A Carta do Além

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Impressionante relato de uma alma condenada ao Inferno.

Imprimatur do original alemão; Brief aus dem Jenseits: Treves, 9/11/1953. N. 4/53. Aprov. Ecles. Deste opúsculo: Taubaté – est. De S. Paulo – 2/11/1955.

À Guisa de Prefácio

Com os homens, Deus se comunica por muitos modos. Além de ser a própria Sagrada Escritura a Carta Magna de Deus aos homens, escrita e transmitida por homens autorizados, narra ela muitas comunicações divinas feitas por visões, inclusive sonhos. Deus continua a prevenir, ainda, por sonhos. É que sonhos não são sempre meros sonhos sem base.

A Carta do Além transcrita abaixo conta a história da condenação eterna de uma jovem. À primeira vista parece uma história bastante romanceada. Bem consideradas, porém, as circunstâncias, chega-se à conclusão de que ela não deixa de ter o seu fundo histórico, como base do seu sentido moral e do seu alcance transcendental.

A carta em apreço foi encontrada tal qual entre os papéis de uma freira falecida, amiga da jovem condenada. Relata a freira os acontecimentos da existência da companheira como fatos históricos sabidos e verificados, e sua sorte eterna comunicada em sonho. A Cúria diocesana de Treves (Alemanha) autorizou sua publicação como sumamente instrutiva.

A Carta do Além apareceu primeiro em livro de revelações e profecias, juntamente com outras narrações. Foi o R. Pe. Bernhardin Krempel C. P., doutor em teologia, quem a publicou em separado e quem lhe emprestou mais autoridade, provando-lhe, nas Anotações, a absoluta concordância com a doutrina da Igreja Católica sobre o assunto.

No Apêndice seguem alguns esclarecimentos complementares sobre o Inferno. O primeiro ponto assinala dois trabalhos literários que por caminhos diferentes chegam à mesma conclusão que o Inferno deve existir e que de fato existe. Nos seguintes pontos expõe-se sumariamente quais são os que trilham o caminho do Inferno e quais os meios que temos à mão para nos salvar do maior perigo da vida, de cair no Inferno.

Informações preliminares

Entre os papéis deixados por uma jovem que morreu num convento como freira, foi encontrado o seguinte depoimento:

“Tinha eu uma amiga. Quer dizer, éramos mutuamente achegadas como companheiras e vizinhas de trabalho no mesmo escritório M.

Quando mais tarde Âni se casou, nunca mais a vi. Desde que nos conhecêramos, reinava entre nós, no fundo, mais amabilidade que amizade.

Por isso eu sentia dela pouca falta, quando, após seu casamento, ela foi morar no bairro elegante das vilas, bem longe do meu casebre.

Quando no outono de 1937 passei minhas férias no lago Garda, minha mãe escreveu-me, em meados de setembro: “Imagine, Âni N. morreu. Num desastre de automóvel perdeu a vida. Ontem foi enterrada no cemitério do Mato”.

Essa notícia espantou-me. Sabia eu que Âni nunca fora propriamente religiosa. Estava ela preparada, quando Deus a chamou de repente?

Na outra manhã assisti na capela da casa do pensionato das irmãs, onde eu morava, à santa missa em sua intenção. Rezava fervorosamente por seu descanso eterno e nessa mesma intenção ofereci também a Santa Comunhão.

Mas o dia todo eu sentia certo mal estar, que foi aumentando mais ainda pela tarde.

Dormia inquieta. Acordei de repente, ouvindo como se sacudida a porta do quarto. Liguei a luz. O relógio, no criado mudo, marcava meia noite e dez minutos. Nada, porém, eu podia ver. Nenhum barulho havia na casa. Apenas as ondas do lago Garda batiam, quebrando-se monotonamente, no muro do jardim do pensionato. De vento, nada eu ouvia.

Tinha eu, todavia, a impressão de que ao acordar eu tivesse percebido, além das batidas na porta, um ruído como que de vento, parecido ao do meu chefe de escritório, quando mal humorado me atirava uma carta amolante sobre a escrivaninha.

Refleti um momento, se devia levantar-me.

Ah! Tudo não passa de cisma, disse-me resoluta. Não é senão produto de minha fantasia sobressaltada pela notícia da morte.

Virei-me, rezei alguns Pai-Nossos pelas almas, e adormeci de novo.

* * *

Sonhei então que me levantava de manhã às 6 horas, indo à capela da casa. Quando abri a porta do quarto, dei com o pé num maço de folhas de carta. Levantá-las, reconhecer a escrita de Âni e dar um grito, foi coisa de um segundo.

Tremendo, segurei as folhas nas mãos. Confesso que fiquei tão apavorada, que nem podia proferir o Pai-Nosso. Fiquei presa de uma quase sufocação. Nada melhor que fugir dali e ir-me para o ar livre. Arranjei malmente os cabelos, pus a carta na bolsa e saí à pressa de casa.

Fora, subi o caminho que seguiu tortuoso para cima, por entre oliveiras, loureiros e quintas de vilas, e para além da mundialmente célebre estrada “Gardesana”.

A manhã despontava radiante. Nos outros dias eu parava a cada cem passos, encantada pela magnífica vista que me ofereciam o lago e a magnificamente bela ilha Garda. O suavíssimo azul da água refrescava-me; e como uma criança olha admirada para o avô, assim eu olhava sempre admirada de novo o cinzento monte Baldo que se ergue na margem oposta do lago, crescendo de 64 m acima do nível do mar até 2.200 m de altura.

Hoje eu não tinha olhos para tudo isso. Depois de caminhado um quarto de hora, deixei-me cair maquinalmente sobre um banco encostado em dois ciprestes, onde, no dia anterior, eu tinha lido prazerosamente “A donzela Teresa”. Pela primeira vez eu via nos ciprestes símbolos da morte, coisa que neles nunca reparava no Sul, onde tão freqüentemente se encontram.

Peguei a carta. Faltava-lhe a assinatura. Sem a mínima dúvida era a escrita de Âni. Nem mesmo faltavam nela a grande “S”-voluta, nem o “T” francês, a que se havia acostumado no escritório para irritar o Sr. G.

O estilo não era o dela. Pelo menos não falava como de costume. Sabia ela tão amavelmente conversar e rir com seus olhos azuis e seu gracioso nariz.

Somente quando discutíamos assuntos religiosos é que ela se tornava mordaz e caía no rude tom da carta. (Eu própria entrei agora na excitada cadência da mesma).

Eis aí

A CARTA DO ALÉM DE ANI, V.,

Palavra por palavra, tal qual a li no sonho:

“Clara! Não rezes por mim. Sou condenada. Se te comunico isso e se a respeito de algumas circunstâncias da minha condenação te dou pormenorizadas informações, não creias que eu o faça por amizade. Aqui não amamos a ninguém mais. Faço-o, como “Parcela daquele Poder que sempre quer o Mal e sempre produz o Bem”.

Em verdade, eu queria também ver-te aqui, onde eu para sempre vim parar. [S. Tomas de Aquino, Summa Theológica (S. Th.) Supplementum (Suppl.) q. 98, a. 4: “Os réprobos querem que todos os bons sejam condenados”.]

Não estranhes esta minha intenção. Aqui pensamos todos da mesma forma. A nossa vontade está petrificada no mal – no que vós chamais “mal”. Mesmo quando fazemos algo de “bem”, como eu agora, descerrando-te os olhos sobre o Inferno, não o fazemos com boa intenção.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 1: “Neles o autodeterminado querer é sempre de todo perverso”.]

Lembra-te ainda:

Fez 4 anos que nos conhecemos, em M. Tinhas 23 anos e já trabalhavas no escritório havia meio ano, quando lá entrei.

Tiravas-me bastante vezes de embaraços; davas-me a mim, principalmente, freqüentes bons avisos. Mas que é que se chama “bom”!

Eu louvava, então tua “caridade”. Ridículo… Tuas ajudas provinham de pura ostentação, como, aliás, eu já suspeitava.

Nós aqui não reconhecemos bem algum em ninguém!

Conheceste minha mocidade. Cumpre preencher, aqui, certas lacunas.

* * *

Conforme o plano de meus pais, eu não devia nunca haver existido. Aconteceu-lhes um descuido, a desgraça da minha concepção.

Minhas duas irmãs já tinham 15 e 14 anos, quando eu vim à luz.

Oxalá nunca eu tivesse nascido! Oxalá pudesse eu agora aniquilar-me, fugir a esses tormentos! Não há volúpia comparável à de acabar minha existência, como se reduz a cinzas um vestido, sem mesmo deixar vestígios.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 3, r. ib. ad 3: “Enquanto a inexistência liberta de uma vida de terríveis castigos, seria ela para os condenados um bem maior do que sua miserável existência… Assim desejam a não existência.”] Mas é preciso que eu exista; é preciso que eu seja tal como eu me tenho feito: com a falha total da finalidade da minha existência.

Quando meus pais, ainda solteiros, mudaram-se da roça para a cidade, perderam o contato com a Igreja.

Assim era melhor.

Mantinham relações com pessoas desligadas da religião. Conheceram-se num aile e viram-se “obrigados” a casar meio ano depois.

No ato do casamento pegaram neles só algumas gotas de água benta, suficientes apenas para atrair mamãe à missa domingueira raríssimas vezes por ano.

Nunca ela me ensinava a rezar direito. Esgotava-se nos cuidados de cada dia, ainda que a nossa situação não fosse ruim.

Semelhantes palavras como rezar, missa, água benta, igreja, só escrevo com íntima repugnância, com incomparável nojo. Detesto profundamente os freqüentadores de igreja, assim como todos os homens e coisas em geral.

Tudo se nos torna tormento. Cada conhecimento recebido ao falecer, cada lembrança da vida e do que sabemos, se transforma numa flama incandescente.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 7, r.: “Nada há nos réprobos, que não lhes seja matéria e causa de tristeza… Assim dirigindo sua atenção sobre coisas conhecidas”.]

E todas essas lembranças nos mostram aquele medonho lado que fora uma graça que desprezamos. Como isso atormenta! Não comemos, não dormimos, nem andamos com as pernas. Espiritualmente acorrentados, nós réprobos, fitamos estarrecidos a nossa vida falhada, uivando e rangendo os dentes, atormentados e cheios de ódio.

Ouves tu? Bebemos aqui ódio como água. Odiamo-nos mutuamente.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 4, r.: “Nos réprobos domina um ódio total”.]

Mais do que tudo, odiamos a Deus. Procuro tornar-te isso compreensível.

Os bem aventurados no Céu devem amá-Lo. Porque O vêem desveladamente em Sua arrebatadora beleza. Isso torna-os indescritivelmente felizes. Sabemos isso e é esse conhecimento que nos torna furiosos.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 9, r.: “Ante o dia do juízo universal sabem os réprobos que os bem aventurados se encontram numa inefável glória.”]

Os homens, na terra, que conhecem Deus pela criação e revelação podem amá-Lo; não são forçados a fazê-lo.

O crente – furiosa eu te digo aqui – que contempla, meditando, cristo estendido na cruz, O amará.

Mas a alma de quem Deus se acerca, fulminante, como vingador e justiceiro, como Quem foi repelido, essa O odeia, como nós O odiamos.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 8, ad 1, ib. ad 5, r.: “Os réprobos só enxergam em Deus o castigador e impedidor (do mal, que desejam ainda fazer). Mas como só O enxergam no castigo, efeito da sua justiça, odeiam-nO”.] Odeia-O com toda a força de sua má vontade. Odeia-O eternamente. Em virtude da deliberada resolução de ficar afastada de Deus, com que terminou a vida terrena. E essa perversa vontade, não podemos revogá-la mais, nem jamais quereremos revogá-la.

Compreendes tu agora por que o Inferno há de ser eterno? Porque a nossa obstinação nunca derrete, nunca termina.

Forçada acrescento que Deus é propriamente ainda misericordioso para conosco. Disse “forçada”. A razão é esta: ainda que voluntariamente escreva esta carta, não me é possível mentir, como eu bem queria. Assento no papel muitas informações contrariamente à minha vontade. Também a corrente de injúrias que queria despejar, tenho de reengolí-la.

Deus era misericordioso para conosco pelo que não deixou a nossa vontade produzir e efetivar na Terra todo o mal que desejávamos fazer. Se Ele nos tivesse deixado a esmo, teríamos aumentado muito a nossa culpa e castigo. Deixou-nos morrer prematuramente – como a mim – ou introduziu circunstâncias atenuantes.

Agora Ele se nos torna misericordioso por que não nos obriga a nos aproximar Dele, porém a ficarmos neste lugar distante do Inferno, diminuindo-nos o tormento.[S. Th. I, q. 21, a. ad. 1.: “Na condenação dos réprobos aparece a misericórdia de Deus… , no que os castiga menos do que merecem”. – Em outro lugar nota o santo doutor da Igreja, que isso é o caso sobretudo com os que neste Mundo eram misericordiosos para com os outros (S. Th. Suppl. q. 99, a. 5, ad 1.)]

Cada passo mais perto de Deus dar-me-ia maior sofrimento do que a ti um passo mais perto de uma fogueira.

Ficaste espantada um dia quando te contei, em passeio, o que meu pai me dissera alguns dias antes da minha primeira comunhão: “Cuida, Anita, que ganhes bonito vestido; o mais não passa de burla”.

Quase me teria mesmo envergonhado do teu espanto. Agora rio-me disso. O mais bem feito, em toda essa burla, era permitir-se a comunhão apenas aos 12 anos. Eu já estava, então, assaz possuída do prazer do mundo, que postergava facilmente tudo quanto era religião, e não levei a comunhão a sério.

O novo costume de deixar as crianças receberem a comunhão aos 7 anos põe-nos furiosos. Envidamos todos os meios para burlar isso, fazendo crer que para comungar cumpre haver compreensão. É preciso que as crianças já tenham cometido antes alguns pecados mortais. O “branco” Deus será menos prejudicial, então, do que recebido quando a fé, a esperança e o amor, frutos do batismo – escarro sobre tudo isso – ainda estão vivos no coração da criança.

Lembras-te que já sustentei esse mesmo ponto de vista na Terra?

Torno a meu pai. Ele brigava muito com minha mãe. Raras vezes te frisei isso: tinha vergonha. Ah! que é vergonha? Coisa ridícula! A nós tudo nos é indiferente.

Meus pais não dormiam mais no mesmo quarto. Eu dormia com minha mãe, papai no quarto ao nosso lado, aonde podia voltar a qualquer hora da noite. Ele bebia muito e gastou a nossa fortuna. Minhas irmãs estavam empregadas e precisavam do seu próprio dinheiro, como diziam. Mamãe começou a trabalhar. No último ano de sua amargurada vida, papai batia em mamãe muitas vezes, quando não lhe queria dar dinheiro. Para mim ele era sempre bonzinho. Um dia, contei-te isso e ficastes escandalizada sobre o meu capricho – e de que não te escandalizastes em mim? – um dia, pois, devolveu duas vezes sapatos novos, porque a forma dos saltos não me era bastante moderna.[Os assinalados traços sobre o pai de Âni e as ocorrências subsequentes são fatos.]

Na noite em que uma apoplexia vitimou meu pai mortalmente, aconteceu algo que nunca te confiei, por temer desagradável interpretação de tua parte. Hoje, porém, deves sabê0lo. Esse fato é memorável, porque foi pela primeira vez que o meu atual espírito carrasco se acercou de mim.

Eu dormia no quarto de minha mãe. Suas respirações regulares denotavam seu profundo sono.

De repente ouvi chamar meu nome. Uma voz desconhecida murmurou: “Que acontecerá, se teu pai morrer?”

Eu não amava mais meu pai, desde que ele começara a maltratar minha mãe. Já não amava propriamente ninguém: só me prendia a alguns que eram bons para mim. – Amor sem intuito natural existe quase só nas almas que vivem em estado de graça. Nele eu não vivia.

Respondia assim ao misterioso interlocutor: “Com certeza ele não morre”.

Após breve intervalo, ouvi a mesma bem compreendida pergunta sem me incomodar de saber, de onde provinha.

“Qual o que! Ele não está morrendo” escapou-me casmurra.

Pela terceira vez fui interrogada: “Que acontecerá se teu pai morrer?”

De relance me surgiu no espírito como meu pai freqüentes vezes voltava para casa meio bêbado, ralhando e brigando com mamãe e quanto ele nos envergonhava perante os vizinhos e conhecidos!

Gritei, então embirrada: “Pois não, é quanto merece! Que morra!”

Depois, ficou tudo quedo.

Na manhã seguinte, quando mamãe foi para arrumar o quarto de papai, encontrou a porta fechada. Ao meio dia abriram-na à força. Papai encontrava-se meio vestido em cima da cama – morto, um cadáver. Ao procurar cerveja na adega, deve se ter resfriado. Desde muito, estava adoentado. – (Será que Deus fez depender da vontade de uma criança, a quem o homem demonstrava bondade, o conceder-lhe mais tempo e ocasião para se converter?)

* * *

Marta K. e tu me fizestes ingressar na associação das moças. Nunca te escondi que achava as instruções das duas diretoras, duas senhoras X., assaz vigaristas. Achava os jogos bastante divertidos. Conforme sabes, cheguei, em breve, a sustentar nele papel preponderante. Isso era o que me lisonjeava. Também as excursões me agradavam. Deixei-me até levar algumas vezes a confessar-me e comungar. Propriamente não tinha nada para confessar. Pensamentos e sentimentos comigo não entravam em conta. Para coisas piores eu não estava madura ainda.

Admoestaste-me um dia: “Âni, se não rezares mais, perder-te-ás”. Eu rezava realmente muito pouco; e também só contrariada, de má vontade.

Tinhas tu, sem dúvida, razão. Todos os que no Inferno ardem, não rezaram, ou não rezaram bastante. A oração é o primeiro passo para Deus. Sempre decisivo. Mormente a oração para aquela que é a mãe do Cristo, cujo nome não nos é lícito pronunciar. A devoção a Ela arranca ao demônio inúmeras almas, que os pecados lhe teriam infalivelmente atirado às mãos.

Furiosa continuo – por ser forçada: rezar é o mais fácil que se pode fazer na Terra. Justamente a essa facilidade Deus ligou a salvação.

A quem reza coma assiduidade, Deus dá, paulatinamente, tanta luz e fortalece-o tanto que o mais afogado bode de pecador se pode definitivamente levantar pela oração, ainda que esteja submerso na lama até ao pescoço.

Nos últimos anos da vida eu deveras não rezava mais e assim me privava das graças, sem as quais ninguém se pode salvar.

Aqui não recebemos mais graça alguma. Mesmo que a recebêssemos, com escárnio a rejeitaríamos. Todas as vacilações da existência terrestre acabaram no além.

* * *

Na vida terrena pode o homem passar do estado de pecado para o estado de graça. Da graça pode cair no pecado. Freqüentes vezes caí por fraqueza; raramente por maldade. Com a morte, terminou essa inconstância do sim e do não, caindo e levantando-se. Pela morte, cada um entra no estado final, fixo e inalterável.

À medida que avança a idade, tornam-se menores os saltos. É verdade que, até à morte, a gente se pode converter a Deus ou virar-Lhe as costas. No morrer se decide o homem, entretanto, com as últimas tremuras da vontade, maquinalmente, tal como se acostumara na vida.

Bom ou mau hábito tornou-se uma segunda natureza. Esta o arrasta no derradeiro momento. Assim também arrastou à mim. Anos inteiros eu vivera afastada de Deus. Consequentemente, decidi-me no último chamamento da graça, contra Deus. Não que o haver pecado muitas vezes me fosse uma fatalidade, mas porque eu não me queria mais levantar.

Repetidas vezes me admoestaste a assistir à pregação e a ler livros devotos. Eu escusava-me regularmente com a falta de tempo. Havia eu de aumentar ainda mais a minha incerteza íntima?

Cumpre-me aliás afirmar: Quando cheguei a esse ponto crítico, pouco antes da minha saída da associação das moças, ter-me-ia sido muito difícil enveredar por outro caminho. Sentia-me insegura e infeliz. Diante da minha conversão, levantou-se um paredão. Deves tê-lo desapercebido. Tu o tinhas imaginado tão fácil, quando uma vez me disseste: “Faça, pois, uma boa confissão, Âni, e tudo ficará bem”.

Eu suspeitava que assim fosse. Mas o mundo, o demônio e a carne já me seguravam nas suas garras.

Na atuação do demônio eu não acreditava nunca. Agora atesto que, a pessoas como eu então era, o demônio influencia poderosamente.[A influência dos maus espíritos encerra-se nos apelidos “demônio” ou “diabo”. Como comprovação da sua existência bastam dois textos da S. Escritura: “Irmãos, sede sóbrios e vigiai! Vosso inimigo, o demônio, anda por aí como um leão rugindo e procurando a quem puder devorar”. (1 Petr. 5, 8). O rugir nãos e refere ao que satanás faz muito alarme com as suas tentações, porém à avidez com que ele nos procura perder. – S. Paulo escreve aos Efésios (*, 12): “Ponde a armadura de Deus, para que possais resistir às astúcias do demônio. Nossa luta não é contra carne e sangue (homens), porém contra os poderes dos tenebrosos dominadores deste Mundo e contra os maus espíritos dos ares.”]

Só muitas orações alheias e as minhas próprias, juntamente com sacrifícios e sofrimentos, teriam conseguido arrancar-me dele.

E isso deveras só paulatinamente. Poucos possessos. O demônio não pode tirar o livre arbítrio àqueles que se entregam à sua influência. Contudo, como castigo de sua apostasia quase total de Deus, Este permite que o “Mau” neles se aninhe.

Odeio também o demônio. Todavia gosto dele, porque ele procura perder-vos: ele e seus auxiliares, os anjos caídos com ele desde os princípios do tempo. Há miríades. Vagueiam pela terra inúmeros como enxames de moscas, sem que sejam suspeitados.[S. Th. Suppl. q. 98, a. 6, ad 2: “Não é tarefa dos homens condenados, perderem e tentarem outros, porém dos demônios.”]

A nós homens réprobos não nos incumbe de vos tentar; isso cabe aos espíritos caídos.

Aumentam, sim, ainda mais os seus tormentos toda vez que arrastam uma alma humana ao Inferno. Mas de que não é capaz o ódio![S. Th, q. 98, a. 4, ad 3: “O crescente número dos réprobos aumenta ainda os sofrimentos de todos. Mas são de tal modo cheios de ódio e inveja, que antes querem sofrer mais com muitos, do que menos sozinhos.”]

Ainda que eu andasse por veredas tortuosas, Deus me procurava. Eu preparava o caminho à graça, por serviços de caridade natural, que por inclinação de minha índole, não raras vezes prestava.

Às vezes atraía-me Deus para uma Igreja. Lá eu sentia certa nostalgia. Quando cuidava da minha mãe doente, apesar do meu trabalho no escritório durante o dia, e sacrificava-me realmente um tanto, atuavam sobre mim poderosamente essas atrações de Deus.

Uma vez – foi na capela do hospital, aonde me levaste no tempo livre de meio dia – fiquei tão impressionada, que me encontrei a um passo apenas da minha conversão. Eu chorava.

Em seguida, porém, vinha o prazer do mundo derramar-se, como uma torrente, por sobre a graça. Os espinhos aforaram o trigo. Com a explicação de que religião é sentimentalismo conforme sempre se dizia no escritório, lancei também essa graça, como outras, debaixo da mesa.

Repreendestes-me um dia que, em vez de genuflexão, fiz numa igreja uma ligeira inclinação da cabeça. Tomastes isso como preguiça e não parecias suspeitar de que, já então, não acreditava mais na presença de Cristo no Sacramento. Agora creio nela, porém só naturalmente, como se acredita em tempestade, cujos sinais e efeitos se percebem.

Nesse ínterim, havia-me arranjado, eu própria, uma religião. Agradou-me a opinião generalizada no escritório, de que, após a morte, a alma voltaria para este Mundo em outro ser e passaria por outros e mais outros seres, numa sucessão sem fim.

Com isso liquidei o angustiante problema do além e imaginava tê-lo tornado inofensivo.

Por que não me lembraste a parábola do gozador rico e do pobre Lázaro, em que o narrador, Cristo, imediatamente após a morte, mandou um para o Inferno, o outro para o Paraíso? Mas o que terias conseguido? Nada mais do que com tuas demais palavras beatas.

Aos poucos eu própria arranjei um deus: bem privilegiado para se chamar deus; a mim bastante longe para não me obrigar a relações com ele; assas confuso, para se transformar, à vontade e sem mudar de religião, num deus panteístico ou até tornar-me orgulhosa deísta.

Esse “deus” não tinha um céu para me galhardear nem inferno para ame amedrontar-me. Deixei-o em paz. Nisso consistia a minha adoração a ele.

No que se ama, acredita-se facilmente. No curso dos anos tinha-me eu assaz persuadido da minha religião. Vivia-se bem com ela, sem que ela me incomodasse.

Só uma coisa lhe teria quebrado a nuca: uma dor profunda, prolongada. Mas este sofrimento não veio. Compreende agora: “A quem Deus ama, Ele castiga!”

Era um dia de estio, em julho, quando a associação das moças organizava uma excursão para A. Gostava eu sim das excursões. Mas não das beatarias anexas!

Outra imagem, diferente da de Nossa Senhora das Graças de A., estava, desde pouco, no altar do meu coração. O grã-fino Max N. do armazém ao lado. Pouco antes conversáramos divertidamente algumas vezes. Convidara-me, nessa ocasião, para fazermos uma excursão naquele mesmo domingo. A outra com que costumava andar, estava no hospital.

Reparara, sim, que eu tinha deitado um olhar sobre ele. Mas eu não pensava ainda em casar-me com ele. Era afortunado, porém amável demais para com muitas e quaisquer mocinhas; até então eu queria um homem que me pertencesse exclusivamente, como única mulher. Certa distância sempre me era própria. [Isso era verdade. Com toda a sua indiferença religiosa Âni tinha algo de nobre em seu ser. Espanto-me de que também pessoas “honestas” possam cair no Inferno, se são assaz desonestas para fugirem do encontro com Deus]

Nessa excursão, Max cumulou-me de todas as amabilidades. Conversações de beatas é que não tivemos, como vocês.

No outro dia, no escritório, repreendestes-me porque não vos acompanhei até A. Contei-te os meus divertimentos domingueiros.

Tua primeira pergunta era: “Estivestes na missa?” Louca! Como podia assistir à missa, desde que combinamos a saída para 6 horas! Lembras-te, ainda, que juntei excitada: “O bom deus não é tão mesquinho como os vossos padrecos?” Agora, cumpre-me confessar-te que, apesar de sua infinita bondade, Deus toma tudo mais a sério do que os padres.

Após esse primeiro passeio com Max, assisti mais uma só vez à vossa reunião. Na solenidade de Natal. Certas coisas me atraíam. Mas interiormente, já estava apartada de vocês.

Cinemas, bailes, excursões, seguiam-se. Brigávamos às vezes, Max e eu, mas eu sabia prendê-lo sempre a mim.

Mui desagradável me foi a rival que, de volta do hospital, se comportava furiosamente. Propriamente a meu favor. Minha calma distinta causou grande impressão a Max e obrigou-lhe, afinal, a decisão de me preferir.

Eu sabia denegri-la, rebaixá-la. Falando com calma: por fora, realidades objetivas; por dentro, atirando peçonha. Semelhante sentimentos e insinuações conduzem rapidamente ao Inferno. São diabólicos, no verdadeiro sentido da palavra.

Por que te conto isso? Para constar como fiquei definitivamente livre de Deus.

Para esse afastamento não foi preciso que eu chegasse com Max muitas vezes às últimas familiaridades. Compreendi que me rebaixaria aos seus olhos, se me deixasse esvaziar antes do tempo. Por isso me retinha, vedava.

Realmente estava eu sempre pronta para tudo que achava útil. Cumpria-me conquistar Max. Para isso nada achava caro de mais. Amamo-nos aos poucos, pois que ambos possuíamos valiosas qualidades que podíamos apreciar mutuamente. Fui talentosa e tornei-me hábil e conversadora. Cheguei, assim, a prender Max nas mãos, segura de que o possuía sozinha, pelo menos nos últimos meses antes do casamento.

Nisso consistia minha apostasia de Deus, em fazer de uma criatura o meu deus. Em coisa alguma pode isso realizar-se tão plenamente como entre pessoas de diferentes sexo, se o amor se afoga na matéria. Isso torna-se seu encanto, seu aguilhão e seu veneno. A “adoração” que eu me prestava em Max, tornou-se-me uma religião vivida..

* * *

Era no tempo quando, no escritório, tão virulentamente eu caia em cima das corridas à igreja, dos padrecos, do murmurejar de rosário e das demais bugigangas.

Emprenhastes-te, mais ou menos inteligentemente, em proteger tudo isso; aparentemente sem suspeitares de que para mim, em última análise, não se tratava dessas coisas, mas propriamente de ponto de apoio contra minha consciência que eu estava procurando – dele eu precisava ainda – para justificar racionalmente a minha apostasia.

No fundo eu vivia revoltada contra Deus. Tu não percebias isso. Sempre me consideravas ainda católica. Como tal, queria eu também ser chamada; até mesmo pagava a contribuição para a igreja. Certa “ressalva” não me podia fazer mal, pensava eu.

Por mais certas que às vezes fossem tuas respostas, de mim ressaltavam, porque tu não devias ter razão. Em face dessas nossas relações entrecortadas a dor da nossa separação era pequena, quando meu casamento nos distanciou.

Antes do meu casamento, confessei-me e comunguei mais essa vez. Era uma formalidade. Meu homem pensava como eu. De resto, por que não haveríamos de satisfazê-la? Cumprimo-la como qualquer outra formalidade.

Vós o chamais “indigno”. Após aquela “indigna” comunhão eu tinha mais sossego de consciência. Era essa a última.

Nossa vida matrimonial decorria, em geral, em boa harmonia. Em quase todos os pontos tínhamos a mesma opinião. Também nisso: não nos queríamos impor o encargo de filhos. No fundo, meu marido desejava ter um – naturalmente não mais. Eu soube arrancar-lhe, finalmente, essa idéia. Eu gostava mais de vestidos e mobílias finas, de tertúlias de chá, de passeios de automóvel e de semelhantes divertimentos.

Era um ano de prazeres terrenos entre o casamento e minha repentina morte.

Cada domingo passeávamos de automóvel ou visitávamos parentes de meu esposo. (De minha mãe eu me envergonhava então). Esses nadavam bem como nós, na superfície da existência.

Interiormente, porém, nunca me sentia deveras feliz. Algo roía-me sempre na alma. Eu desejava que pela morte, a qual sem dúvida havia de demorar muito tempo ainda, tudo acabasse.

Mas é como em criança eu ouvira uma vez falar, em sermão, que deus recompensa já neste Mundo o bem que alguém pratica. Se não pode recompensá-lo no outro mundo, fá-lo na Terra.

Sem o esperar, recebi uma herança (da tia Lote). Meu marido teve a sorte de ver o seu salário consideravelmente aumentado. Assim pude instalar mimosamente a nossa casa nova.

* * *

Minha religião estava às últimas, como um vislumbre do ocaso no firmamento longínquo. Os bares e cafés da cidade e os restaurantes por onde passávamos nas viagens, não nos aproximaram de Deus.

Todos os que lá freqüentavam, vivam como nós: de fora para dentro, não de dentro para fora.

Visitando uma célebre catedral, nas viagens de férias, procurávamos deleitar-nos com o valor artístico das obras primas. O sopro religioso que irradiavam, mormente as da Idade Média, eu sabia neutralizá-lo, escandalizando-me em qualquer circunstâncias da visita. Assim, a um irmão leigo que nos conduzia, eu criticava o estar um tanto sujo e desajeitado; criticava o comércio de piedosos monges que fabricavam e vendiam licor; criticava as eternas badaladas dos sinos chamando para igrejas, onde se trata apenas de dinheiro.

Assim eu conseguia afastar de mim a graça, cada vez que me batia à porta.

Mormente deixava meu mau humor derramar-se livremente sobre tudo que tratava de antigas representações do Inferno em livros, cemitérios e outros lugares, onde se viam os demônios fritarem as almas em fogo vermelho ou amarelo, e seus sócios, de cauda comprida, trazerem-lhes mais e mais vítimas.

Clara, o Inferno pode ser mal desenhado, porém nunca ser exagerado.

Sobretudo escarnecia eu sempre do foto do Inferno. Lembras-te como numa conversa sobre isso eu te meti um fósforo aceso debaixo do nariz burlando: “É assim que cheira!”

Tu apagaste tão logo a chama. Aqui ninguém a extingue. Digo-te mais: o fogo de que fala a Bíblia, não significa tormento de consciência. Fogo significa fogo. Cumpre entendê-lo em sentido real, quando Aquele declarou: “Afastai-vos de mim, vós, malditos, ide para o fogo eterno”. Literalmente!

Como pode o espírito ser tocado pelo fogo material? Perguntas.

Como então pode, na Terra, tua alma sofrer, segurando teu dedo na chama?

Tua alma também não se queima, mas que dor tem de aturar o homem todo!

Semelhantemente estamos nós aqui presos ao fogo em nosso ser em nossas faculdades. Nossa alma fica privada do seu vôo natural; não podemos pensar nem querer o que queremos.[S. Th. Suppl. q. 70, a. 3, r.: “O fogo do Inferno atormenta o espírito pelo que o impede de executar o que quer; não pode atuar onde quer e quanto quer.”]

Não procures esclarecer o mistério contrário às leis da natureza material: o fogo do Inferno queima sem consumir.

O nosso maior tormento consiste em que sabemos exatamente que nunca veremos Deus.

Quanto pode torturar o que na terra nos era indiferente! Enquanto a faca está em cima da mesa, deixa-te fria. Vês-lhe o fio, porém não o sentes. Mas entra a faca na carne e gritarás de dor.

Agora sentimos a perda de Deus; antes só a vimos.[“A separação de Deus é um tormento tão grande como Deus” (Frase atribuída a S. Agostinho. Cf. Houdry, Biblioteca concionatorum – Veneza, 1786, vol. 2, sob Infernus, § 4, p. 427)]

Todas as almas não sofrem igualmente. Quanto mais frívolo, maldoso e decidido alguém foi no pecar, tanto mais lhe pesa a perda de Deus, e tanto mais torturado se sente pela criatura abusada.

Os católicos condenados sofrem mais do que os de outra crença, porque receberam e desaproveitaram, em geral, mais luzes e mais graças.

Quem sabia mais, sofre mais do que aquele que menos conhecimentos tinha.

Quem pecou por maldade sofre mais do que aquele que caiu por fraqueza.

Mas nenhum sofre mais do que mereceu. Oxalá isso não fosse verdade, para que eu tivesse motivo para odiar!

Tu me disseste um dia: ninguém cai no Inferno sem que o saiba. Foi isso revelado a uma santa. Ria eu disso, no entanto me entrincheirava atrás desta reflexão: nesse caso me ficaria suficiente tempo para me converter – assim eu pensava no íntimo.

O enunciado calha. Antes do meu fim repentino, de certo não conhecia o Inferno tal qual é. Nenhum ente humano o conhece. Mas eu estava exatamente inteirada disso: Se tu morreres, entrarás na eternidade como revoltada contra Deus. Suportarás as conseqüências.

Conforme declarei já, não voltei atrás, mas perseverei na mesma direção, arrastada pelo costume, com que os homens agem tanto mais calculada e regularmente, quanto mais velhos ficam.

* * *

Minha morte ocorreu do seguinte modo:

Há uma semana – falo de acordo com a vossa contagem, porque calculada pelas dores, eu poderia já estar ardendo no Inferno havia dez anos – faz pois uma semana que meu marido e eu fizemos, num domingo, uma excursão, que foi a última para mim.

Radiante despontara o dia. Eu sentia-me bem, como raras vezes. Perpassou-me, porém, um sinistro pressentimento..

Inesperadamente, na viagem de volta, meu marido que vinha guiando o carro, e eu ficamos ofuscados pela luz de um automóvel que vinha em sentido contrário e com grande velocidade. Meu marido perdeu a direção.

Jesus! Estremeci. Não como oração, mas como grito. Sentia uma dor esmagadora por compressão – uma bagatela em comparação com o tormento atual. Perdi então os sentidos.

Estranho! Naquele manhã mesma, nascera-me inexplicavelmente a idéia: poderias, enfim, mais uma vez ir à missa. Soava-me como súplica. Claro e decidido cortou meu “Não” o fio da idéia. Com isso devo acabar definitivamente. Tomo sobre mim todas as conseqüências. Agora as suporto.

* * *

O que aconteceu após a minha morte, tu conheces. A sorte de meu marido, de minha mãe, do meu cadáver e enterro, tudo te é conhecido até nos pormenores, como sei por uma intuição natural que todos nós temos.

Do mais que acontece no Mundo, só temos um conhecimento confuso. Mas o que nos tocava de perto conhecemos. Assim conheço também teu paradeiro.[“As almas de falecidos não têm seguro conhecimento de pormenores, porém apenas um enuviado conhecimento geral da natureza material”. (S. Th. Suppl. q. 98, a. 3).]

* * *

Acordei das trevas no momento da minha morte. Vi-me de repente envolvida de luz ofuscante. Era no mesmo lugar onde estava o meu cadáver. Aconteceu como em teatro, quando de repente apagam as luzes, a cortina é ruidosamente removida e aparece a cena tragicamente iluminada: a cena de minha vida.

Como num espelho, assim eu vi minha alma. Vi as graças pisadas aos pés, desde a juventude até o último “Não” dado a Deus.

Apossou-se de mim a impressão como que de assassino levado ao tribunal à frente da sua vítima inanimada. – Arrepender-me? Nunca! [S. Th. Suppl. q. 98, a. 2, r.: “Os maus não se arrependem propriamente dos pecados, por lhes serem afeitos maliciosamente. Arrependem-se, porém enquanto são castigados pelas penas dos pecados”.] – Envergonhar-me? Jamais!

Entretanto nem me era possível permanecer na vista de Deus, negado e reprovado por mim. Restava-me uma só coisa: a fuga.

Assim como Caim fugiu do cadáver de Abel, assim minha alma se atirou longe desse aspecto horrível.

Esse era o Juízo particular.

O invisível juiz falou: “Afasta-te!” Logo caiu minha alma, como uma sombra sulfúrica, no lugar do tormento eterno.[ “É certo que o Inferno é um local determinado. Mas onde esse local fica situado, ninguém o sabe.”

A eternidade das penas do Inferno é um dogma: seguramente o mais terrível de todos. Tem suas raízes na S. Escritura. Cf. Mt. 25, 41 e 46; 2 Thess. 1, 9; Jud. 13; Apoc. 14, 11 e 20, 10; todos eles são textos irrefutáveis, em que “eterno” não se deixa trocar e interpretar por “longo”.

Se não fora conveniente ilustrar esse dogma num caso particular, nem o próprio Nosso Senhor teria pedido fazê-lo na parábola do rico folgazão e do pobre Lázaro. Lá fez o mesmo que aqui vem feito: desenhou o Inferno e como se pode cair nele. Não o fez por prazer sensacional, porém levado pela mesma intenção que ocasionou esta publicação.

A finalidade deste folheto encontra sua expressão no seguinte conselho: “Desçamos ao Inferno ainda vivos, para que moribundos nele não caiamos”. Este conselho dirigido a cada um não é senão a paráfrase do salmo 54: “Descendant in infernum viventes, videlicet, ne descendant morientes”, a qual se encontra numa obra (erradamente) atribuída a S. bernardo (Patr. Lat. Migne, vol. 184, Col. 314 b).[“É certo que o Inferno é um local determinado. Mas onde esse local fica situado, ninguém o sabe.”

A eternidade das penas do Inferno é um dogma: seguramente o mais terrível de todos. Tem suas raízes na S. Escritura. Cf. Mt. 25, 41 e 46; 2 Thess. 1, 9; Jud. 13; Apoc. 14, 11 e 20, 10; todos eles são textos irrefutáveis, em que “eterno” não se deixa trocar e interpretar por “longo”.

Se não fora conveniente ilustrar esse dogma num caso particular, nem o próprio Nosso Senhor teria pedido fazê-lo na parábola do rico folgazão e do pobre Lázaro. Lá fez o mesmo que aqui vem feito: desenhou o Inferno e como se pode cair nele. Não o fez por prazer sensacional, porém levado pela mesma intenção que ocasionou esta publicação. A finalidade deste folheto encontra sua expressão no seguinte conselho: “Desçamos ao Inferno ainda vivos, para que moribundos nele não caiamos”. Este conselho dirigido a cada um não é senão a paráfrase do salmo 54: “Descendant in infernum viventes, videlicet, ne descendant morientes”, a qual se encontra numa obra (erradamente) atribuída a S. bernardo (Patr. Lat. Migne, vol. 184, Col. 314 b).]

* * *

Últimas informações de Clara

“Assim finalizou a carta de Âni sobre o Inferno. As últimas palavras eram quase ilegíveis, tão tortas estavam as letras. Quando eu acabara de ler a última palavra, a carta toda virou cinza.

Que é que lá ouço? Por entre os duros acentos das linhas que eu imaginava ter lido ressoou doce som de sino. Acordei de vez. Achei-me ainda deitada no meu quarto. A luz matinal da aurora penetrava nele. Da igreja paroquial vinham as badaladas das ave-marias.

Pois tudo era apenas um sonho?

Nunca eu sentira na Saudação Angélica, tanto consolo como após esse sonho. Pausadamente fui rezando as três ave-marias. Tornou-se-me então claro, claríssimo: ela cumpre segurar-te, à bendita Mãe do Senhor, venerar a Maria filialmente, se não quisesse ter a mesma sorte que te contou – ainda que em sonho – uma alma que jamais verá Deus.

Espantada e tremendo ainda pela visão noturna levantei-me, vesti-me depressa e fugi para a capela da casa.

O coração palpitava-me violenta e descompassadamente. Os hóspedes, ajoelhados mais perto de mim, olhavam-me preocupados. Talvez pensassem que, por haver eu corrido escada abaixo, estivesse tão excitada e vermelha.

Uma bondosa dama de Budapeste, grande sofredora, franzina como uma criança, míope, todavia fervorosa no serviço de Deus e de longo alcance espiritual, disse-me à tarde no jardim: “Senhorita, Nosso Senhor não quer ser servido no expresso”.

Mas ela percebia então que outra coisa me havia excitado e ainda me preocupava. Ajuntou bondosamente: “Nada te deve angustiar – conheces o aviso de S. Teresa – nada te deve alarmar. Tudo passa. Quem possui Deus, nada lhe falta. Só Deus basta.”

Quando sussurrava isso mesmo, sem qualquer tom de mestra, parecia-me ler na minha alma.

“Deus só basta”. Sim, Ele há de me bastar, neste e no outro mundo. Quero ali possuí-Lo um dia, por mais sacrifícios que aqui eu tenha ainda de fazer para vencer. Não quero cair no Inferno.”

4 COMENTÁRIOS

  1. OS EVANGÉLICOS E A PORTA LARGA DA SALVAÇÃO

    Aceitamos que todo homem e mulher devem aderir a fé ou crença que lhes pareçam mais adequadas. Repudiamos qualquer tentativa de cerceamento religioso ou preconceito. Acreditamos na liberdade religiosa e no amplo debate em matéria de fé e doutrina. Reconhecemos ainda que é direito de todo e qualquer homem e mulher aderirem inclusive ao erro doutrinário se assim desejarem. Repudiamos ataques a honra e dignidade das pessoas de quaisquer credos ou profissões, fé e doutrina. Aceitamos que existem pessoas sérias e dignas em toda vertente cristã e nas demais religiões não cristãs. Repudiamos cerceamento ou perseguição religiosa de qualquer ordem. Repudiamos discriminações de quaisquer espécies e limitamos o debate às questões de fé e doutrina.

    No Brasil, a palavra Evangélico tornou-se uma espécie de religião. Se não gostam da palavra religião, podemos trocar por segmento ou rótulo.

    O termo evangélico é usado especialmente para designar membros das denominações protestantes que não integram as denominações do chamado protestantismo histórico.

    Acreditamos que o termo adequado nem deveria ser evangélico, mas talvez a palavra “bíblico”, uma vez que estes cristãos em sua grande maioria costumam dar ao Velho Testamento a mesma ênfase e importância do Novo Testamento. Muitos se utilizam de versículos soltos e textos do Velho Testamento para justificarem doutrinas e obrigações.

    Mas o que significaria ser bíblico ou no caso evangélico ? Uma definição mais justa e de fácil compreensão destaca que o termo evangélico deve ser aplicado a todo aquele que crê e obedece ao evangelho.

    Contudo, se existem várias vertentes cristãs e todas discordam umas das outras, não é possível concluir que este termo evangélico possa ser aplicado a todos. Alguns ou muitos, necessariamente, não estão sendo nem um pouco “evangélicos.”

    Para nós católicos, existem “católicos” e católicos. Ser católico ou dizer-se católico não torna ninguém superior aos demais e nem é garantia de salvação.

    O mesmo não se pode dizer do termo evangélico. Quem se diz evangélico nem mesmo pode ser corrigido. Logo aprece alguém para dizer: “Não toca no ungido do Senhor”, “Deixa que ele está fazendo a obra de DEUS.” “Está havendo perseguição religiosa.” “Aí de quem toca no servo de DEUS.”.

    Ser designado como evangélico também presume “Salvação garantida” a partir do momento que se “aceita” Jesus, já não importando a fé que se pratica ou o Jesus que se pretende seguir.

    O nome evangélico tornou-se ainda uma marca. Quando há uma pesquisa ou estatísticas todos que se dizem evangélicos são somados como se representassem uma única fé ou como se todos professassem os mesmos credos ou costumes. E a grande maioria no meio concorda com isto e até vibra com os percentuais alcançados pela soma de todas as denominações e crentes, mesmo que uns façam oposição severa a outros.

    Há quem diga que a soma de todos os evangélicos de quaisquer denominações definem o que seria o “Povo de DEUS.” A própria definição bíblica de quem seriam as “mães” e irmãs de Jesus já não tem qualquer importância para estes cristãos.

    Quem usa bom senso rejeita esta distorção. Sabemos que nem todo aquele que se diz defensor ou seguidor do evangelho consegue vive-lo ou aceita-lo de forma integral.

    No catolicismo temos a Igreja coluna e sustentáculo da verdade que tudo nos ensina e tudo define em matéria de fé e doutrina. Temos ainda o Papa que tem a última palavra e que para nós é o Pedro infalível quando se pronuncia em matéria de fé e doutrina.

    Antes mesmo de apontarmos erros ou desvios em outro irmão ou sacerdote, deveríamos perceber os nossos próprios enganos e acertos a partir da direção que recebemos da Santa Igreja. Em outras palavras, temos como saber se estamos ou não sendo evangélicos.

    E no protestantismo como alguém pode saber se está sendo ou não evangélico ? A maioria parece não se importar com isto, mas apenas deseja utilizar-se do rótulo como se fosse uma espécie de selo que garante a entrada na vida eterna e permissão para julgar os demais.

    Como definir no protestantismo o que é fidelidade ao evangelho ou estabelecer quem é fiél se todos “interpretam” por conta própria sem um magistério confiável que defina antes o que é certo ou errado ou o que ensine tudo que é verdadeiro e tudo que não é ?

    O que ocorre no protestantismo ? Todos se dizem certos e inspirados pelo Espírito Santo. E todos, sem exceção descartam o magistério da Igreja e infalibilidade de qualquer ordem. Pelo contrário. Dizem que Igreja não salva ninguém e que não há um só homem infalível em matéria de fé e doutrina.

    É nítido para qualquer ser humano com um mínimo de discernimento que se dois não concordam entre si e ambos se dizem certos e ambos também não aceitam o veredicto de um terceiro, não haverá entre eles unidade de qualquer espécie em matéria de fé e doutrina. Logo, um dos dois mudará de denominação ou fundará uma nova “igreja” sob a regência de um novo “mestre” infalível para si mesmo que é o próprio fundador na nova “igreja”.

    Dizem os evangélicos que o magistério confiável e infalível é a Bíblia. Ora, todos concordamos que a Bíblia é palavra infalível de DEUS. Aliás, Lutero conheceu esta verdade através da Igreja Católica. Diferente de Paulo, o herege não recebeu revelação alguma pessoal de Jesus Cristo e nem a Bíblia lhe caiu do céu. Tampouco nasceu sabendo.

    Se por um lado podemos dizer que a palavra de DEUS é infalível, não podemos dizer que as divergentes e opostas entre si “interpretações” protestantes são infalíveis. Uma coisa é o que DEUS disse e definiu e outra coisa é o que cada protestante ou evangélico entendeu de sua própria leitura privada da Bíblia.

    Se alguém lê a Bíblia e entende que o divórcio é lícito e outro lê e entende o contrário, é evidente que os dois não podem estar praticando a doutrina evangélica integral ao mesmo tempo. Pelo menos um dos dois não entendeu o que leu.

    A verdade é que no Brasil o título evangélico é usado por quem deseja se auto proclamar como tal. Assim alguns também se fazem apóstolos, missionários ou bispos. A única condição para que alguém de fato “encarne” o título evangélico seria professar a suposta fé protestante, aderindo a qualquer denominação do gênero ou mesmo tornando-se um sem igreja desde que confesse a Bíblia como única regra de fé e desde que se torne um crítico feroz do catolicismo.

    O essencial para estes que desfilam com os rótulos protestante ou evangélico é se definirem adeptos do critério “Só a Bíblia” e ter “aceitado” Jesus em um templo dito protestante ou evangélico. Aceitou Jesus com a boca e levantou o dedo já não importa o que vai no coração de cada crente, a fé que se pratica, o líder que se segue e o Jesus que se pretende “servir”.

    Teoricamente e pretensiosamente, o evangélico seria alguém que professa doutrinas que encontram amparo bíblico, ao mesmo tempo que descarta aquelas que não constam das Escrituras. Será que é assim mesmo ?

    Uns batizam e outros não batizam. Repetimos: Se dois “evangélicos” interpretam a mesma Bíblia de modos diferentes é certo que pelo menos um deles está errado. E quem se enganou, atribuiu a si próprio o título de evangélico mesmo que sua doutrina esteja longe da mensagem ensinada pelo evangelho que ele jura defender. Temos aí um clássico exemplo do rótulo sendo decisivo para a suposta “garantida salvação” do crente. O mesmo conflito pode ser verificado entre aqueles que acatam o divórcio em relação àqueles que o repudiam. E assim por diante.

    As doutrinas dos supostos “evangélicos” divergem entre si e não raras vezes uns atacam os outros de hereges por supostas doutrinas professadas que não estão definidas pela Bíblia. Com facilidade, encontramos entre os chamados evangélicos várias doutrinas contestadas por outros evangélicos.

    Podemos citar o evangelho judaizante, a unção da vassoura, a unção da galinha, a unção da lama, a unção do chifre, o culto das princesas, a benção do aeroporto, a unção do zoológico, a adoração da arca da aliança, descarrego, desafios financeiros, teologia da determinação, confissão positiva, regressão ao útero materno, transferência de unção, a doutrina de tomar posse da benção, entre tantas outras e em especial a demoníaca teologia da prosperidade. Tal teologia é exaltada por muitos evangélicos e veementemente criticada por outros tantos também chamados evangélicos. Há ainda simpatizantes e críticos para aqueles que pregam a favor do aborto e para aqueles que dizem que não se deve ajudar os pobres.

    É líquido e certo que aos olhos dos próprios evangélicos nem todos os chamados “evangélicos” estão praticando o que a Bíblia ensina.

    Estranhamente, mesmo que reconheçam aberrações entre eles, quando surgem pesquisas e estatísticas, todos passam milagrosamente a encarnar o “Povo de DEUS.”. Até mesmo o defensor do aborto ou o pregador que nega que Jesus Cristo seja DEUS e ainda aquele outro que diz que ajudar os pobres é desviar recursos da igreja, nesta hora também fazem parte do “Povo Santo” que se julga eleito, especial e que tem salvação garantida.

    Embora confessam e até protestem contra os desvios doutrinários no meio evangélico, não reconhecem tais enganos neles próprios, mas sempre nos outros.

    É sempre o outro que está errado. E por que ? Porque quem lê a Bíblia achando-se inspirado pelo Espírito Santo, não pode admitir que cometeu erros de interpretação.

    E qual seria o grande problema para os evangélicos ? Todos se dizem inspirados pelo Espírito Santo. Todos se dizem salvos e todos se dizem certos em suas particulares interpretações. E se todos são de fato inspirados pelo Espírito Santo, como alguém poderá alegar que desconhecia esta ou aquela doutrina ou que pregou ou praticou doutrina estranha a Bíblia ?

    Quem prega a favor da teologia da prosperidade afirma que recebeu inspiração do Espírito Santo. Este mesmo “prova” pela Bíblia que sua doutrina está correta. Entretanto, aquele que lhe faz oposição utiliza-se da mesma Bíblia para contestar a dita teologia e este mesmo também se diz inspirado pelo Espírito Santo.

    Se de fato o evangélico crê que está sendo inspirado pelo Espírito Santo como poderá esquivar-se ou desculpar-se por doutrina anti bíblica que pregou ou por doutrina bíblica que não professou ? A quem ele poderá culpar se ele mesmo se diz inspirado pelo Espírito Santo de modo que não precisava de explicação de qualquer ordem e muito menos de igreja ?

    No catolicismo tal não ocorre. Somos convidados ao exame das Escrituras sem a função de interpreta-las, tal como nos ensina o apóstolo Pedro.

    “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.
    (2 Pedro 1:20-21)”

    Apenas a Santa Igreja, coluna e sustentáculo da verdade compete a interpretação das escrituras. “Igreja, coluna e sustentáculo da verdade.” (I Tim 3.15)

    Aos católicos compete o exame das escrituras e não sua interpretação (Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”. João 5.39.) Jesus deixa claro que exame não é interpretar e diz textualmente que não é na letra que se encontra a vida eterna.

    Não por acaso, a própria Bíblia ensina que as Escrituras são úteis para o ensino. Útil não é Suficiente: “Toda Escritura É Inspirada Por Deus E Útil Para O Ensino, Para A Repreenção, Para A Correção, Para A Educação Na Justiça, A Fim De Que O Homem De Deus Seja Perfeito E Perfeitamente Habilitado Para Toda Boa Obra. (2 Timóteo 3 – 16,17).”

    Resta saber quem nos pode apresentar o Jesus verdadeiro ? Podemos conhece-lo por inteiro mediante nossa leitura privada da Bíblia ou somente através da Igreja Coluna e Sustentáculo da verdade que de fato é quem pode nos apresentar o verdadeiro Jesus para que possamos segui-lo ?

    Cada evangélico que lê a Bíblia encontra um Jesus diferente de um outro evangélico que também leu e interpretou a Bíblia.

    O demoníaco Lutero criou o problema e também tratou de “resolve-lo” do seu modo torto, deficiente, pretensioso e desprovido de qualquer bom senso e piedade: “Quem não crê como eu está destinado ao inferno. O meu juízo e o juízo de DEUS são a mesma coisa(Martinho Lutero).”

    Pronto. Está resolvido. Cada evangélico que leu e interpretou está certo para si mesmo e salvo por causa do rótulo ou da doutrina “certa” que conseguiu extrair de sua leitura particular da Bíblia. Quem “vai” para o inferno são os outros que não leram ou que não interpretaram como ele. Ou ainda, irá para o inferno quem ele decidir que vai. Especialmente os católicos.

    Ora, se um evangélico discorda de outro e outros tantos dele também discordam, faz-se necessário a qualquer ser humano de razoável percepção perguntar a si próprio se de fato ele mesmo está sendo inspirado pelo Espírito Santo em sua “interpretação” privada. Seria uma pergunta natural, previsível e indispensável para quem realmente está interessado na verdade.

    Mesmo que alguém se ache certo sobre determinada doutrina, tão logo verifique que um dos seus pares leu e interpretou de modo diferente o mesmo texto, deverá concluir que ele próprio ou este seu amigo, pelo menos um dos dois, necessariamente, não foi inspirado pelo Espírito Santo. Se ambos tivessem sido inspirados pelo Espírito Santo na leitura de um mesmo texto, teriam concordado em matéria de fé e doutrina.

    Apenas com a total e completa má-fé é que alguém pode dizer que duas doutrinas opostas entre si teriam sido inspiradas pelo mesmo Espírito Santo. E todos concordam que só existe um Espírito Santo.

    Ser católico é infinitamente mais seguro. Se fosse possível erros da Igreja em matéria de fé, doutrina e moral, ainda assim poderíamos culpar esta mesma Igreja. Haveríamos de dize ao Senhor que confiamos na Igreja que pela Bíblia é coluna e sustentáculo da verdade.

    Poderíamos culpar São Paulo porque nos disse que a tradição deve ser guardada(“Assim, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa” (2Tes 2,15).

    Poderíamos culpar o papa e justificar que seguimos o que estava na Bíblia e assim mantivemo-nos fiél a Pedro(“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18).
    E ainda poderíamos dizer ao Senhor que a Bíblia reforça a atuação de Pedro e a necessidade de escuta-lo(Jo 21,1-19“Pedro tu me amas ? Apascenta as minhas ovelhas”
    E também poderemos dizer que foi o próprio Senhor Jesus quem disse a Pedro: “Confirma Teus Irmãos” (LC 22,32)

    Haveríamos de dizer ao Senhor Jesus: “Com tantas passagens favoráveis a Pedro, como poderíamos recusa-lo Senhor ?

    Com tantos textos bíblicos favoráveis a Pedro e nenhum texto bíblico favorável a Lutero, como nos seria possível concluir a favor do ex comungado que surgiu no mundo 1.500 anos após a fundação da Igreja e 1.200 anos após o surgimento da Bíblia ?”

    E haveríamos de concluir: “Até São Paulo foi confirmar sua doutrina com o teu querido Pedro. (Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém – At 15,2).”

    São Paulo o mais culto dos apóstolos não se fez “sábio” aos seus próprios olhos: E ninguém se pergunta:

    “Por que não fundaste tua própria Igreja São Paulo ? “Por que não ?” ”Ignorantes e maus o fazem e vós não fizestes ?”
    “Tantos atribuem a si próprios os títulos de bispos ou apóstolos e tu que era apóstolo verdadeiro nunca se fez o maior entre todos !”

    O que podemos concluir sobre a humildade de São Paulo, o maior dos apóstolos: Porque era necessário que a doutrina de Jesus permanecesse una, imutável, sempre a mesma. São Paulo fez-se humilde tal como o seu mestre e não se julgou superior. Pelo contrário, julgou-se o menor dos apóstolos. “E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque sou o menor dos Apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus… (1 Cor 15,8-9).”

    Se possível erros e enganos entre católicos, estes seriam por mera ignorância. Se erramos porque cremos na tradição é porque antes cremos na Bíblia que nos ensina que devemos guardar tudo que foi transmitido por escrito ou não((“Assim, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa” (2Tes 2,15). Mas se erramos porque que cremos na Bíblia é porque antes cremos na Igreja que nos ensina que a Bíblia é a palavra de DEUS. E se erramos porque cremos na Igreja é porque antes Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-19).

    Haveríamos de dizer ao Senhor: “Não sabíamos que o poder de ligar e desligar na terra tinha sido concedido a Lutero e demais pregadores protestantes.”

    Sabemos que Jesus não ensinou “Só a Bíblia”. Tal ensino também não foi visto entre os apóstolos. A Igreja nunca ensinou “Só a Bíblia”. E se tivesse ensinado éramos nós católicos que praticaríamos esta doutrina. E automaticamente, assumindo o anti catolicismo inegável, os evangélicos rejeitariam o mesmo “Só a Bíblia” que hoje defendem.

    E nem adianta dizer que a Bíblia sugere “Só a Bíblia”, pois tal não ocorre. Pelo contrário, se não vejamos:

    Nem tudo está na Bíblia: Jo 21,25.
    Jesus Cristo mandou pregar e não escrever: Mt 28,19-20.
    Os cristãos primitivos seguiram a tradição apostólica: At 2,42.
    São Paulo dá destaque a autoridade da transmissão oral: 1Ts 2,13; 2Ts 2,15; 2Tm 2,2; 1Cor 11,2.

    Sem dúvida, se possível enganos na doutrina católica, algo que repudiamos, poderíamos alegar completa e total ignorância e talvez algum dia pudéssemos ouvir: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” i “(Lc 23,34)

    Afinal, não nos consideramos mestres ou intérpretes. E se não interpretamos, logo não atribuímos ao Espírito Santo doutrinas estranhas ao evangelho, porquanto nem mesmo temos doutrinas particulares ou “inspiradas”, mas seguimos a Igreja que para nós é coluna e sustentáculo da verdade.

    E os evangélicos o que dirão ? Todos são mestres, intérpretes, profetas e todos, sem exceção, se dizem inspirados pelo Espírito Santo. E não é só isso. Todos dizem “Só a Bíblia”. E podemos afirmar que não aprenderam este critério de Jesus ou de seus apóstolos. Aprenderam com os homens.

    Quem diz “Só a Bíblia” e deseja impor este critério aos demais, obrigou-se a conhecer tudo pela Bíblia que jura defender. E ainda está obrigado a não cometer erros em matéria de fé e doutrina já que cada “intérprete” se diz inspirado pelo Espírito Santo e ao mesmo tempo se faz mestre e juíz de tudo e de todos.

    Para aqueles que pretendem não conhecer a fundo a doutrina católica, mas antes dizendo-se católicos costumam e gostam de criticar a Igreja e seus dogmas ao mesmo tempo que se encantam com novidades protestantes, é bom refletir onde se encontra o porto seguro da fé.

    Provamos ser muito mais seguro ser católico. Se é certo que todo aquele que estuda permanece ou adere ao catolicismo, aquele que por livre escolha prefere a ignorância e assim não se determina a estudar a fundo a religião dos seus pais, então que assuma de fato a condição de ignorante e agindo com coerência não se deixe levar pela pregação de qualquer um que desfila com bíblia debaixo do braço. Se você não quis conhecer o catolicismo, então também não dê ouvidos aos seus adversários e opositores. O ignorante católico deve ser pelo menos inteligente. Se não abraça o catolicismo e dele nada conhece, também não deve abandona-lo sem antes conhece-lo.

    Se alguém é ignorante sobre a fé católica como pode concluir que o catolicismo está errado ?

    Se há alguém em apuros por questão de doutrina não somos nós católicos. Nunca dissemos que Igreja não serve para nada. Não somos nós que andamos por aí dizendo que o importante é apenas a fé ou “olhar” para Jesus.

    Ora, se os evangélicos estivessem certos a salvação também nos alcançaria. Afinal de contas, nós católicos cremos no DEUS uno e trino e em Jesus Cristo como nosso salvador. E ainda podemos provar que a nossa fé é abertamente anunciada. O que diz o catecismo da Igreja Católica ?

    “432. O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. Ele é o único nome divino que traz a salvação e pode desde agora ser invocado por todos, pois a todos os homens Se uniu pela Encarnação, de tal modo que não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, l2) (17).
    480. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina; por essa razão, Ele é o único mediador entre Deus e os homens.

    Pelo critério evangélico estaríamos salvos. Agora pensemos:

    E se a Igreja Católica estiver certa e ninguém estiver salvo de véspera ?
    E se DEUS não levantou Lutero para “Consertar” os “desmandos” da Igreja ?
    E se Jesus não ensinou o “Só a Bíblia” ?
    E se São Paulo estiver certo e a transmissão oral deve ser preservada ?
    E se os cristãos dos três primeiros séculos que não dispunham de Bíblia tiverem sido ensinados pela tradição ?
    E se Constantino não fundou a Igreja Católica ? Que prova temos disto a não ser o que dizem os pregadores protestantes ?

    Lutero foi levantado por DEUS ? Então por que os evangélicos continuam reformando aquilo que DEUS já teria reformado ? Acaso DEUS promove reformas imperfeitas ?

    Lutero não foi levantado por DEUS ? Então por que lhe copiam o critério “Só a Bíblia”,entre outras teorias, se sabem que Lutero não foi levantado pelo Altíssimo ?

    Não é uma temeridade seguir teologia de alguém que não foi inspirado por DEUS e do qual a Bíblia nada fala ?

    A Igreja Católica foi fundada por Constantino ? Então por que seguem as teologias de Lutero que era um pretenso reformador da Igreja de Constantino ?
    A Igreja Católica foi fundada por Jesus ? Então por que a deixaram ?

    Existe uma igreja divina ? Se existe é mais provável que seja a Igreja Católica ou as igrejas protestantes que começaram a surgir 1.500 anos depois do início da era cristã ?

    Se todas as igrejas são obras de homens, por que todas as denominações evangélicas estão certas ao mesmo tempo, sabendo que umas divergem das outras e apenas a “denominação” católica está errada ? Ora, se o Espírito Santo “inspira” cada evangélico, por que não haveria de inspirar cada católico ?

    Senhor católico que adora novidades evangélicas. Pense bem. O evangélico nem mesmo sabe porque crê na Bíblia. Ele não recebeu revelação alguma do céu para nela crer. Jesus também não apareceu para evangélico algum dizendo que se deve crer na Bíblia. A Bíblia não lhe caiu no colo.

    O evangélico crê na Bíblia porque aprendeu com alguém que lhe disse que a Bíblia deve ser tida como a Palavra de DEUS. E este alguém aprendeu com outro que por sua vez aprendeu com um outro e assim por diante. E tudo começou por Lutero ! E como Lutero pode crer na Bíblia ?

    Ora, Lutero creu na Bíblia porque creu na Igreja primeiramente. Só é possível crer na Bíblia se antes cremos na Igreja que nos diz que devemos crer na Bíblia como a palavra infalível de DEUS.

    Ninguém tem em mãos os textos originais dos apóstolos e quem os tivesse não poderia te-los como confiáveis se antes uma autoridade superior não lhes desse credibilidade. Como o evangélico pode saber, exceto pela informação do homem, já que rejeita a Igreja, a definição dos livros inspirados ? Como ele pode saber se não pelo homem a definição dos livros que devem compor o novo e o antigo testamento ?

    Não tem jeito. Ele não tem como provar para si mesmo que Lutero foi inspirado por DEUS. A Bíblia que é sua única regra de fé não fala em Lutero ou no protestantismo. Mas Lutero por sua vez também não recebeu revelação alguma de Jesus, e, nem lhe caiu no colo a Bíblia pronta vinda do céu.

    O evangélico precisa confiar cegamente em Lutero como alguém inspirado e levantado por DEUS e nas obras que este produziu. E tudo isso sabendo que Lutero era um sacerdote da suposta Igreja de Constantino que ele evangélico repudia.

    E fazendo oposição a si mesmo o evangélico que afirma que Lutero é de fato alguém sob inspiração divina, continua reformando a obra que DEUS teria feito através de seu “ungido”.

    O evangélico está em apuros em matéria de fé e doutrina. Fez-se mestre e sábio aos seus próprios olhos. Assim, impõe a todos um critério criado pelo homem que é o “Só a Bíblia.” Obrigou-se este evangélico a não cometer um só erro de fé e doutrina. Obrigou-se ainda a conhecer todas as coisas pela Bíblia. Obrigou-se também a rejeitar tudo que não consta da Bíblia. E sabendo que um e outro evangélico não concordam entre si, está obrigado a condenar doutrina alheia para não condenar a sua própria doutrina.

    Fez-se o evangélico mestre, sábio, papa infalível e juíz de tudo e de todos. E não há saída. Se dois não concordam ele só pode ser opositor ou cúmplice da doutrina de outro evangélico.

    Diz o evangélico que o importante é crer e não lhe sendo possível adentrar coração humano e julgar a fé que vai no coração de cada homem, acabou por consolidar a fé de aparência, bastando a cada um apenas confessar com a boca e com palmas que Jesus Cristo é o senhor e já não importa o cristianismo que cada qual pratica.

    Diz o evangélico que igreja não salva ninguém e assim estabelece que o próprio fato de alguém declarar-se membro de igreja é irrelevante. Curiosamente, o que eles mais fazem é abrir igrejas.

    Diz o evangélico ainda que todo e qualquer homem é inspirado pelo Espírito Santo em sua leitura privada da Bíblia e assim contestar a doutrina católica é confessar o contrário do que se prega, ou seja, o Espirito Santo não inspira a todo e qualquer homem na sua leitura privada da Bíblia.

    Diz por último o evangélico que não há um só homem infalível em matéria de fé e doutrina e assim, muito embora se julgue infalível para si próprio, faz seu oponente acreditar que sua própria pregação deve merecer desconfiança por parte de quem lhe ouve.

    Tivesse Lutero descartado a Bíblia e firmado sua doutrina exclusivamente na tradição, hoje os evangélicos estariam nos criticando por seguirmos a Bíblia. Ao invés de dizerem que católicos não fazem a leitura da Bíblia, estariam dizendo que somos adoradores das Escrituras. Estariam hoje nos chamando de fariseus ou fazendo comparações com os antigos “doutores da lei”.

    Da mesma forma que o evangélico não tem como provar e saber que a Bíblia é a palavra de DEUS, mas teve que crer em Lutero, ele também não poderia ter certeza de qualquer outro ensinamento que o herege tivesse transmitido. Tudo é apenas uma questão de crer ou não crer. E esta escolha o evangélico a fez em favor de Lutero e dos homens.

    E nós escolhemos a Jesus e por via de consequência sua Igreja e a Bíblia: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

    E os escândalos do clero Sr.Católico ??? Permanecemos confiando em Jesus.

    Se o Senhor Jesus diz que os escândalos são inevitáveis estão errados aqueles que pretendem fundar “ igrejas” “sem pecadores.”

    Se Jesus antecipa a sentença daqueles que causam escândalos, então não precisamos de Luteros ou Calvinos:

    ‘Ai do mundo por causa dos escândalos! Porque é necessário que sucedam escândalos; mas ai daquele homem pelo qual vem o escândalo! Se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor te é entrar na vida maneta do que, tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga’ (Mc 9, 42 e ss).

    O que estamos dizendo ? Os evangélicos não são bons o suficiente ? De forma alguma. DEUS é quem vai julgar. Mas nós católicos também seremos julgados por DEUS e não pelos evangélicos. E nem precisamos gritar “Não aceito julgamentos de homens.” A Igreja nos ensina que é DEUS quem julga todas as coisas.

    Estamos dizendo que não existem evangélicos sinceros, honestos e comprometidos ? De modo algum. Bons e maus existem em todos os lugares. E justo parece não haver em lugar algum.

    O que estamos afirmando sem medo de errar é que mesmo os bons, sérios e comprometidos evangélicos não concordam integralmente entre si em matéria de fé e doutrina. Estamos afirmando que há ensinos estranhos a mensagem evangélica no meio evangélico e com isto eles mesmo concordam.

    Em última análise, estamos confirmando aquilo que os próprios evangélicos afirmam, ou seja, independentemente de prática herética ou não, todos sem exceção no meio evangélico se dizem salvos e inspirados pelo Espirito Santo.

    E acrescentamos que ao contrário do que alguns pensam, os escândalos também ocorrem no meio evangélico e suas denominações também abrigam pecadores. Quem faz de Lutero indispensável, deve concluir que o melhor teria sido permanecer confiando em Jesus.

    Se a praga da heresia tivesse contaminado o catolicismo, o que não ocorreu, o fato é que Lutero não teria resolvido problema algum. Pelo contrário, o que mais se vê no meio protestante/evangélico é o surgimento de novas heresias a cada dia.

    Se havia pecadores na Igreja Católica, Lutero tão e somente deu impulso a criação de novas denominações também repletas de pecadores.

    Se o problema era o papado, agora cada crente é uma espécie de papa para si mesmo. Ao invés de um só Pedro, milhões de Luteros brigando uns contra os outros. E todos contra o Papa verdadeiro.

    Disse Lutero o criador da Babel protestante: “Meu DEUS o que eu fiz ? Chegará o dia que nem poderemos contar o número de seitas. Cada cabeça será uma Igreja.”

    Se o problema era a Igreja Católica, Lutero e seu protestantismo não conseguiram estabelecer uma só fé, um só batismo nem os mesmos credos em uma única, nova e “renovada” igreja. Ao invés de uma igreja, agora seus filhos se dividem em 50.000 igrejas divergentes entre si.

    A porta é estreita. As vidas dos santos e dos mártires confirmam que entrar no céu dá trabalho. Desconfiem daqueles que fazem da salvação algo tão simples como levantar o dedo e “aceitar” Jesus em um templo protestante, independentemente do cristo que se pretende seguir.

    Desconfiem daqueles que dizem que salvação não pode ser perdida. Estes mesmos que julgaram indevidamente as indulgências católicas como “caminho fácil” para a salvação é que abraçaram a tese de Calvino da Salvação Garantida e que hoje tornou-se algo simples, automático e imutável para quem levanta o dedo indicador e diz “aceito” Jesus.

    Tais nunca primaram pela coerência. E tampouco desejaram a verdade. São estes mesmos que causam divisões. As mesmas divisões condenadas pela Bíblia que juram defender.

    São eles mesmo que orgulhosamente andam dizendo por aí: “Não precisamos de igreja, não precisamos de papa, não precisamos confessar nossos pecados, não precisamos de indulgências, não precisamos de sacramentos, não precisamos de santos, não precisamos da Virgem Maria.” Dizem em alto e bom som: “Não aceitamos julgamentos de homens, mas eles próprios julgam a tudo e a todos.”

    Para estes que nos apontam os dedos e nos imputam doutrinas que não praticamos e as que praticamos eles omitem e fazendo-se a devida ressalva de que muitos outros nos tem respeito, podemos dizer: Árvore má não pode produzir bons frutos. E a árvore má é Martinho Lutero:

    Martinho Lutero: “Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela?” Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (Tischredden, Nº 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107).

  2. AS CONSIDERAÇÕES SOBRE O INFERNO É UMA TREMENDA GRAÇA DE DEUS, NOSSO SENHOR, QUE NOS ABRE OS OLHOS DO CORAÇÃO PARA A CONVERSÃO E A BUSCA DO CÉU, MESMO QUE ISSO NOS CUSTE SACRIFÍCIOS. TAL INSTRUÇÃO NOS MOSTRA O QUANTO O SOFRIMENTO É BENÉFICO, SE ACEITO POR AMOR A DEUS E PELA SALVAÇÃO NOSSA E DAS ALMAS.TODA A CARTA CONFIRMA OS SEGREDOS E AS MENSAGENS DE N.S. DE FÁTIMA E AGORA, RECENTEMENTE, MEDJUGORJE QUE ESTÁ SOB A INVESTIGAÇÃO DA IGREJA.
    DEUS LHE PAGUE POR ESTA MISSÃO. SOU ETERNAMENTE GRATA, ESSE AVISO ARRANCA MUITAS ALMAS DO PODER DE SATANÁS, DEUS SEJA LOUVADO!!
    PENSO QUE TODA AS PARÓQUIAS DEVERIAM TER ESTA CARTA IMPRESSA NAS PAREDES, COMO UMA CATEQUESE SOBRE OS ‘NOVÍSSIMOS’ QUE A NOVA GERAÇÃO NEM SABE O QUE É.
    POR ISSO, A VIRGEM DE FÁTIMA PEDIU AO PASTORINHOS QUE REZASSEM O ROSÁRIO E EM CADA MISTÉRIO A JACULATÓRIA: ÓH, MEU JESUS, PERDOAI-ME, LIVRAI-ME DO FOGO DO INFERNO E LEVAI AS ALMAS TODAS PARA O CÉU E SOCORREI AS QUE MAIS PRECISAREM DE VOSSA MISERICÓRDIA.’ A PARTINDO DESSA REFLEXÃO, REZAREI ESSA JACULATÓRIA O TEMPO TODO QUE PUDER (NA RUA OU FAZENDO TRABALHOS MECÂNICOS).
    QUE DEUS ABENÇÕE A TODOS,
    FLÁVIA MARIA

    • Prezada Flávia,
      Salve Maria!

      Obrigado pelo seu comentário. Realmente é muito salutar a meditação do inferno, pois foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo que disse: “Medita nos teus novíssimos e não pecarás eternamente”.

      Atenciosamente,
      Equipe Lepanto

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