirada no amor à Civilização Cristã

Em 1864 foi fundada a Primeira Internacional por um punhado de intelectuais e sindicalistas comunistas. Meio século mais tarde, cavalgando correntes moderadas e aproveitando as turbulências de uma grande crise, os comunistas apossaram-se do poder na Rússia e instauraram o maior e mais sangrento império que a humanidade tenha conhecido.

Muitos dessa Internacional Rebelde sonham com a repetição de tal golpe, ainda que seja num futuro remoto. O certo é que, desde já, todos eles mobilizam-se, reúnem-se e se estruturam para isso. É preciso que a opinião pública seja alertada sobre esse perigo. De qualquer maneira, o católico lúcido e fervoroso não pode aprovar que o processo de “globalização” vá erodindo gradualmente a soberania das nações, condição para a liberdade e o reto desenvolvimento dos povos. A alternativa entre global e não global deve, portanto, ser recusada como falsa. Mas deve optar pelo ideal de Cristandade. Tender para ele, no fundo de sua alma, e desejar ardentemente que a Providência Divina encaminhe as coisas de modo tal que a Civilização Cristã possa vir a ser restaurada na sua plenitude em dias melhores, como afirmou São Pio X: “A civilização não mais está para ser inventada, nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe; é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos” 13.

A Santa Igreja Católica, ao ser fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, trouxe em si também as sementes de uma sociedade temporal cristã. Esta nasceu, desenvolveu-se e deu frutos abundantes no passado 15. Por que não poderia produzi-los no futuro? A natureza social do homem como Deus o fez — e não como os utópicos o querem —, regada pela graça divina, tem possibilidades enormes de florescer em todos os tempos e lugares. Até onde poderá desdobrar-se organicamente em qualidades, a partir do espetacular triunfo do Imaculado Coração de Maria, previsto em Fátima por Nossa Senhora?


Os novos contestatários retomam a bandeira negra do anarquismo, como o fizeram os revolucionários da Sorbonne (foto à direita), e procuram ir além de Marx e Lenine, acrescentando elementos de ecologismo tribalista.

Com o slogan “um outro mundo é possível”, promove-se a destruição da civilização

Analisados os elementos teóricos e práticos do mundo pós-capitalista que essa Internacional tem em vista — autogestão, subconsumo miserabilista, democracia direta, ecologismo extremo, indigenismo etc. — vê-se que há um desígnio de implantar uma República Universal, com pequenas comunidades autogeridas à maneira das tribos indígenas, para atingir a qual os agitadores praticam a violência em larga escala e a “esquerda católica” fornece decisivo apoio, apesar da impopularidade de tal programa.

Ao lançar-se não apenas contra os males da globalização, mas contra os próprios fundamentos do capitalismo — a propriedade privada e a livre iniciativa, direitos essenciais da pessoa humana — os novos contestatários procuram destruir o pouco que ainda resta do edifício sagrado da Civilização Cristã de outrora. E retomam a bandeira negra do anarquismo, procurando ir além de Marx e de Lenine, num misto de comunismo e ecologismo que parece exalar do fundo dos infernos.

Em seu avanço, os novos contestadores procuram completar e radicalizar a demolição — que os globalizantes já iniciaram — das autoridades legítimas e das estruturas naturais, desde a família até o Estado, passando pelos corpos intermediários orgânicos, como grupos sociais, municípios, regiões, etc.

É premente, pois, uma forte vigilância face ao perigo que esta neo-revolução representa para os restos de civilização no nosso conturbado início de milênio, perigo que não está tanto na força dos que a promovem quanto na passividade dos que são ameaçados. Os que impulsionam o neocomunismo anárquico, e os que o seguem por convicção, são uma pequena minoria; mas todas as revoluções foram desencadeadas por minorias organizadas e aguerridas, que acabam dominando as maiorias…

Os autores do ensaio não aceitam a tirania dessas minorias, e por isto também não permanecem passivos face à sociedade ocidental tal qual ela é hoje, com seus desequilíbrios, injustiças, frenesis e quimeras. E ante a pergunta de se “um outro mundo é possível”, tem uma resposta que é corolário da Fé.


Uma das sessões plenárias no I Fórum Mundial Social de Porto Alegre

Nem Davos nem Porto Alegre, mas Civilização Cristã!

Das tribunas da mídia e dos que se aplicam a modelar a opinião pública, surge a apresentação simplista da realidade, que reduz tudo a uma opção entre duas versões da globalização: a mercantilista e a comuno-anárquica.

De um lado está o partido de Davos, reunindo os que desejam estender ainda mais uma globalização capitalista impulsionada a partir da cúpula financeira internacional, que sonha com a utopia de um mundo extasiado nas delícias da vida; de outro lado está o partido de Porto Alegre, aparentemente sem centro motor, exigindo uma globalização sob a ótica dos “excluídos”, apetente dos pesadelos em que confluem a miséria, o primitivismo e a degradação moral.

A globalização davosiana encaminharia a sociedade para um “paraíso” técnico de hiper-produção dirigida, transformando o mundo num gigantesco shopping-center, no qual cada indivíduo teria possibilidades ilimitadas de consumo e de prazer. E a globalização porto-alegrense levar-nos-ia ao “paraíso” das pequenas comunidades rurais à maneira de tribos indígenas, de vida frugal num regime de mera subsistência, com longas horas de ócio, sem autoridades nem desigualdades, pois tudo seria decidido por consenso, se não por uma estranha inspiração mística que faz lembrar os pajés e as sibilas.

Em ambas as opções, como denominador comum entre elas, nota-se uma sensualidade desbragada, permitindo e até incentivando todo prazer sexual, natural ou contra a natureza, como a proclamar, por sua linguagem brutal e degradante, que os direitos do homem são os direitos da carne.

Tudo nos é apresentado como se, no mundo atual, não houvesse lugar para outra alternativa senão a de seguir uma dessas duas formas de globalização, aparentemente antagônicas, mas que na verdade reduzem-se a prometer uma pseudo-felicidade puramente material e terrena, em oposição à Lei de Deus.

A um católico autêntico, colocado diante desse dilema, o que dizer?

Em primeiro lugar, que é uma falsa alternativa, pois o Evangelho, divinamente interpretado pela doutrina tradicional da Igreja, convida o homem, sob o influxo da graça, a aperfeiçoar a si próprio e a natureza, a desenvolver a cultura e a civilização, a ciência e a tecnologia, caminhando nas vias do progresso. Um progresso que não é única nem predominantemente material, mas progresso em que a alma humana, mais ainda do que o corpo, encontra seu bem-estar na prática das virtudes cristãs, e que concebe a vida nesta Terra como um estágio de prova para alcançar a vida eterna no Céu.

A sociedade humana, assim entendida como um reflexo imperfeito — mas real e imensamente atraente, e nunca frustrante — do convívio celeste, é o que de mais próprio pode haver para aquietar e satisfazer, tanto quanto é possível nesta vida, as aspirações dos homens, vistos na reta ordenação de seu ser.

Exemplo histórico de um esplêndido início de progresso nessa direção foi a Civilização Cristã medieval, tão elogiada pelos Papas14, que tornou a Europa o continente líder do mundo, e cujo caminhar se viu infelizmente truncado pelo processo revolucionário, mas da qual ainda hoje subsistem restos esplendorosos.

A Civilização Cristã é possível e desejável

Assim, o verdadeiro caminho para melhorar as condições de vida dos necessitados, como para ordenar toda a sociedade, não está em “revoluções pseudo-messiânicas” que visam, na verdade, implantar um igualitarismo desumano e antinatural, com a desculpa de acabar com a pobreza: “Pobres, sempre os tereis entre vós” (Jo 12,8), disse Nosso Senhor increpando Judas.

Tal melhoria das condições de vida dos necessitados é altamente desejável e deve ser procurada. Mas ela só é obtenível por meio de uma verdadeira evangelização cristã, como a realizada por muitos Santos, bem como através da ação civilizadora da Igreja. É a partir da educação religiosa e moral dos povos que a própria sociedade temporal poderá beneficiar a todos, cada um a seu modo. “Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e o resto vos será dado por acréscimo” (Lc 12,31).

Reencetar essa via é possível neste início de milênio? É como perguntar: este homem, cuja cabeça e cujo coração estão invadidos por um câncer, pode ainda vir a gozar de boa saúde? A resposta só pode ser: se houver meio de extrair totalmente esse câncer, sim; se não houver meio, não. Os que procuram, na sociedade atual, encontrar solução na promoção de regimes neopagãos — sem cortar, e até estimulando o câncer revolucionário anticristão — assemelham-se aos que crêem ser possível curar o doente grave com antidepressivos, ou diretamente com veneno.

A pergunta então se desloca, e não se pode recuar diante dela: é possível ainda extrair o câncer revolucionário da sociedade atual? Ou o grau de expansão do mal já é de tal monta, que o doente está desenganado?

Se considerarmos a sociedade como trabalhada unicamente por mãos humanas, não há solução possível. A podridão foi longe demais! Estamos chegando já ao caos, à falta de lógica e de razão, tanto nas atividades públicas quanto nas dos particulares, em meio às ruínas do edifício da Civilização Cristã, e tendo como espectadores populações aturdidas e inertes.

Mas se tivermos em vista o fato de a Providência Divina nunca abandonar os que a Ela recorrem confiantes e filialmente, e que a ação sobrenatural pode fazer-se sentir em profundidades insuspeitadas, não só das almas individualmente consideradas, como também do tecido social, então todas as esperanças são possíveis.

Esperanças que, em nenhum momento, autorizam-nos a cruzar os braços ou cessar a luta, pois Deus não ajuda os preguiçosos; pelo contrário, a vitória é concedida aos que batalham valorosamente.

*Os autores do mencionado ensaio são: Gregorio Vivanco Lopes, colaborador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade _ TFP, e José Antonio Ureta, pesquisador da Société Française pour la Défense de la Tradition, Famille et Propriété — TFP.

*   *   *

Notas:

1Revolução e Contra-Revolução, Artpress, São Paulo, 4ª ed., 1992, pp. 156-157.

2Alocução ao Seminário Lombardo, 7-12-1968.

3Sermão de 29-12-1972.

4Cfr. Ignacio Ramonet, ¡Protestatarios del mundo, uníos!, “El País”, Madri, 24-6-2001.

5Cfr. “Le Monde Diplomatique”, Paris, janeiro de 2001.

6Cfr. Sérgio Ferrari, Le Sud fait la fête à Porto Alegre, in “Le Courrier”, Genebra, 25-1-2001.

7Cfr. Sobre la sociedad anarquista, Conversación con Peter Jaysite do sindicato anarquista espanhol CNT.

8Michael Hardt e Antonio Negri, Império, tradução para o português de Berilo Vargas, Editora Record, Rio-São Paulo, 2001, p. 233.

9Idem, p. 236.

10Idem, p. 224.

11Idem, p. 435.

12Idem, p. 437. Esta é a frase que conclui a obra Império.

13São Pio X, Carta Apostólica sobre `Le Sillon’.

14Cfr. Leão XIII, Encíclica Immortale Dei.

Extraído da Revista Catolicismo, fevereiro de 2002

4 COMENTÁRIOS

  1. estou mandando aqui umas referencias para estudos meus irmãos católicos

    Esta cronologia apresenta uma seqüência dos eventos bíblicos e extrabíblicos que refletiram sobre a formação do cânon da Bíblia, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Afirma-se por aí que dois pesquisadores da Bíblia não conseguem concordar sobre uma cronologia apostólica… Com efeito, a cronologia que apresentamos aqui é aceitável para alguns, mas não pode ser considerada “universal”. Serve apenas para fornecer pontos de referência para os eventos que se sucederam e suas conseqüências [sobre o cânon das Escrituras].

    EVENTO DATA OBRA
    Pregação de João Batista 27
    Vinda do Espírito Santo sobre a Igreja 30
    Estêvão é martirizado por lapidação 36/37
    Conversão de Paulo e sua primeira viagem missionária 45/49
    Concílio [Apostólico] de Jerusalém 50
    Segunda viagem missionária de Paulo 50/52
    51 1ª e 2ª Epístolas aos Tessalonicenses
    Terceira viagem missionária de Paulo 53/58
    54-57 Epístola aos Gálatas
    57 1ª e 2ª Epístolas aos Coríntios
    58 Epístola aos Romanos
    Viagem [de Paulo] a Roma 59/60
    1ª prisão de Paulo em Roma 61-63
    Epístola a Filemon
    Epístola aos Colossenses
    Epístola aos Efésios
    Epístola aos Filipenses
    Epístola de Tiago
    65 Evangelho de Marcos
    1ª Epístola a Timóteo
    Epístola a Tito
    O apóstolo Tiago é martirizado. Paulo é levado para Roma 63/64
    Pedro em Roma (Pedro é o primeiro Bispo de Roma) 64 1ª Epístola de Pedro
    2ª prisão de Paulo e martírio 67 2ª Epístola a Timóteo
    Morte de Pedro. Lino é Bispo de Roma Epístola aos Hebreus
    Destruição de Jerusalém 68-70
    70s Evangelho de Mateus
    Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos
    Anacleto é Bispo de Roma 78
    70s/90s Epístola de Judas
    90s Evangelho de João
    1ª, 2ª e 3ª Epístolas de João
    Livro do Apocalipse
    Clemente é Bispo de Roma 92-101 1ª Epístola de Clemente
    Morte do [apóstolo] João em Éfeso 98
    Sínodo dos rabinos/judeus em Jâmnia 99-100 Cânon palestinense em hebraico
    1º Cânon Cristão do Antigo Testamento c. 100 Cânon alexandrino em grego
    100-125 2ª Epístola de Pedro
    Didaqué
    Melitão, bispo de Sardes c. 170 Primeira tentativa cristã conhecida de relacionar o cânon do Antigo Testamento. Melitão lista os livros do AT segundo a ordem da Septuaginta, mas apresenta apenas os protocanônicos do AT, com exceção de Ester.
    Ireneu, bispo de Lião 185 Apresenta um cânon do Novo Testamento (sem 3João, Tiago e 2Pedro)
    c. 200 Fragmento de Muratori apresenta um cânon semelhante ao do [Concílio de] Trento
    Eusébio, bispo de Cesaréia c. 325 Escreve a “História Eclesiástica”; refere-se a Tiago, Judas, 2Pedro e 2-3João como “controversos, ainda que aceitos pela maioria”
    Concílio [Regional] de Laodicéia c. 360 Apresenta um cânon de livros semelhante ao de Trento
    Papa Dâmaso 382 Decreto listando os livros canônicos, da mesma forma que em Trento
    Concílio [Regional] de Roma 382 Aceitação do decreto de Dâmaso
    Concílio [Regional] de Hipona (norte da África) 393 Aprovado um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento)
    Concílio [Regional] de Cartago (norte da África) 397 Aprovado um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento)
    Exupério, bispo de Toulouse 405 Escreve ao papa Inocêncio I pedindo uma lista dos livros canônicos. Papa Inocêncio oferece uma lista idêntica ao cânon de Trento

  2. PARABÉNS AMIGO ISAYAS VAMOS JUNTOS NA CAMINHADA VAMOS COLOCAR ESSAS MENSAGENS EM ORKUT PASSAR PARA CATEQUESE PASTORAIS VAMOS JUNTOS MOSTRAR A GRANDEZA DA ÚNICA IGREJA VERDADEIRA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

    OLHA VOU TI A EUCARISTIA É BÍBLIA E OS PROTESTANTES A NEGAM VEJA ESSE ARTIGO

    A Igreja Católica localiza as origens da Eucaristia nas ações e palavras do próprio Jesus Cristo, tal como foram registradas nos três Evangelhos sinóticos, no Evangelho de João e nos escritos de São Paulo, no Novo Testamento. O Uso do pão e vinho como oferenda começa ainda sob a Antiga Aliança e é descrita no Livro do Gênesis:”E Melquizedeque, rei de Salem, trouxe pão e vinho; ele era sacerdote do Deus Altíssimo”.Gênesis 14,18

    Ao iniciarem o êxodo do Egito, os judeus comeram pão sem fermento (Êxodo 12,15), o que foi necessário por causa da pressa deles em fugir; e eles continuam até hoje a honrar essa memória com pão sem fermento, quando eles celebram a Páscoa. O último “cálice de bênção” ao término da refeição de Páscoa era um cálice de vinho que celebrava o fato de Deus haver abençoado Seu povo escolhido, o qual abençoaria novamente em algum dia em Jerusalém. Eles comeram maná – pão enviado do Céu – enquanto vagavam no deserto à procura da Terra Prometida, à qual finalmente chegaram, Deus lhes havia prometido. Depois que eles perderam sua terra, por causa de seu fracasso continuado no sentido de obedecer aos Mandamentos de Deus, foram-lhes enviados profetas, que predisseram que um Messias seria enviado por Deus, um salvador que os devolveria ao seu lugar original de honra perante Deus. Ele chegou há aproximadamente 2.000 anos atrás.

    A vida de Jesus começou em Beth-Lechem …a Casa do Pão (Mateus 2,1). Seu primeiro milagre público ocorreu numa festa de casamento em Canã (João 2,2-5), onde Ele transformou água em vinho, em resposta a um pedido de sua Mãe. Com o milagre da multiplicação dos pães (Mateus 14:14-20), ao Jesus abençoar os pães e distribui-los, Ele prefigurou a superabundância de pão sem igual que viria a ser Sua Eucaristia. Depois de ensinar e curar os doentes e operar outras maravilhas nas colinas da Galiléia, Jesus tinha desenvolvido um grande número de partidários, com muitos discípulos. Foi na sinagoga de Cafarnaum, por época do banquete de Páscoa, que Jesus começou a descortinar a natureza de Sua Eucaristia aos que O seguiam:”Esforçai-vos, não pelo alimento que se estraga, e sim pelo alimento que permanece até à vida eterna. É este o alimento que o Filho do homem vos dará, porque Deus Pai o marcou com seu selo”. (João 6,27)

    Quando os seguidores dele perguntaram sobre a natureza deste alimento eterno, Jesus respondeu:”Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim já não terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (João 6,35)

    Quando eles ouviram esta afirmação, alguns de seus seguidores começaram a murmurar entre si, pois sabiam que Ele era apenas um carpinteiro, o filho de José. Como poderia este homem ser o pão da vida? Mas Jesus insistiu, explicando-se a eles:”Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. (João 6,51)

    Este comentário trouxe real consternação a vários dos que o tinham seguido. Ele estava afirmando que eles deveriam comer sua carne, um ato inconcebível. Se as palavras dele estavam sendo mal interpretadas, se eles estivessem enganados de qualquer forma, então Jesus teria corrigido seu engano… mas Ele não o fez. Ao invés, Ele ainda enfatizou novamente o significado já apreendido, ao afirmar:”Em verdade, em verdade eu vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele.” (João 6,53-56)

    Muitos dos que o ouviram afirmar isso não puderam aceitá-lo, ainda que Ele o explicasse e esclarecesse suas declarações três vezes, tentando corrigir sua falta de compreensão e repugnância no sentido de aceitar Suas palavras. Ele tentou novamente uma quarta aproximação, para lhes ajudar a compreender o que Ele queria dizer:

    “O espírito é que dá a vida. A carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.” (João 6,63)

    Depois disto, muitos dos que tinham estado seguindo escolheram afastar-se. Ele tentou quatro vezes ensiná-los e ao fim só alguns aceitaram. Por que eles não compreenderam Jesus, como muitos ainda não o compreendem depois de 2.000 anos? Provavelmente porque eles não entenderam que aquele Jesus era a conclusão da Páscoa começada no Egito mais de mil anos antes. Ele era a Nova Aliança, o Prometido – o Messias – mas Ele não se ajustava ao conceito contemporâneo de como o Messias deveria ser. A Páscoa do Egito foi comemorada com uma refeição – pão sem fermento, cordeiro e vinho compartilhados – e Jesus tinha vindo dar-Se-lhes como o último Pão e Cordeiro, uma comida a ser consumida por todos os que desejassem escapar ao anjo da Morte.

    Durante o ritual do banquete de Páscoa, quatro diferentes taças de bênçãos eram consumidas junto com o pão sem fermento e o cordeiro. O cordeiro era escolhido e depois morto sem que se quebrassem quaisquer de seus ossos; e então era cozido e comido para renovar o laço de comunhão entre Deus e seu povo escolhido. O sangue do cordeiro, aspergido na soleira de cada casa, era colocado lá como um sinal ao anjo da Morte para ignorar a casa marcada e assim proteger os primogênitos da casa. Jesus veio consumar a Páscoa, de forma que todos poderiam passar da morte à vida eterna. E, da mesma maneira que os judeus da época de Moisés tiveram que comer o pão não-levedado e o cordeiro sacrificial para renovar sua comunhão com Deus, assim todos os seguidores de Cristo estavam sendo convidados a comer o corpo e beber o sangue do novo cordeiro de Deus (Jesus) para renovar sua comunhão com Ele e serem marcados com o sinal de vida eterna.

    Jesus instituiu sua Eucaristia na Páscoa, para marcar sua passagem da morte para a Ressurreição e a vida eterna. Foi nestes palavras que Jesus instituiu Sua Eucaristia:Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e pronunciou a bênção. Depois, partiu o pão e o deu aos discípulos, dizendo:”Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando um cálice, depois de dar graças, deu-lhes, dizendo: “Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, derramado por muitos, para o perdão dos pecados”. (Mateus 26,26-28)

    Jesus afirmou claramente que Ele estava dando para seus seguidores Seu corpo e sangue. Não foi uma metáfora, como muitos dos seus seguidores de Cafarnaum teriam gostado acreditar – era realmente Ele. Mas teriam seus discípulos verdadeiramente acreditado que ali estavam o corpo e sangue de Jesus? São Paulo testemunha as convicções dos primeiros discípulos de Jesus:”Assim, pois, quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo e então coma do pão e beba do cálice; pois aquele que, sem discernir o corpo [do Senhor], come e bebe, sua própria condenação.” (1 Coríntios 11,27-29)

    São Paulo não era o único dentre os primeiros seguidores de Jesus a descrever esta convicção e prática. Dúzias escreveram sobre isto nos primeiros cem anos de existência da Igreja. Esta convicção na Real Presença de Jesus na Eucaristia permanece até hoje na Adoração católica e na teologia. A compreensão católica da Real Presença de Jesus na Eucaristia é diferente das outras denominações Cristãs, que tendem a encarar a Comunhão Eucarística como um memorial simbólico, ao invés de uma realidade, real transubstanciação.

    Talvez o melhor modo da mente moderna aproximar-se ao mistério da Eucaristia seja a analogia. Eis uma analogia que poderia ajudar-nos a abrirmo-nos até a graça insondável que Jesus dá a cada um de nós na Eucaristia:

    Suponhamos que você tenha uma hóstia de pão e a exponha a uma fonte de radiação não-visível, subatômica, durante um minuto. O pão não pareceria igual ao que era antes da exposição? Saiba que nada detectável por seus sentidos aconteceu quando o pão foi exposto à radiação …Entretanto, sabemos e reconhecemos que agora o pão não está igual ao que era antes. Ele modificou-se ao nível atômico e há alguns átomos radioativos participando parte de sua substância agora. Porém, a mudança que aconteceu só pode ser percebida com instrumentação especial, capaz de estender o alcance de nossas percepções sensíveis. Se você vivesse há duzentos anos atrás, por exemplo, você não poderia averiguar qualquer mudança no pão e provavelmente duvidaria da sanidade de quem afirmasse que o pão mudara!! Mesmo assim, ele REALMENTE foi mudado. Se você comesse desse pão, poderia até mesmo sentir náuseas em vista da radiação!

    Na Eucaristia que Jesus nos deu, opera-se uma mudança muito mais profunda: o pão e o vinho REALMENTE são mudados no corpo e sangue de Jesus. Podemos perceber isso apenas com nossa percepção sensível? Não. Nós precisamos de algo além de nossas sensações para determinar que realmente existe diante de nós. Esse extensor de nossas sensações é a Fé, uma fé e confiança em Jesus que acredita no que Ele diz, até mesmo que pão e vinho comuns possam ser mudados no corpo e sangue de Jesus …o que Ele afirma em suas próprias palavras, registradas nos Evangelhos, claramente em quatro diferentes ocasiões!

    VEJA AMIGO ISAYAS

    VERSÍCULOS E REFERENCIAS BÍBLICAS SOBRE A EUCARISTIA

    Jo 6, 54-55: (Eucaristia, presença real x paozinho simbólico e doutrinas variadas)

    (50) Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
    (51) Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
    (52) A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
    (53) Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.
    (54) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
    (55) Pois a minha carne é * verdadeiramente * uma comida e o meu sangue, * verdadeiramente * uma bebida.

    E tem mais…1Cor 11,27 e 28:
    (28) “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor.”
    Ora, como alguém pode ser culpável do corpo do Senhor e comer sua própria condenação, se fosse apenas pão?

    (29) “Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.”

    Lc 22,19-20:
    (19) Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto É o meu corpo, que é dado por vós, fazei isto em memória de mim.
    (20) Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós…

    Leia bem esse trecho:

    (29) “Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.”

  3. AMIGO ISAYAS PARABÉNS OLHA EU VOU TI PASSAR PARA ESTUDO O NOME DE ALGUNS PADRES DA IGREJA E DE ALGUNS BISPOS DO PRIMEIRO E SEGUNDO SÉCULO OLHA ISAYAS TODOS ESSES NOMES QUE EU VOU TI PASSAR FORAM DE PESSOAS PERTENCENTES A IGREJA CATÓLICA E QUE FORAM ESCRITORES FILÓSOFOS E APOLOGISTAS E QUE NASCERAM E MORRERAM SEM NEM MESMO CONSTANTINO TER NASCIDO VOCÊ SABE NÉ TEM DOENTES E RETARDADOS MENTAIS QUE TEM A BLASFÊMIA E OUSADIA DE DIZER QUE FOI CONSTANTINO QUE FUNDOU A IGREJA RSRSRS

    ANOTE AÍ ISAYAS OS NOMES DELES SAIBAS QUE TODOS ESSES NOMES POSSUEM OBRAS E ESCRITOS COM FONTE HISTÓRICA VERÍDICA E CONCRETIZADA

    ANOTE AÍ

    Metódio de Olimpo (sec.III) padre da igreja

    São Serapião de Antioquia era Patriarca de Antioquia (191-211)

    São Firmiliano (feleceu no ano 268 da era cristã)

    São Gregorio Taumaturgo (faleceu no ano 268 da era cristã)

    São Cornélio (faleceu no ano 253 da era cristã)

    São Dionísio (faleceu no ano 268 da era cristã)

    Novaciano (faleceu no ano 257 da era cristã)

    São Panteno De Alexandria feleceu no ano 200 da era cristã)

    o Clemente de Roma (nasceu no ano 30 e faleceu no ano 102 da era cristã),

    Santo Inácio de Antioquia (nasceu no ano 35 e faleceu no ano 110 da era cristã)

    Aristides de Atenas falecido no ano 130 da era cristã) foi um dos primeiros apologistas cristãos; obra conhecida Apologia de Aristides.

    São Policarpo (nasceu em 69 e faleceu no ano 156 da era cristã)

    Hermas (faleceu no ano 160 da era cristã)

    Didaquè (ou Doutrina dos Doze Apóstolos) é como um antigo catecismo, redigido entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia. Traz no título o nome dos doze Apóstolos. Os Padres da Igreja mencionaram-na muitas vezes em suas obras.

    São Justino (nasceu no ano 100 e faleceu no ano 165 da era cristã)

    Santo Hipólito de Roma (nasceu em 160 e faleceu no ano 235 da era cristã)

    Melitão de Sardes (falecido no ano 177 da era cristã)

    Atenágoras (falecido no ano 180 da era cristã)

    São Teófilo de Antioquia (nasceu no ano 120 e faleceu no ano 180 da era cristã)

    Santo Ireneu de Lyon(nascido no ano 130 e faleceu no ano 202 da era cristã)

    São Clemente de Alexandria (falecido no ano 215 da era cristã)

    Orígenes (nasceu no ano 184 e faleceu no ano 254 da era cristã)

    Tertuliano de Cartago (nasceu no ano 160 e faleceu no ano 220 da era cristã)

    São Cipriano (faleceu no ano 258 da era cristã)

    Zeferino falecido no ano 217 da era cristã)

    Urbano nascido no ano 175 e faleceu no ano 230 da era cristã)

    PAPÍAS nasceu no ano 60 e faleceu no ano 130 da era cristã )

    Abercius San Abercius
    Bispo de Hierapolis falecido no ano 167 da era cristã

    MARCO MINUCIO FELIX
    (nasceu no ano 150 e faleceu no ano 215 da era cristã)

    TACIANO (nasceu no ano 120 e faleceu no ano 180 da era cristã)

    São Dionísio Bispo de Corinto,faleceu ano 171 da era cristã)

    Amônio de Alexandria foi um filósofo cristão que viveu no século III dC.

    Teófilo de Cesareia faleceu no ano 195 da era cristã.) foi- bispo de Cesareia

  4. INFELIZ PROGRESSISMO: SOCIALISMO/COMUNISMO = TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO/MARXISMO CULTURAL-TL/MC = RELATIVISMO = Aborto, famílias, ou melhor, “granjas”, uniões gays, fêmen…
    O socialismo/comunismo, seita satânica como objetivo insurgir o homem contra Deus e ódio entre as pessoas, age por meio de candidatos e partidos anexos à sua ideologia, como o PT, PSOL, PC do B, PSDB, etc., apoiados pela esquerdista Teologia da Libertação/Marxismo Cultural – TL/MC que é uma sedutora heresia cristã socialista, também possuidora de vínculos com o protestantismo e maçonaria para minar a Igreja Católica Tradicional e a democracia; a nova via baseia-se em experiência anterior de o comunismo se impor pela violência e não obter bons resultados.
    É nova tática na mídia e redes sociais, por meio da subversão sutil da doutrina católica pró socialismo e comunismo, utilizando os mesmos termos da Igreja, porém falseando-os na direção socialista; idem, comprando-a para se propagar e infiltrando nela agentes da Internacional Socialista desde Stálin – há mais sociedades secretas auxiliares no processo de tentar implodir a Igreja, como a maçonaria e apóstatas católicos, como alguns sacerdotes progressistas e até bispos, como os ex freis Boff, Betto, Susin, Libânio e os sutis Pe Fabio de Melo e mais relativistas, negando a transcendência e toda a ética-moral cristãs em ações de IGUALITARISMOS, os quais atiçam a INVEJA, que não tolera os mais ricos, mais sábios, etc; o ORGULHO, de não aceitar superiores a si; e a SOBERBA, de não se submeter a Deus.

    Idem, o igualitarismo favorece as lutas de classes, de etnias, entre estados, a violência pelo desagregamento familiar e social exacerbado sensualismo, gerando a alienação social, facilitando a imposição de mazelas, tais como aborto, BBBs da vida, pedofilia, seitas, esoterismos, etc.

    Família: devido à repressão do pátrio poder, tornam-se “granjas” de produção de seres humanos para o Estado, deus todo poderoso, o qual os educará em sua ideologia material-ateísta, pois um povo desagregado, alienado que se bate mutuamente favorecerá a instalação de futuro Estado totalitarista, opressor e ateu – Nova Era-NWO – e se fundamenta nas teorias do satanista Marx, em que “nada subsiste de absoluto, definitivo e sagrado”.

    Aliás, A Editora Paulus, dentre mais, participa com a socialista “BIBLIA. EDIÇÃO PASTORAL”, de Ivo Storniolo e Euclides Balancin. As refutações são do eminente teólogo D. Estêvão Bettencourt.
    O próximo passo seria o controle pessoal pelo microchip, previsão de instalação inicial para breve nos EUA.

    A TL é condenada por todos os Ss Padres unanimente, com exclusão automática a católicos que se filiarem, colaborarem, votar em candidatos e partidos SOCIALISTAS/COMUNISTAS e aliados – piores os possuidores de militância ativa e agressiva.
    Na Alemanha, cidade de Erfurt, O S Padre Bento XVI classificou o Socialismo-Comunismo e Nazismo de “chuvas ácidas” e ao Socialismo-Comunismo de “peste vermelha” e ao Nazismo de “peste negra”, extensivos aos membros. Já o S Padre Leão XIII sentenciou: “os comunistas, socialistas e niilistas são uma peste mortal que se introduz como a serpente por entre as articulações mais íntimas dos membros da sociedade humana, e a coloca num perigo extremo”.(Encicl. Quod Apostolici Muneris).

    Os frustrados, ex cristãos materialistas, orgulhosos e sensuais em suas diversas modalidades infiéis à doutrina da Igreja são os artífices de Satanás na implantação desse regime, com quem passarão a eternidade após a morte.

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