Cuba: Programa Fome…zéria

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O comuno-progressismo desejaria aplicar o modelo cubano em nosso País. Mas o Brasil profundo, o Brasil real, rejeita essa sinistra proposta e aspira a um futuro em consonância com suas autênticas tradições, no sentido de preservar os valores da Civilização Cristã.

O miserabilismo e o regime cubano fascinam progressistas católicos: apresentação da candidatura Lula ante adeptos da Teologia da Libertação, em 1989

“No nosso continente há um único país, de 110 mil quilômetros quadrados e onze milhões de pessoas, que não tem criança passando fome, que não tem desemprego, que não tem mendigo jogado na calçada, que não tem velho pedindo esmola. É verdade que não tem pessoas com duas televisões a cores, é verdade que não tem dois carros na garagem, é verdade que não pode ter espremedor de laranja, liquidificador, não pode ter geladeira, um fogão, não pode!”.1

Que país é esse? Cuba. Quem proferiu tais palavras? O então candidato presidencial Luiz Inácio da Silva. Qual foi a reação dos presentes? Cerca de 1.200 simpatizantes das CEBs e daTeologia da Libertação ovacionaram entusiasticamente o orador.

O fato não é novo. Mas é simbólico. Naquele dia 24 de janeiro de 1989, Lula foi apresentado na igreja de São Domingos, na capital paulista, como o candidato do progressismo católico, pelo então Arcebispo de São Paulo, Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, e nutrida representação de teólogos da libertação. Dentre eles, destacavam-se Frei Betto e o (ex-frei) Leonardo Boff.

Se Cuba, para tirar da miséria um certo número, deixou a generalidade da população sem espremedor de laranja, sem liquidificador, sem geladeira e até sem fogão, é preciso reconhecer que a emenda foi catastroficamente pior que o soneto. Entretanto, a igreja apinhada de simpatizantes da Teologia da Libertação estourou em aplausos. Como se naquelas palavras se ocultasse uma lógica profunda, por eles partilhada, mas inacessível ao comum dos brasileiros.

Naquele dia, como também hoje, o então candidato e agora presidente do Brasil externou o desejo de erradicar a fome e a pobreza no País. Mas não escondeu, nem esconde, que o regime miserabilista de Fidel Castro é um farol inspirador dos projetos mais caros ao progressismo católico,particularmente na sua vertente da Teologia da Libertação.

Esse fascínio é inquietante para os rumos futuros do Brasil.

No centro da foto, Frei Betto

Na mesma ocasião, Frei Betto, ao introduzir Lula na assembléia, explicou: “Eu sou membro de uma pequena comunidade.[…] Desta comunidade fazem parte aqui o Lula, o Leonardo Boff”. Por sua vez, Lula enfatizou a importância absoluta que dava aoprogressismo católico“Aqui no Brasil ainda tem gente que chama vocês de comunistas: ‘esses padres do demônio, esses jovens do demônio!’ […]. Vocês, companheiros, que participam em comunidades, vocês têm um papel extraordinário neste País e fora deste País. Eu sou daqueles que acreditam piamente que, sem a Igreja, não há saída para o nosso continente”.2

Estabelecida essa aliança de fundo religioso, para onde rumará o Brasil? Para algo parecido à “terra da promissão cubana”, com o seu ainda ativoparedón? Para uma experiência renovada, mas numa linha análoga ao castrismo? Há chance para uma saída, como tantos brasileiros desejam, que não desfeche no caos?

Fuzilamento de anticastristas na década de 50

Marxistas históricos chocados com o comunismo cubano

A perplexidade foi acrescida pelo inclemente fuzilamento, em abril último, de três jovens cubanos que tentaram fugir da ilha-prisão. Normalmente, esse ato deveria ter provocado uma condenação sonora e imediata por parte das esquerdas brasileiras no poder. E isso até por razões políticas. Não podiam elas ignorar que a sensibilidade nacional ficara chocada com a extinção dessas três vidas de modo tão arbitrário. Porém esquivaram-se de condená-la, preferindo pagar um alto preço — tanto do ponto de vista moral quanto propagandístico — do que contradizer o modelo cubano.3

Até veteranos do ateísmo anticristão, como o blasfemo escritor português José Saramago, condenaram a absurda execução. Em vista disso, foram reprovados pelos seus camaradas comuno-progressistas. Tais ateus, acostumados a estarem na crista da onda, subitamente perceberam que seus companheiros de rota católicos os tinham deixado para trás.4 Os fuzilamentos de Havana e seus desdobramentos revelaram que as esquerdas latino-americanas, em larga medida criaturas das CEBs e daTeologia da Libertação, rumam para uma situação que estarrece até marxistas clássicos. E a velha guarda entregou os pontos, desapontada.“Cuba […] perdeu minha confiança, destruiu minhas esperanças e decepcionou minhas ilusões”, desabafou Saramago.5

Teologia da Libertação foi alvo de uma condenação da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Porém, os bispos, padres e leigos que a seguem, pouco ligaram para tal condenação, e prosseguiram incólumes a sua obra de desagregação do continente latino-americano. Eles desafiam até seus companheiros da velha guarda e apressam-se em atingir seus fins, sem parecer temer sanções eficazes da Hierarquia eclesiástica.

O que tem Cuba que tanto fascina as esquerdas brasileiras, desde alguns esclerosados marxistas-leninistas até macro-capitalistas de esquerda, e sobretudo progressistas comuno-católicos? O brasileiro comum tem direito a ser esclarecido sobre isso.

Contrastes aberrantes na Havana sob jugo comunista: turistas descem no aeroporto Marti…

Havana: cenário de filme de terror

Quem for a Havana, certamente será assaltado por pasmosas impressões. Já as imagens do aeroporto são bastante estranhas. De um lado, turistas americanos e europeus descem de aviões fretados, equipados para férias em hotéis com todos os luxos do consumismo capitalista.

…onde vêem-se bimotores soviéticos

O aeroporto costuma estar deserto.  Dissimulados ao olhar dos alegres inocentesúteis, estacionam velhos bimotores Antonov soviéticos, que ainda pousam nas pistas rachadas e invadidas pelo mato.

Os ônibus, que levam esses descontraídoshedonistas aos paraísos do prazer, seguem os padrões do Ocidente. Motos da polícia acompanham o cortejo. Em princípio, para sua segurança. Mero pretexto, pois nenhum cubano pode se aproximar dos turistas, como se estes estivessem infectados por uma doença contagiosa.

No trajeto urbano, observa-se um espetáculo de pesadelo. Os prédios de Havana estão quase em ruínas. Desde a revolução castrista, em 1959, ninguém consertou reboco, telhado, portas, janelas, eletricidade ou esgotos. Não há vidro ou veneziana que não estejam quebrados, ou enegrecidos por uma sujeira de décadas.

Polícia custodia os estrangeiros até hotéis exclusivos para eles

Excetuados, é claro, os prédios dos membros do regime e amigos, além de alguns monumentos históricos restaurados “para inglês ver”.

Salvo certas avenidas, o asfalto está desfeito, há poças de água por toda parte. Não há pichações nem tinta, nem paredes em estado de recebê-las. Vêem-se cartazes e murais sujos e desbotados incitando à rebeldia, à revolução contra os Estados Unidos e, mais recentemente, “pela paz”. Nas esquinas há grandes lixeiras seletivas, mas que parecem sem uso. Até o lixo é cobiçado pelos pauperizados habitantes.

Antigas construções permanecem como cadáveres sem sepultura

As fachadas de prédios evocam épocas pretéritas de esplendor e riqueza. Antigos casarões coloniais de nobres e comerciantes abastados, pomposos edifícios da Belle Époque, dispendiosas construções da primeira metade do século XX, respeitáveis casas burguesas e populares, ali permanecem, alinhadas como cadáveres sem sepultura, dos quais ainda pendem farrapos das roupagens funéreas. Não há flores nas sacadas nem jardinzinhos. Esquálidos cães vagam à procura de qualquer alimento. O pesado silêncio de um imenso cárcere, sem concessões à beleza, tudo tende a acachapar o observador.

Nas desoladas ruas circulam poucos carros, em sua grande maioria peças de um museu de horrores: enferrujados, fumacentos, barulhentos, remendados ao extremo para não se desmancharem, como ataúdes rolantes servindo para as funções mais díspares. Deslocam-se também estranhas motocicletas de origem soviética.

O raquítico e bissexto transporte público parece mais adequado a transportar gado.  O pobre passageiro ajeita-se como pode na caçamba, em ruas e estradas das periferias da capital ou do interior.

Ônibus modelo, apelidado de Camello

Não faltam ônibus e táxis de tração animal e humana. No centro de Havana, entretanto, o turista depara com o ônibus modelo, apelidado decamello, singular carroceria com jubas, mal soldada e mal pintada, arrastada por caminhões. Sem dúvida, em condições normais, o panorama natural de Havana torná-la-ia uma das cidades mais atraentes do planeta. Mas o dantesco espetáculo apresentado ao visitante neutraliza essa beleza geográfica.

Na porta do hotel, guardas com rádios transmissores barram a passagem a qualquer cubano não autorizado. Um contato poderia significar alguns dólares para um medicamento indispensável, um alimento para um filho doente. Porém ele é impedido pelos policiais, que afastam o saudável cidadão miserabilizado do leproso consumista vindo do exterior.

Para o povo cubano: prédios deteriorados

Para os funcionários do regime cubano há modernos apartamentos

Mas, a se dar crédito à propaganda dos admiradores incondicionais de Fidel Castro, Cuba estaria perto da “utopia de Jesus, de uma comunidade fraterna onde todos sejam irmãos e irmãs, sem divisões nem títulos”,6 para utilizarmos palavras de Leonardo Boff.

Pesadelo místico-miserabilista

Segundo os dados oficiais, não há desemprego, mas também pouco ou mal se trabalha. Os salários quando são bons, como o de diretor de uma empresa pública, atingem 36 reais por mês, o dobro do que ganha um operário. O ordenado é empesos — a moeda nacional — que só têm valor nas lojas do Estado. Nelas, as compras são racionadas. Registra-se quanto cada um levou, para ninguém passar do limite fixado por mês e por pessoa: três quilos de arroz, 250 gramas de feijão, 1,5 quilo de açúcar, meia dúzia de ovos, 250 gramas de frango duas vezes ao mês, se houver. Carne de vaca, só para diabéticos ou regimes especiais com atestado médico.7 Para turistas, membros do regime e seus amigos há shoppingsespeciais

Quem quiser uma galinha ou um porco, deve criá-los às ocultas, dentro da casa ou apartamento.8 Estes, aliás, milimetricamente subdivididos pela reforma urbana. Segundo estatísticas da UNESCO, os cubanos têm um dos mais baixos índices de qualidade de vida do mundo e as condições de habitação são de uma precariedade inimaginável.9

O café da manhã de uma família consiste numa xícara de café e pão com óleo, porque não há manteiga. No almoço e no jantar, arroz mexido com feijão ou – quando há – ovos, uma batata cozida por pessoa e duas colheres de macarrão. Um jornalista simpático ao regime viu nisso um admirável sistema, que zela pelo peso da população. Até contou o número de gordos que observou em Cuba: apenas três, em Havana, Matanzas e Varadero.10 O governo contrata marqueteiros estrangeiros para que o infeliz povo consiga engolir os produtos, repulsivos pela feiúra e má qualidade, que ele distribui.11

Sabonete, mensalmente só um por pessoa. Leite, um litro por dia, para crianças de até sete anos. E as prateleiras das lojas estatais estão freqüentemente vazias. O governo não cumpre as cotas.12 Estas superam as privações e jejuns das Ordens religiosas mais rigorosas da Igreja, nos tempos em que religiosos e religiosas de clausura se imolavam movidos pelo amor de Deus e pelo zelo das almas, sob o suave bafejo do Espírito Santo.

Transporte no paraíso castrista: mescla de atraso, ruína, primitivismo e massificação socialista

“Taxi” de tração animal

Poucos carros, e ainda velhos e obsoletos

Incrível exaltação do miserabilismo

Fidel Castro não instituiu nenhum plano Fome Zero. Dir-se-ia que o seu único plano é o Zero, ou mais propriamente o Zen budismo. Pois o ambiente evoca, por oposição, alguma espécie de imenso convento — ou melhor, uma lamaseria budista — onde tudo está invertido, e o Deus de bondade, fautor de todas as belezas e perfeições, de espírito magnânimo, foi banido. Em seu lugar, a matéria está entronizada pelo que tem de feio, malsão e carente.

Para os bardos da Teologia da Libertação, o sistema cubano não se compreende sem a místicade renúncia à própria individualidade, que raia ao aniquilamento espiritual budista. Um Frei Betto não verá contradição entre a situação cubana e “uma espiritualidade holística que não separa corpo-espírito, espiritualidade-política”, e explicará: “Me enriqueci muito espiritualmente com contribuições, principalmente do budismo. […] A espiritualidade é a linguagem do futuro. […] não creio que a humanidade vai encontrar um caminho novo sem mergulhar fundo na espiritualidade.”13

O ex-frei Leonardo Boff

Tal sistema caótico e místico-miserabilista faria os homens descobrirem que o verdadeiro Deus não é Aquele que a Igreja Católica ensina. O verdadeiro deusseria, segundo o ex-frade franciscano Leonardo Boff, “o princípio dinâmico de auto-organização do universo, que está atuando em cada uma das partes do todo”, e obviamente em Cuba. O próprio termo deus é, para esse prócer da Teologia da Libertação, tão somente “o nome que as religiões acharam para tirar [esse princípio] do anonimato”·.14 Muitos marxistas certamente concordarão ecumênica e enfaticamente com ele.

Tal concepção é totalmente diversa do que ensina, a respeito das riquezas e de seu reto uso, a Sagrada Escritura: “E quando Deus concedeu a um homem riquezas e bens e a possibilidade de gozar deles e desfrutar a sua parte, viver alegre do seu trabalho, isto é um dom de Deus. Porque não se lembrará muito dos dias de sua vida, visto que Deus enche de delícias o seu coração”.15

Cuba: o reino da ilegalidade e das mafias

No dia-a-dia, impera o mercado negro. Nas lojas ilegais encontra-se o indispensável, mas tudo se paga em dólar. O próprio governo monta lojas desse gênero, eufemisticamente chamadas de estabelecimentos de arrecadação de divisas. Ali vende-se, em geral, material surrupiado das fábricas, de centros de distribuição ou de refeitórios estatais. O simples indivíduo, para conseguir os dólares, vê-se compelido a cometer algum ilícito, punível a qualquer momento pelo arbítrio ditatorial igualitário.

Os funcionários roubam, os clientes obtêm ilegalmente dólares, subornam-se os fiscais e policiais, mente-se e oculta-se por sistema. Em cada quarteirão está instalado um Comitê de Defesa da Revolução,dedicado a espionar, denunciar e entregar a verdadeiros linchamentos morais e físicos os “inimigos da Revolução”. “‘O governo tem toda a população chantageada. Todos infringem alguma lei’, diz um ex-oficial do Exército, que ganha a vida com um lotação sem licença”.16

Miserabilismo: filas para comprar pão

A doutrina marxista tolera micro-propriedades de dimensão estritamente familiar. Com base nisso, os sofridos cubanos excogitaram mínimas atividades de sobrevivência, como restaurantes familiares. A polícia passou a invadi-los, não à procura de espiões ou ladrões, mas de lagostas, camarões e tartarugas, iguarias abundantes no Caribe. A pesca é monopólio estatal, e aliviar a fome com ela é crime. Também micro-pizzarias e micro-sorveterias vivem sob o espectro da chantagem, do fechamento ou da prisão. Castro excogitou um imposto de renda que sufoca camponeses, pequenos comerciantes e donos de restaurantes. Inventou taxas e normas sanitárias que impossibilitam as atividades econômicas familiares. A saída é burlar a lei, mas como conseqüência fica-se à mercê das máfias do regime.17 E assim, esforços titânicos para se furtar à miséria são abafados sem cessar. Entretanto, no Brasil, Frei Betto apregoa que “só em Cuba os bens da terra e os frutos do trabalho são fraternalmente partilhados”, atribuindo tal feito às virtudes das reformas agrária e urbana.18

No topo das máfias que controlam o mercado negro está o próprio Fidel Castro.19 Ele é um dos raríssimos milionários do planeta listados pela revista “Forbes”.20 “Estimamos que 10% da economia cubana passe pelas mãos dele, uma estimativa até muito conservadora”, disse Carleen Hawn, repórter da revista, quando o chefe marxista foi incluído na lista.21

Produção manual de açúcar

CubaCapa22.jpg (98652 bytes)Equipamentos agrícolas anacrônicos

Ilha fidelista: universo de mentira e aflição

Certos tours conduzem a assentamentos da Reforma Agrária. Embora maquiados para turistas, são deprimentes. A vegetação e o clima lembram o Brasil, mas já nas estradas o espetáculo é lamentável, mesmo que possam arrancar os mais entusiásticos elogios ecologistas e tribalistas de Leonardo Boff.

No caminho vêem-se alguns canaviais, plantações de tabaco, tratores russos, arados enferrujados e um grande abandono. Não há sinalização. Os únicos cartazes existentes louvam Fidel, o Che, a guerrilha e a Revolução. O aproveitamento da terra é pífio. O uso de técnicas agrícolas soviéticas foi grotescamente contraproducente em Cuba. Uma brigada de voluntários esquerdistas estrangeiros, acostumada à vida fácil do mundo livre, saiu horrorizada quando seus dormitórios foram invadidos por sapos, após uma desastrada eliminação de seus predadores naturais.

Tudo assemelha-se a um sonho doentio. É como se o regime se esforçasse em eliminar as belezas e as riquezas, que Deus pôs na exuberante natureza cubana para atender os corpos com largueza, entreter as almas e elevá-las para a consideração do Céu.

Até crianças são “estatizadas”

tour pode estender-se a uma fábrica de charutos dos anos 40, a uma escolinha com PCs made in China, manipulados por meninos e meninas pioneiros da Revolução. Mas não é explicado aos turistas que essas crianças nunca pertenceram a seus pais. Desde pequenas, foram confiscadas. A formação é exclusivamente estatal e gratuita: as crianças serão utilizadas como mão-de-obra para colher cana de açúcar, desde tenra idade. O objetivo declarado é criar o homem novo, um agente do sistema, sem alma e sem religião, com uma consciência moral sufocada, o que equivale à matéria-prima humana maldosamente predisposta para odiar o Deus do Bem, da Verdade e da Beleza.

O nível do ensino é acachapante. Professores e mestras recebem os piores salários, sendo pessimamente tratados pelo regime. Maria trabalha a semana toda na escola primária, mas seu ordenado não é suficiente para alimentar os filhos. Ela dá aulas particulares, mas vive em constante pânico de denúncias por parte dos vizinhos. “Tenho que sair pela porta dos fundos com meus livros escondidos”, diz ela. “Se eu for denunciada à CDR [Comitês para a Defesa da Revolução], perderia meu emprego, talvez até iria para a cadeia. Poderia nunca mais trabalhar novamente”.22

Fidel Castro em Sierra Maestra

CubaCapa26.jpg (73845 bytes)Fidel com Kirchner, da Argentina

Castro com Lula, do Brasil

Fidel com Chávez, da Venezuela

O mito da “medicina” cubana e a realidade

inocente útil do mundo livre ainda pode conhecer a antiga prisão onde Fidel Castro esteve encarcerado. Ali verá a cama da enfermaria que ele usou. A sala de paredes emboloradas está limpa e o leito tem lençóis brancos.

Não é esse o tratamento comum proporcionado ao povo cubano hoje em dia. Quase todos os hospitais existentes foram construídos antes da ascensão de Castro. Sem subornar o médico, as chances de um tratamento eficaz são mais do que incertas. O Hospital La Dependencia é um exemplo. Várias alas que foram abandonadas não diferem muito das que funcionam“Baratas passeiam tranqüilamente pela sala de cirurgia. Partes do reboco caíram. As janelas não têm vidros. As paredes das salas de espera estão cobertas de fezes de morcegos”.23

Histórias monstruosas sofridas pelos pacientes, devido à ignorância, à má vontade e ao ressentimento do pessoal médico, correm de boca em boca e acabrunham os espíritos, resignando-os a uma sorte adversa. Num é o gesso colocado torto, noutro a aparelhagem estragada que mata o cardíaco. É absolutamente proibido aos turistas penetrar nos hospitais. O regime não deseja que olhos estrangeiros vejam o que lá acontece. As farmácias, de aparência hedionda, só podem atrair o desesperado sem alternativa.

Tudo o que pode sensibilizar a alma, mesmo pelo seu aspecto de beleza meramente natural, é enxotado. E isso é válido, a fortiori, para as virtudes morais. Os Mandamentos da Lei de Deus teriam ficado superados pela dimensão comunitária da sociedade, tão ao gosto da Nova Teologia. Fala-se de imoralidade apenas para censurar acremente a época capitalista. Agora é como se o problema se tivesse espiritualizado. A degradação, porém, é espantosa. “Cuba tornou-se um bordel aberto aos vôos internacionais. As moças não têm mercado de trabalho, então se vendem, tão barato que só da Espanha vêm 20 vôos por semana, cheios de Pepes, que é como chamam na ilha os homens de meia-idade que alimentam o bordel de Fidel”.24

A generalização do aborto alimenta o comércio aterrador de fetos e órgãos. Segundo Hilda Molina Morejón, uma neurocirurgiã ex-deputada da Assembléia Nacional, o governo criou uma verdadeira indústria de transplantes de tecido cerebral, utilizando material tirado de fetos.25 Estrangeiros ricos viajam a Cuba, com vistas a prolongar a vida mediante procedimentos rejeitados pela ética médica e pela moral católica. Eles pagam facilmente 20 mil dólares por operações proibidas nos seus países. Segundo a médica, as cirurgias são acertadas através da empresa turística oficial Cubanacán e o dinheiro engrossa as caixas do regime. As mulheres que abortaram jamais são notificadas sobre o destino dos fetos. “Durante os sete anos em que dirigi o centro, eu mesma fiz 50 transplantes com fetos de três a dez semanas”, disse a médica ao jornal “El Nuevo Herald”, da Flórida. Somente em 1996 o regime esperava obter 25 milhões de dólares fornecidos por mais de 7.000 estrangeiros, devido a serviços macabros e duvidosos.26

Entretanto, no Brasil, seja em igrejas ou em órgãos de governo, amedicina cubana é elevada às nuvens, sem se explicar no que consistem suas excelsas qualidades. Mais ainda, tenta-se implantá-la no País, até como parte de programas de erradicação da pobreza e da miséria! Em Tocantins, por exemplo, o governo estadual paga até 10 mil reais a mais de 200 médicos cubanos, sem terem eles prestado concurso público, enquanto os brasileiros, com superior formação acadêmica e profissional, só recebem entre 500 e 800 reais.27

Miserabilismo cubano: “remédio” para o consumismo…

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira costumava analisar meticulosa e ponderadamente o noticiário da semana, para auditórios de sócios e cooperadores da TFP. Suas considerações e previsões conservam uma atualidade que revela o acerto e a vastidão de sua visão de fenômenos então incubados, hoje escancarados. Assim, por exemplo, em 18-3-95, comentando ensinamentos dos teólogos da libertação, afirmou:

“Sustentam estes o miserabilismo — que o ocidental qualifica de pobreza — como a verdadeira solução. No fundo, o regime de Castro – eles não o dizem claramente, mas é o que está em seu pensamento – é uma ofensiva fenomenal da medicina a favor da humanidade. E portanto Cuba está fazendo uma experiência de interesse clínico, de utilidade universal.

“Esse grande ‘médico’ Fidel Castro teria compreendido genialmente tal nova visão e reduzido o povo cubano ao que nós, consumistas indecentes – dizem eles – chamamos de miséria, mas que é apenas uma dieta… Enquanto nós, dos países que produzem, comemos e gastamos bastante, vivemos vergonhosamente num excesso que representa a glutoneria mais irracional e mais vulgar.

“De onde então Fidel Castro passa do papel de tirano, responsável pela miséria de uma população, à de um homem que está inaugurando nova era. Porque todo regime comunista tem que passar por uma fase em que ele adapte o povo à miséria. Na Rússia, isto foi feito em grande estilo, e alguma coisa [o regime] conseguiu ao cabo de setenta anos de tirania. Nos países livres, nós temos que trabalhar muito para comer bem. Lá eles trabalham pouco para  comer quase nada. Eles se habituaram a isso.

“O que o comuno-progressismo promete, na realidade ele tira. De fato, prepara uma era em que o homem será sujeito à miséria e não encontrará nada para ser grato a Deus por Ele ter colocado alguma coisa boa na vida. Passará então a odiar o fato de existir. O homem estaria pronto então para se jogar em cultos do tipo do budismo e em exercícios mentais que o levariam a ter contatos com energias, visões ou revelações falsas, produtos de estados delirantes de depressão e fome.

“Assim, o itinerário é este: miséria; na miséria, revolta e evasão da vi­da; a evasão provoca uma religiosidade subjetiva, na qual se acabam mantendo ‘contatos’ enganosos. E, entre eles, aparições verdadeiras de espíritos infernais, que vão atraindo o homem para formas cada vez mais alucinantes de fuga da existência.

“Fidel Castro preparou em Cuba um instrumento de tortura, para espremer o homem e fazê-lo preferir o inferno a permanecer nesta vida.

“Por isso os comunistas têm necessidade de que a maior parte possível dos homens fuja deste mundo, através de uma imensa miséria e do ocultismo. Porque, naturalmente, a atração é de estar num mundo onde se perceba o sorriso de Deus, onde há a luz do sol e o gosto das cerejas, das flores e da beleza. E no fundo dessa espiral o homem miserabilizado encontra o demônio que sorri.”

“Tocha da Revolução”: de Castro à geração Lula?

Enquanto na Rússia a metamorfose do comunismo foi embaçando a imagem do leninismo, Cuba manteve-se intolerante e fiel aos princípios marxistas. Essa obstinação é muito estranha. Castro vivia das subvenções soviéticas. Como poderia sustentar-se sem o apoio russo a poucas dezenas de quilômetros da grande nação americana, agora convergente com Moscou? O mistério ficou sem explicação. O fato é que Cuba continuou como uma tocha acesa do marxismo duro a insultar a Deus, sustentada por uma força discreta mas poderosa. Para quê?

Com a ascensão do presidente Lula e de seus patrocinadores e companheiros da Teologia da Libertação, secundados por movimentos análogos nos demais países sul-americanos, uma hipótese começou a tomar corpo. Fidel Castro teria sustentado a situação antinatural da população da ilha do Caribe, esperando transmitir sua chama devastadora a novos líderes que levariam a “experiência” cubana a outros patamares. Após o que, Castro poderia ceder o lugar a eventual sucessor de qualquer tendência: leninista, democrata-cristão, comunista dissimulado etc. Mas a tocha incendiária da Revolução seguiria adiante em novas e boas mãos.

Do isolamento de seu Santuário...

a Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba, constitui para o povo cubano um penhor de esperança: o comunismo não prevalecerá

O quotidiano “The New York Times” acenou para essa perspectiva, após registrar os sinais de esgotamento propagandístico e o desgaste (devido à avançada idade) do ditador: “Fidel, agora com 77 anos, parece cada vez mais anacrônico — alvo de comediantes e caricaturistas. Se a esquerda latino-americana tem um símbolo hoje, é o novo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva”.28

A hipótese não é nova. Já a levantara o Prof. Plinio em reunião para sócios e cooperadores da TFP, em 6-5-89: “Vamos imaginar o seguinte: instala-se uma confusão dentro da Rússia a respeito de consumistas e não consumistas. Tal confusão existe também em Cuba. Isto atravanca todo o processo comunista. De repente aparece em países que estão passando por uma evolução política, como os nossos [latino-americanos], uma fórmula de comunismo caboclo, que serve para reconciliar uns e outros comunistas, na Rússia, na Europa. Não seria encantador para eles?

“Então o aparecimento de um comunismo latino-americano, com a originalidade e a vitalidade das coisas novas, haveria de abrir caminhos, em relação aos quais todas as esquerdas do mundo diriam: “É verdade… a era do terceiro mundo entrou”. Dessa forma, atravessaríamos o limiar do terceiro milênio com esta ignomínia na mão: a luz do comunismo vindouro”.

Verificar-se-á esta possibilidade? O próprio Prof. Plinio era muito cauteloso na passagem da hipótese à afirmação.

Muitos anos transcorreram desde a primeira tentativa frustrada de Lula chegar ao poder, por via eleitoral, em 1989. Em 2002, o presidente Lula não ascendeu ao governo com o mesmo embalo que tinha em 1989. Foi preciso que especialistas de marketing mudassem medularmente sua imagem.

Se a hipótese da tentativa de implantação de um miserabilismo tipo cubano na América Latina estiver em marcha, os dirigentes latino-americanos da geração Lula deverão provocar uma profunda, generalizada e gradual degradação de vida dos seus povos. Esta provavelmente seria acompanhada de violências e caos. Ora, evidentemente não é isso o que anela o povo brasileiro pacato, tranqüilo, embora angustiado pelas incertezas do futuro. Em última análise, ele preferiria que a crise atual se resolvesse no sentido da preservação de suas tradições cristãs e de instituições como a família e a propriedade. O mesmo poder-se-ia dizer, mutatis mutandis, das demais nações latino-americanas.

Se a geração Lula, atiçada pelos teólogos da libertação, atirar-se nessa aventura, poderá experimentar retumbante fracasso. E arrastará para o abismo da História as demais esquerdas mundiais, já em acentuado declínio, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Se essa tentativa for levada à frente, mesmo que fracasse no final, poderá entretanto ser gravemente danosa para o Brasil. Que o Sagrado Coração de Jesus, pela poderosíssima intercessão de Nossa Senhora, afaste tal eventualidade para o bem do País, das nações-irmãs latino-americanas e da Civilização Cristã.

O inferno carcerário cubano

Poucos meses após dominar Havana, Fidel Castro decretou a Reforma Agrária, confiou o Instituto Nacional de Reforma Agrária a marxistas ortodoxos e ordenou a invasão das grandes propriedades agrícolas. Concomitantemente, começaram os massacres de burgueses e opositores.

Em 1964, os detidos trabalhavam quase nus em assentamentos ou em pedreiras. Como punição, deviam cortar erva com os dentes ou eram jogados em fossas de excrementos. Os guardas aplicavam-lhesPentotal e outras drogas. No hospital de Mazzora, recorriam a eletrochoques ou simulavam execuções.­ A prisão que deixou reputação mais terrível foi La Cabana. Em Boniato, presídio de alta segurança, reina a violência e crueldade. Certos presos políticos, para afastar os homossexuais, lambuzam-se com excrementos. Em outros cárceres, há jaulas de ferro e as mulheres são entregues ao sadismo dos guardas.

A repressão atualmente é dirigida pelo Departamento de Segurança do Estado. Participam também as Fuerzas Especiales do Ministério do Interior em colaboração estreita com a Dirección 5 e a Dirección de Seguridad Personal, guarda pretoriana do ditador.

20% dos cubanos estão exilados, o que representa cerca de 2 dos 11 milhões que constituem a população total. Desde 1959, mais de 100 mil cubanos passaram por campos de concentração ou por prisões, tendo sido fuzilados de 15.000 a 17.000.

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Fonte de referência: Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, O livro negro do comunismo. Crimes, terror e repressão, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1999, 917 pp.

Notas:

1– As citações reproduzidas neste artigo, proferidas por oradores do Encerramento do Encontro sobre Teologia da Libertação (24 de janeiro de 1989, igreja de São Domingos, bairro de Perdizes, São Paulo), foram colhidas de gravação efetuada no local, mediante fitas magnéticas, pela reportagem de nossa revista. Ver também Catolicismo nº 457, de janeiro de 1989, e nº 461, de maio do mesmo ano.
2–  Id. ibid.

3– A respeito, ver: Brutais violações em Cuba — TFP dirige-se a Lula,Catolicismo nº 629, maio 2003; e A ilha-prisão de Fidel Castro,Catolicismo nº 630, junho 2003.

4– Cfr. “Veja”, 7-5-03, Apesar de você, Fidel,….

5– Cfr. “Veja”, 23-4-03, Ele cansou de aplaudir.

6– in Leonardo Boff, ¿Qué Iglesia queremos? – el proyecto popular de Iglesiahttp://servicioskoinonia.org/relat/291.htm.

7– Cfr. “O Estado de S. Paulo”, 4-5-03, Para viver, povo tem de ‘luchar’.

8– Cfr. “Jornal do Brasil”, 2-3-97, Cuba: o sonho verde que te quero na ilha de Fidel.

9– Cfr. “Jornal do Brasil”, 29-3-97, Cuba.

10– Cfr. “Jornal do Brasil”, 2-3-97, id. ibid.

11– “Propaganda & Marketing”, 2 a 8-6-03, Marketing en Cuba.

12– Cfr. “O Estado de S. Paulo”, 4-5-03, id. ibid.

13– in Dada Maheshananda, “Uma Conversa com Frei Betto,http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/freibetto/betto_dada.html.

14– in Leonardo Boff, Ecologia, política, teología, y mística,http://www.geocities.com/sociedad_teosofica_ar/links/ecologia/boff-ecologia.html.

15– Eclesiastes, 5, 18-19

16– Cfr. “O Estado de S. Paulo”, 4-5-03, id. ibid.

17– Cfr. “The Economist”, 1-3-97, Prato de frutos-do-mar, em estilo de Havana.

18– in Frei Betto, ¿Por qué incomoda tanto Cuba?,http://servicioskoinonia.org/relat/103.htm.

19– Cfr. “Jornal do Brasil”, 2-3-97, id. ibid.

20– Cfr. “Jornal da Tarde”, 1-3-03, Saddam e Fidel Castro na lista dos milionários.

21– Cfr. “Folha de S. Paulo”, 15-7-97. Fidel controla 10% do PIB, diz ‘Forbes’.

22– “The Economist”, 19-4-97, Enganando o sistema.

23– Cfr. “O Estado de S. Paulo”, 4-5-03, id. ibid.

24– Cfr. “Folha de Londrina”, 27-7-96, Bordel Socialista.

25– Cfr. “O Globo”, 28-7-95, Médica cubana denuncia uso de fetos em transplantes.

26– Cfr. “Jornal do Brasil”, 15-12-96, Cuba fatura com turismo da saúde.

27– Cfr. “Folha de S. Paulo”, 26-5-03, Médico cubano ganha até R$ 10 mil no TO.

28– Cfr. “O Estado de S. Paulo, 25-5-03, Latino-americanos vacilam no culto à revolução.

Artigo oferecido pela Revista Catolicismo.

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